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Mais virtudes do que defeitos
Portanto, não nos asfixiemos. Vamos votar nos candidatos que nos parecem sérios. Falo dos novos candidatos. Dos que fazem carreira na política já temos conhecimento. Se votamos em algum que não foi honesto, ou que foi honesto mas não promoveu o bem-estar comum, é porque queremos permanecer nesta péssima situação. Com isto, refortalecemos os fortes — eles — e enfraquecemos os fracos — nós mesmos.
Já ninguém suporta tantas notícias de falcatruas dos políticos e dos homens que têm autoridade legal sobre nós. Furtam-se ao Governo fortunas invejáveis. Doa o Governo montanhas de dinheiro a banqueiros que quebram os respectivos bancos. O dinheiro dos pobres vai para os ricos. As dívidas dos ricos vão para os pobres. Eu nunca vi ninguém tão rico no mundo quanto o pobre. Dinheiro de pobre só não dá para o pobre.
Nunca lhe dará resposta — Fortaleza, 26.07.00
Em certo restaurante, com Dr. Ismar Costa, hoje (sábado, 27), o dono da casa de pasto mostrou-se felicíssimo com o encaminhamento “da reabilitação do Padre Cícero na Igreja”, ajuntando que “esse bispo é um homem forte, e foi a Igreja quem pediu a ele para ele dar entrada no pedido da reabilitação, que vai sair. Aqui, ninguém nunca viu interesse nenhum do bispo. Foram que nem esses políticos... Se Mauro Sampaio ainda fosse deputado, o Centro de Apoio ao Romeiro já estava terminado, pois ele valia por todos esses que estão aí.”
As virtudes do Padre Cícero são quase unanimidade no Nordeste do Brasil, no Brasil e no mundo, pois não se impede que o Sol ilumine.
Monsenhor Murilo saiu-se muito bem, quando respondeu perguntando quem somos nós para impedir que o romeiro faça do Padre Cícero o “seu catequista”. Disse catequista, para não desafiar o bispo e dizer — santo. Dom Fernando Panico, bispo diocesano, declarou que não está ensinando ao romeiro, mas aprendendo com ele a amar o Padre Cícero.
São essas aparentes pequenas virtudes que fazem os santos. Santos em sentido estrito ou canonizados, — os heróis na fé; e santos em sentido amplo, — os que procedem conforme os mandamentos.
Um amigo meu, comigo no Horto, depois de observar no Socorro, no Museu e no Horto a quantidade de ex-votos ao Padre Cícero por graças alcançadas por sua intercessão, me disse: “A Igreja procura um milagre [cientificamente comprovado] do candidato a santo. Aí o Padre Cícero tem um navio de milagres, e ficam com essa lengalenga!”
O Padre Cícero é santo: teve mais virtudes do que defeitos.
Escrito por Assis Ferreira às 20h51
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Outra vez
Ao leitor:
A crônica do dia 8/5/2006 não pôde ser publicada, por exigüidade de espaço no BLOG. As seguintes, também: o UOL encurtou o espaço, outra vez.
Assis Ferreira
Escrito por Assis Ferreira às 17h17
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A pedido do Padre Cícero
Há vinte anos, ou mais, foi começado o Centro de Apoio aos Romeiros, defronte da igreja de Nossa Senhora das Dores. As obras pararam por falta de dinheiro. Eram fornalha de engenho com fogo alimentado por bagaço de cana: quanto mais bagaço se lança à fornalha, mais bagaço o fogo requer para manter-se aceso. Veio o Parque Ecológico. Foi outra fornalha. Veio a Torre do Milênio. Foi outra fornalha. Duvido que alguém mostre uma obra pública nesta cidade que não tenha sido uma fornalha. Duvido que muitas satisfaçam os fins para que foram criadas, quando concluídas: o Centro de Apoio, o Parque Ecológico e a Torre do Milênio apenas começaram: quando não houve mais bagaço de cana, pararam e viraram monturo, área de risco.
Preceito de sábado, 02.04.03
Venho transcrevendo das crônicas como epígrafe de novas crônicas para ver se, assim, alguém toma algum interesse em cobrar dos políticos o cumprimento das promessas. Ou para alguém cutucar os políticos quanto àquilo que interessa à prosperidade da cidade. Tal é a agência regional dos Correios. Não há notícia de que a Prefeitura atual tenha procurado entender-se com a ECT sobre o assunto da doação do terreno. Algum assessor poderia lembrar isto ao prefeito.
Do prometido pelos políticos, lembrado na crônica Preceito de sábado: obras do projeto Revitalização do Horto (concluídas, em parte); obras Estruturantes (paradas); Teatro Municipal Marquise Branca (um ovo, concluído e já adaptado); quartel dos bombeiros militares (não foi construído); dois canais de televisão (está em teste o de um político); fábrica de genéricos (do mesmo político, nunca saiu do papel): Parque Ecológico (concluído insatisfatoriamente); avenida perimetral (continua promessa); Torre do Milênio (concluída sem lago, sem entornos, sem iluminação no topo).
Ninguém, absolutamente ninguém, cobra o que nos é prometido: as rádios são dos políticos, e na casa de enforcado não se fala em corda. O Folha de Juazeiro é mensal. O Folha da Manhã (dias úteis) é a única voz.
Alegre surpresa tive ao abrir o semanário Juazeiro do Norte on-Line domingo (7), entrado no segundo ano de vida com esta edição, a de n.° 53: a página de rosto veio com a estátua do monumento do Padre Cícero, o quadro de Juazeiro do Norte em 1827, de dona Assunção Gonçalves, e vista aérea da cidade. O colorido da página não deixa lugar à tristeza. Como é lido no estrangeiro (Portugal, Espanha, Angola, França, Itália, Estados Unidos), passamos a ser Juazeiro do mundo.
O Nordeste ajoelha-se neste domingo (7) em Juazeiro do Norte: padres, freiras, consagrados, religiosos. Vêm a Nossa Senhora das Dores, a pedido do Padre Cícero.
Escrito por Assis Ferreira às 08h57
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Às mulheres o nosso respeito
Na fila de votar, na seção 209, no Colégio Estadual, que já foi “Padre Murilo”, ouvi de um eleitor suas aventuras em Brasília, como candango. Foi Mauro Sampaio quem lhe pagou a volta para o Ceará. E dele foi outra informação: certo deputado federal, sediado em Juazeiro do Norte, no dia seguinte ao da proclamação da vitória, foi visitado por umas poucas senhoras, que haviam votado nele. O deputado assombrou-se. As mulheres acalmaram-no, dizendo-lhe que nada tinham vindo pedir a ele: apenas vieram dizer-lhe que tinham votado nele. A resposta do ilustre homem público: “Eu sei que fui eleito mas não sei se vocês votaram em mim.”
Os ratos vão comendo o queijo — 06.10.02
Na Internet, dei com o texto Nísia Floresta Brasileira Augusta: pioneira do feminismo brasileiro — séc. xix, de Constância Lima Duarte. Nísia Floresta Brasileira Augusta é o pseudônimo da norte-rio-grandense Dionísia Gonçalves Pinto (1810 — 1885), quase esquecida em nossa literatura.
Àquela época, outras mulheres estavam lutando para terem foros de pessoa com direito a trabalho, a instrução, a manifestação do pensamento. Buscavam os chamados direitos da mulher. Dentre as mulheres ansiosas por direitos iguais aos dos homens, a autora do texto nomeia “Josefina Álvares de Azevedo, Luciana de Abreu, Francisca Senhorinha da Mota Diniz, Presciliana Duarte de Almeida, Joana Paula Manso de Noronha, Bertha Lutz”.
Em 1832, Nísia publicou, em Recife, Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens. “Nísia tinha apenas 22 anos e a grande maioria das mulheres brasileiras vivia enclausurada em preconceitos, sem qualquer direito que não fosse o de ceder e aquiescer sempre à vontade masculina.”
Nísia inspirou-se no livro “Vindications of the rights of woman, e também em outros de autores europeus, como Poulain de La Barre e Sophie, e ainda na Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, de Olympe de Gouges.”
Machado de Assis, contemporâneo de Nísia, diz que a mulher antiga tinha suas fadigas aumentadas, quando o marido ia à guerra, ou quando ele a abandonava com a prole.
Quem quiser conhecer o valor da mulher na história humana leia Mulheres da Bíblia (Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns et alii, Paulinas).
Alguém mais curioso poderá encontrar a igualdade entre o homem e a mulher na Bíblia, onde se lê que Deus criou o ser humano homem e mulher (Gn 1,27).
Às mulheres o nosso respeito.
Escrito por Assis Ferreira às 12h48
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Sem espinhos
Quando os Bispos do Ceará se mexeram, com relação às coisas daqui [de Juazeiro do Norte], intricaram tudo, botaram tudo a perder. Antes tivessem ficado sem aluir uma palha, dando a mão a beijar, como gostam.
Viva o Santo Padre Cícero! Viva! — 23.06.95
Ia (4) eu à igreja de Nossa Senhora das Dores entregar a Rociane a crônica para os padres Bandeira, Cláudio e Paulo, quando, na Rua de São Pedro, Bernardo Neto me deu um exemplar do n° 252 de Folha de Juazeiro, periódico mensal do pai, Jackson (Pires) Barbosa, que está com a saúde complicada, em conseqüência, talvez, de antiga cirurgia, que o faz andar irregularmente. Vamos lá, Jackson!
O Diário do Nordeste (4) fez boa matéria sobre a Floresta Nacional do Araripe — Flona, que completa 60 anos de criada.
Paulo Machado, odontólogo e bacharel em Direito e tabelião do segundo ofício, merece parabéns pela organização, também pelo gosto com as coisas de Juazeiro do Norte. Fará reunir num só corpo os vários livros assinados pedindo a revisão do processo canônico do Padre Cícero. A comitiva de Juazeiro do Norte que acompanhará Dom Fernando Panico a Roma está ultimando as providências. Nosso diocesano tem feito tudo para aclarar os fatos sobre o Padre Cícero.
Qualquer Governo deve fazer como o da Bolívia, que assumiu a nossa Petrobrás, desde que pague os investimentos do estrangeiro.
Em Fortaleza, disse-me Dr. Ismar Costa que eu tenho de deixar de criticar a nossa Prefeitura, porque o que víamos na “Bela Fortaleza” eram buracos, lixo, luxuosos edifícios de apartamentos ao lado de casebres miseráveis, mendigos. Mostrou que rua vizinha à Bárbara de Alencar, onde ele tem apartamento, na Aldeota, numa placa é Silva Paulet, noutra é Silva Palet e noutra é Silva Palete. As placas estão perto uma da outra. Mostrou-me, assim, que os defeitos da administração pública são os mesmos, aqui e em qualquer parte.
As notícias dizem que o presidente Lula é o preferido para presidente. Isto me prova que o eleitor não pode reclamar do prejuízo que lhe causam os que ele elege.
Garotinho, na mira dos atiradores adversários, faz greve de fome, o que facilita o trabalho dos opositores, doidos que ele morra logo. Ontem, na televisão, a mulher dele, dona Rosinha Garotinho, governadora do Rio, fez firme defesa do marido, defesa de pétalas, sem espinhos.
Escrito por Assis Ferreira às 12h22
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Podia ser doido, mas não era burro
Em vez de ele [Mons. Murilo] ser contra a demolição [dos arcos que formam a praça diante da igreja], que descobrirá a igreja e dará mais alegria ao cenário, peça que se construa adequadamente um espaço para os romeiros, da Polícia Federal à beira do rio, e se reforme a praça da igreja. Feita a demolição, a reforma da praça e construído o espaço para romeiros e turistas, a igreja vai ficar totalmente visível. E Nossa Senhora das Dores ficará apenas com sete dores, e não com oito, como está agora.
Como está agora — 18.08.05
Do jornal virtual Juazeiro do Norte on-Line (www.juaonline.info) edição n.° 52, de 30.04.06: o lembrador de fatos de Juazeiro do Norte fechou seu primeiro ano de vida com a edição, na qual revi o falecido Tetê (Adonias Belo da Silva), uma ave feita por Faísca (José Ribeiro) na copa do benjamim que existiu na esquina da Rua de São Francisco com a Rua do Padre Cícero (praça), e a fotografia de Aguinaldo Carlos de Sousa embrulhado em paletó e enforcado por gravata, com um sorriso maior do que as três horas que passou como prefeito de Juazeiro do Norte (era presidente da Câmara Municipal, e o prefeito, — Carlos Cruz, — e o vice-prefeito, — Raimundo Macedo, prefeito atual, — estavam de viagem).
Encontrei no Plaza Hotel (04.05) o médico Carlos Macedo, prefeito de Aurora, e o deputado Sérgio Novais, que bebiam o café, o leite e comiam a tapioca e o pão com manteiga de dona Josélia, casada com Expedito Costa. Com eles, mais três homens, que eu não conheço. Segundo Carlos Macedo, a esposa será candidata a deputado estadual, e ele apoiará Sérgio Novais. Carlos Macedo pretende ser prefeito de Juazeiro do Norte. Faz uma boa administração em Aurora. Está-se credenciando para cá.
Lucas, meu caçula, inventou de botar uma microempresa (Recarga Rápida) de prestação de serviços (recarga de tone e de laser, assistência a impressoras). O que tem sofrido para manter a empresa dentro do molde oficial o leitor não imagina: os bancos nada facilitam (até abrir uma conta é quase impossível); o Governo nada facilita com o BNDES, que só abre crédito ao rico. Aí, quando o sujeito, para sobreviver, trabalha na clandestinidade, o Governo acha ruim. Todo fie duma puta de burocrata diz que macaco é bispo, e a gente que se vire para dar prova contrária. Tudo me lembra as críticas de Lima Barreto em Os Bruzundangas. Lima Barreto podia ser doido, mas não era burro.
Escrito por Assis Ferreira às 19h59
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Ataúde público
É tempo de serem distribuídos cartazes de PROCURA-SE UM HOMEM PARA PREFEITO DE JUAZEIRO DO NORTE. Como as coisas estão andando, não duvido que saiamos do purgatório para o inferno. Será que em duzentas mil pessoas não encontramos uma que tenha capacidade de nos dirigir? Isso é uma vergonha!
Ladrão roubando ladrão — 29.05.04
Para acudir às necessidades de saúde da população, o Governo Federal criou a Farmácia do Brasil, que ele bravateia como vendedora de medicamentos até noventa por cento (90%) mais barato do que vendem as farmácias comerciais. Aqui em Juazeiro do Norte se arranjou um prédio velho, que recebeu uns remendos, prateleiras e balcões; abriram-se na parede da frente listras verde-amarelas, como verde-amarelo é o nome em letras maiúsculas. Agora, retornando eu (3.5) de viagem a Fortaleza (29.4), onde peguei uma gripe de lascar, leio que a dita farmácia foi aberta no dia 2 de maio, dizem que com o apelido de Farmácia Básica.
A notícia dos que recorrem àquela farmácia (não à nossa, a qualquer uma Farmácia do Brasil) é de que os produtos vendidos são pouco variados, e que, por exemplo, quem tem pressão alta crônica e profunda não encontra lá o item prescrito. Encontra remédio contra pressão moderada. Também assim para remédios contra outros males: a farmácia só vende remédio de preço baixo. Devera ser chamada Farmácia Balela do Brasil.
Ficava bonito propaganda como: A Farmácia Balela do Brasil informa ter recebido os medicamentos para a terceira idade conhecidos como atossecontinua; tomeiequasemorri; tadoido; nuncamais, bebonada, meenganaqueugosto, afebreaumentou, vamorrendo, jaera, veibomeveimorto, oeleitorqueselasque. A Farmácia Balela do Brasil lembra que Doutor Temmatado, especialista em jegueatria, chefe do Ataúde Público, comunica à respeitável população de idosos ter sido ampliado o número de medemnicos da instituição, com o fim de mais comodamente atender aos queroídos idosos. Os idosos poderão recorrer, ainda, à reconhecida competência dos profissionais da Clínica Temmatado & Estamatando S.C., na Rua dos Inválidos, conveniada com o Ataúde Público.
Escrito por Assis Ferreira às 20h23
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Não sei qual dos dois Josés é o hipócrita (26.04.06)
Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Fechais aos outros o Reino dos Céus, mas vós mesmos não entrais, nem deixais entrar aqueles que o desejam.
Mt 23,13
No segundo Sermão da Primeira Sexta-Feira da Quaresma (sem data), referindo-se ao bezerro de ouro feito pelos hebreus que ficaram com Aarão ao pé do Sinai, povo por quem Moisés acabava de pedir a Deus que perdoasse, o Padre Antônio Vieira cita São João Crisóstomo e o transcreve e traduz: “Utilior est hominis Deus iratus, quám homo propitius”: “Que melhor é para os homens, e mais útil, Deus irado, que o homem propício”, pois Deus acabava de dizer a Moisés que ia exterminar aquele povo, e logo perdoou ao povo a pedido de Moisés; Moisés, chegado ao local onde se fazia a bacanal, mandou passar a fio de espada os que não quisessem seguir Deus, e três mil homens do povo foram mortos ali (Ex 32, 10-28). (Vieira diz vinte e três mil homens.)
Lendo isto, entende-se o Padre José de Souza Pinto, que promete revelar segredos da Igreja da Bahia (Salvador), agora que foi afastado das funções. É artista plástico. Tem quase mil telas pintadas, que pretende vender a mil reais cada uma. Pinta calça, camisa. Quer fazer a marca PP (Padre Pio?), com que ele conta alcançar a celebridade. Tem já um título para o livro, que promete escrever: Confissões do Padre Pinto. Daí passará a um filme, talvez com o mesmo título. (Istoé n° 1.905, de 26.04.06.)
Esse Padre Pinto é o mesmo Padre Pinto que eu vi na televisão, dia 27.03.06, “homem já de idade, brinco na orelha esquerda, braceletes, pequena cruz tatuada no braço esquerdo, ademanes e voz... Diz-se apreciador do carnaval e que com outros toca uma creche com 500 crianças. Tem boa formação intelectual. Estava metido em roupas exóticas. Afirmou: ‘Eu sempre amei a Igreja Católica, nela continuo e nela morrerei’” (Antes que a cidade emburaque — 28.03.06).
A revista supõe que a revelações do Padre Pinto denigram a imagem da Igreja de Salvador. É possível, mas não é certo. Digo assim porque não sei qual dos dois Josés é o hipócrita.
Escrito por Assis Ferreira às 06h15
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Botar guizo nos ratooportunistas
As homilias de Monsenhor Murilo incorporaram uma parte nitidamente social: urbanização, recepção ao romeiro, saúde pública, menor, fome, velhice.
A meu ver, não é possível o padre não se meter em assuntos seculares por receio de causar conflito entre a Igreja e o Estado. Esta evangelização da conveniência não é a que nos foi ensinada por Cristo, que enfrentou o poder sem o desafiar, sem incitar à vingança, ao ódio, à desobediência.
Temos um exemplo local de evangelização: a do Padre Cícero. Não promoveu a guerra. Não aconselhou o ódio, a vingança, o rancor. Adotou o “rosário da Mãe de Deus” como arma, cuja munição era a caridade: o perdão, a assistência aos pobres, o acolhimento aos marginalizados, o bom conselho, a paciência, a conciliação, a partilha. Com essa arma venceu a calúnia e a difamação, e, por último, parece que vencerá a incompreensão... Dia a dia, cresce em fama de santidade. Cresce no amor dos pobres e dos desvalidos.
Um grande espetáculo — 29.07.05
A Prefeitura informa estar pagando 300 mil reais por mês de indenizações de terrenos para escola, campus da UFC, abertura de ruas, ampliação da Faculdade Leão Sampaio. Informa, outrossim, que vai a Fortaleza tratar de assunto do Juaforró e do aeroporto, e que a Singer aumentou duas vezes o número de máquinas que produzia. O número de funcionários passou de 270 para 800 e vão a 2.000 os empregos diretos e indiretos com a vinda de 11 pequenas empresas que prestam serviço à Singer. Boas notícias. O prefeito pretende voltar de Fortaleza com tempo para a recepção a Geraldo Alckmin, domingo 30.04.06.
Esteve hoje (25) comigo um amigo que me disse ter ido à Casa do Povo com o filho tirar a identidade civil do rapaz, que está completando 18 anos. “Demos uma mancada: em vez de termos ido ao Crato, fomos aqui. Só dão 40 senhas por dia (agora passaram para 100: 50 de manhã e 50 de tarde). O pior é que o documento só chega daqui a 30 dias. No Crato se recebe na hora. Nem o número do documento deram!” Começamos mal.
Louvável que os franciscanos reativem o relógio da torre da igreja, dispêndio previsto em 15 mil reais. A *** prometera ajudar a recuperação do relógio, porém, ouvi hoje que entraria apenas com a mão-de-obra. Essa despesa só é muita para quem é pobre. Aí o empresário...
Diz-se que vai para um milhão de reais o gasto com o Juaforró. É muito dinheiro, porém, se for empregado devidamente na festa, será investimento. Faremos uma festança, ou provaremos que nada bom sabemos fazer. O gatoprudente manda botar guizo nos ratooportunistas.
Escrito por Assis Ferreira às 20h25
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Homens novos
Alguém andou discursando aqui, neste final de semana, parabenizando a Prefeitura pela rede hospitalar municipal. Balela, pura balela: nos últimos dez anos, diz um observador, o que se tem feito é manter o mesmo o número de “hospitais” da rede pública. O Stephania apenas tem mudado de nome para adular políticos maiores. O antigo “SAMDU” e o Hospital São Lucas foram reformados e ampliados. Mas o que se ouve é queixume de falta de medicamento e de médico na rede pública municipal. Qual, pois, terá sido a razão dos elogios?
Um novo matadouro — 02.08.03
Eu recomendo ao leitor que leia o capítulo primeiro do Evangelho de São João, para confirmar o que digo. Não é leitura que lhe tome tempo, e comove profundamente, se for meditada. Resumo-a.
Maria, mãe de Jesus, estando grávida, foi assistir a prima Isabel, que estava no sexto mês da gravidez de João Batista.
A gravidez de Maria era de pouco tempo, impercebível. Isabel, porém, agradeceu a assistência da prima dizendo-lhe estar honrada com a visita da mãe do Filho de Deus (Lc 1).
João Batista, ainda no ventre da mãe, alegrou-se com a visita do primo. Adulto, foi anunciar a vinda do Cristo Jesus. Os convertidos eram por ele batizados no Rio Jordão. João e Jesus não se conheciam. Um dia, numa margem do rio, João sentiu que o homem que lhe vinha ao encontro era o Filho de Deus. Emocionado, não pôde conter-se, e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. No dia seguinte, viu-o passando a distância, e repetiu, agora apenas a dois discípulos, que estavam com ele: “Eis o Cordeiro de Deus! Por que Cordeiro? Porque o cordeiro, a pomba, a rolinha, o cabrito, o novilho eram comumente comprados no templo para os sacrifícios a Deus. Quem imolava um cordeiro queria ser perdoado dos pecados particulares. João, porém, disse que Jesus era “o Cordeiro de Deus”, por isto, Cordeiro “que tira o pecado do mundo”, isto é, Cordeiro que, sacrificado, tira, apaga os pecados de cada um de nós, que assim ficávamos “homens novos” (Ef 4,23-24).
Eu fico a imaginar a dor de João Batista, no outro dia, ao avistar Jesus passando a distância: João tinha certeza de que Jesus estava caminhando para a missão que o ia levar a cruéis sofrimentos físicos, a impiedosos sofrimentos morais e à crucificação, que era pena degradante.
Estamos ainda na Páscoa, a passagem de um estado de ser a outro estado de ser. Não deixemos que Jesus tinha morrido em vão. Sejamos homens novos.
Escrito por Assis Ferreira às 08h19
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Menos um
A melhor coisa do mundo, depois da saúde, da barriga cheia, da liberdade e da paz é o dinheiro. E dinheiro é o que não falta ao nosso Galeguim dos ói azu, que está montado no cavalo chamado governo, e vai tocando o estropiado eleitor.
Não se sabe o que diabo deu no Galeguim dos ói azu. Sabe-se que está doidinho, doidinho: quer extinguir os convênios do Estado com escolas filantrópicas: pobres e carentes que necessitem de estudar e de alguma assistência de saúde vão buscar isso no inferno, que é onde deveriam estar, para a felicidade do povo rico. Prejudicados, restará ao Galeguim dos ói azu destruir os pobres desempregados, o que pretende fazer acabando com o SINE — CE.
Maior do que Nero e maior do que Hitler — 23.05.97
Na crônica de 21 e na de 22, referi-me à impiedade com que o terço e meia dúzia de santos da Igreja Católica foram tratados, há poucos dias.
Existe forma hábil e respeitosa de fazer-se (aparente) brincadeira com os objetos de devoção e os santos. Apanhemos trechos de um dos sermões escritos pelo Padre Antônio Vieira sobre São Roque. Das primeiras linhas do capítulo primeiro do primeiro Sermão de S. Roque, o de 1657. Notemos a elegância com que o orador nega para afirmar e edificar na fé com exemplo por ele tomado na prática da nossa vida: “Ou a vida de S. Roque foi errada, ou todo o mundo é louco. [....] Foi tão venturoso S. Roque, que lhe faltaram seus pais antes de cumprir vinte anos. Desgraça se chamava isto antigamente; mas eu lhe chamei ventura, por me acomodar à frase do tempo. Nenhuma coisa parece que sentem hoje mais os filhos, que a larga vida dos pais. Quem não quer esperar a herdá-los depois da morte, como lhe (sic) pode desejar longa vida?”
Quanto ao rosário, informa o padre que “Houve no reino de Aragão uma mulher moça e nobre, por nome Alexandra, a qual pela pregação de S. Domingos tomou por devoção o rezar todos os dias o Rosário”, porém dividiu o tempo com rezar e ficar ao espelho e à janela para exibir a formosura, sendo o rezar o rosário de pouca valia, porque “a principal virtude da oração [é] a perserança” (Décimo Oitavo Sermão do Rosário, cap. VII e VIII). Pede Vieira ao auditório que não imite a devoção de Alexandra, que estava presumida de que na hora da morte a Virgem do Rosário há de socorrer o orante irregular.
Eu acho que vou instalar meu computador na Fiocruz, pois nunca vi pegar tanto vírus. Lucas formatou de novo o computador. E recomendou-me não abrir certas mensagens. Farei isto. Outra vez, perdi os endereços eletrônicos dos amigos a quem expeço as crônicas. Menos um.
Escrito por Assis Ferreira às 10h56
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Nunca falta mentiroso
Todos os anos, mente o prefeito e mentem secretários municipais prometendo um refrigério aos romeiros. O mais que os romeiros encontram são ruas esburacadas e pouco iluminadas; Horto feito de lata e repleto de mendigos; estátua do Padre Cícero com fissuras por falta de renovação da pintura; Rua do Horto sem calçamento e quase sem luz; igreja do Horto e obras do Horto sem conclusão; fedor da estação de esgoto sanitário e lixo nas ruas. O jamais concluído Centro de Apoio ao Romeiro foi uma mina de ouro. A Cidade Cenográfica da Mãe de Deus ia para isso, porém morreu na Justiça. Torre do Milênio. Obras estruturantes. Tudo fruto da fértil imaginação de oportunistas daqui e dos oportunistas por eles importados. Com essas obras, que linda cidade Juazeiro do Norte imaginada!
Juazeiro do Norte imaginada — 02.08.04
Uma pintura do órgão sexual feito de terços não bastou à impiedade: tomaram Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora Aparecida, São Benedito, São Roque, o Arcanjo São Miguel, Santo Expedito e fizeram deles divertimento. O saite www.cleofas.com.br, que reproduzia os fotogramas, retirou-os à noite do dia 21: o professor Felipe Aquino deve ter notado que, involuntariamente, estava contribuindo para ridicularizar os santos. O autor das brincadeiras foi criativo, sem dúvida. Poderia, porém, aproveitar sua criatividade para algo edificante, educativo.
O Salgadinho há anos teve o leito estreitado e desviado do curso. Passou, então a procurar caminho. Está assoreado. Já destruiu a ponte entre a cidade e o Horto. Dia 21, botou uma cheia que transbordou na travessia onde está a favela da Boca das Cobras. A ponte ficou coberta de água, em boa altura, água que invadiu as casas da favela, às quais levou cobra, caranguejeira, rato, sapo, saco de plástico.
Hoje (22), vi marca d’água na altura de 40cm nas paredes. Moradores pediram-me falar por eles. Ora se o prefeito vai-me ouvir: ele, o anterior, o outro, vereadores já prometeram transferir aquela população para lugar salubre e adequado. Tanto foi o prometido, quanto foi o negado.
O eleitor é que deve conscientizar-se e não votar nos que prometeram e não cumpriram o prometido. Anule o voto, se o candidato for mentiroso, ou não merecer confiança, pois, na próxima campanha municipal, a promessa será repetida e somada com as promessas da ocasião.
São horas de termos uma liderança que assuma nossa direção política. Temos imprensa. Não temos é a tinta da coragem de exigir nossos direitos, ou de cobrar os deveres dos que elegemos. Até quando?
Demos um basta nesse abuso, pois nunca falta o que prometer e nunca falta mentiroso.
Escrito por Assis Ferreira às 18h19
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Somando descaso e omissão
Vale dizer: o Brasil é o país onde o discurso toma o lugar da prática, a mentira toma o lugar da verdade, e a fantasia toma o lugar da realidade. Para mentirem por ele, o Governo Federal poderá gastar este ano um bilhão e cem milhões de reais.
Ouvi no rádio que faleceu anteontem em São Paulo, “aos 90 anos”, Dona Guidinha (Margarida Pereira Lima), nossa “parteira diplomada”, que saiu daqui “há trinta anos”, ex-viúva do C.el PM Antônio Pereira da Silva, falecido em nosso anedotário.
As mútuas acusações de candidatos fizeram do monótono horário eleitoral gratuito um horário insuportável. O fato é que quem não tinha dinheiro para pouco ora tem dinheiro para muito. “Por que o caminho dos maus prospera e tudo vai bem para os que sabem enganar?” ainda perguntaria Jeremias (Jr 12,1).
Ainda perguntaria Jeremias — 22.09.04
Dia 20, os senadores não pouparam críticas ao presidente Lula e ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Razão: um mente e acoberta crimes, e outro não diz a verdade e coonesta prática ilegal. Resultado: um deve perder o mandato, e outro deve ser exonerado do cargo, ou dele pedir demissão, para brio da Justiça. Plenário quase vazio. Um dos oradores disse que nem os defensores do Governo estavam presentes, com vergonha do Governo. A quebra do sigilo bancário de Francenildo, agora aventureiro na Justiça pedindo 21,7 milhões de reais de indenização moral pela quebra do sigilo bancário, foi lembrada como causa da queda do ministro da Fazenda, Antonio Palloci Filho, e já é base para a demissão do atual ministro Márcio Thomaz Bastos. Falou-se em iminente privatização do Banco do Brasil. O presidente que, quando candidato ao cargo, prometia fazer um governo moralizatudo está fazendo um governo moralizanada; ministros perderam a seriedade e viraram minímistros.
Hoje (21), à tarde, fui à Rua de Rui Barbosa ver a lombada matadora de gente. Depois de dois mortos e três quebrados, a lástima municipal chamada Demutran pôs um cavalete de ferro com aviso de perigo em cada lado antecedente do obstáculo. Por que não desfez a lombada?
Na Rua de Santa Clara com a Rua de Carlos Gomes, foi, não foi, há um abalroamento, porque a palavra pare pintada no asfalto está apagada, e a placa pare, no poste, está encoberta por ramos de planta.
Continuam sem guarda os estrangulamentos de trânsito.
E assim a Prefeitura vai somando descaso e omissão.
Escrito por Assis Ferreira às 19h55
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Você não a deve comprar
Estamos há dias sem chuva e parece que a seca voltou. A lavoura já está murchando. Sem chuvas, seria bom tomar as obras no Horto. Inclusive, fazer urbanização, para retirar de lá o fedor de urina — e de podre, quando chove. Mas Tasso Jereissati parece que não deu dinheiro nenhum para isso. Como eu previ aqui. Sem a esmola do Estado, a Prefeitura nada fará no Horto. Continuarão lá o fedor, os barracos de papelão, os pedintes, os guardadores de carro, que, ontem (21.02.02), cercaram uns visitantes, que não desceram do carro, desceram do Horto.
A desorganização no Horto é para ninguém querer mais! Pobre, é verdade que a cidade é. Mas pobreza é a regra. Agora, pobre relaxado é falta de vergonha, como os mais velhos diziam. Tinham razão: o Horto, de muito tempo a esta parte, só nos dá vergonha. Parece que quanto mais feio, quanto mais sujo, quanto mais fedorento, quanto mais cheio de mendigos, de cantadores de benditos, de pastoradores de carro, de buracos, melhor.
Era mulherengo — 22.02.02
Hoje, terça-feira, 18, fui à livraria católica Angelus, na Rua do Cruzeiro, 356. Há tempos, quero comprar medalha com a figura do Padre Cícero. Não a encontro que me agrade. Lá, vi uma, mais ou menos trabalhada. Estava para comprá-la, quando tive a curiosidade de ver a outra face, que reproduz fotografia do nosso querido falecido Monsenhor Murilo.
Então entendi que temos cá alguém que não é amigo de Juazeiro do Norte, não ama o Padre Cícero, nem gosta do bispo diocesano, Dom Fernando Panico, pois mandou cunhar a medalha, não duvido que com o intuito de ganhar algum dinheiro com a morte do monsenhor.
Não é amigo de Juazeiro do Norte: quando se cunhou a medalha do Padre Cícero no verso da face de Nossa Senhora das Dores... Agora, Mons. Murilo, falecido em dezembro, já andar em medalha no verso do Padre Cícero... Que terra é Juazeiro do Norte?
Não ama o Padre Cícero: o Padre Cícero vem sendo estudado e estudado. Estão sendo vencidas uma a uma as dificuldades eclesiásticas. Quando se está prestes a levar o caso Padre Cícero ao Papa, vem um espertalhão e apronta contra os interesses da religião católica.
Nem gosta do bispo diocesano, Dom Fernando Panico: este carismático bispo é mais juazeirense do que eu, que sou nascido aqui. Amigo do Padre Cícero. Amigo de Juazeiro. Com unhas e dentes busca estabelecer a verdade sobre o virtuoso Padre Cícero. Aí, o mercantilismo de alguém aumenta ao bispo as dificuldades próprias da matéria e do ofício: se proibir a medalha, cunham-na mais; se calar, será tido por omisso.
Não comprei a medalha. Você não a deve comprar.
Escrito por Assis Ferreira às 18h53
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É assim de gente — 17.04.06
Muitos romeiros para a missa de amanhã às seis horas pela alma do Padre Cícero. Dom Fernando Panico vem celebrar a missa, com outros padres.
O Bispo parece ter muita simpatia ao Padre Cícero. Nisto se diferencia dos predecessores, que pouco, quase nada pisavam cá.
A virtude, a bondade atrai como a luz atrai a borboleta. E como a luz, brilha e alumia o caminho de quem nele deseja andar.
Durmam todos em paz.
Levem a invenção de Padre Murilo para saudar a paz, o lenço branco.
Amanhã nós nos veremos na missa.
Amanhã nós nos veremos na missa – 19.07.02 (II)
Em http://juaonline.info (16.04.06), vi a fotografia nítida de cada um dos irmãos José Almeida, falecido em 10.01.1995, e Otacílio Almeida falecido em 05.02.1995. Tinham eles em Juazeiro do Norte as salas Cine Eldorado e Cine Capitólio.
Na Rua de São Pedro, principalmente, eram postas tabuletas com o nome do cine, os horários das exibições (normalmente, 18h30 e 20h30), o nome do filme em exibição, os nomes dos atores principais, se era fita colorida, em cinemascope. Às vezes, anunciava-se: “Em breve: ...”
Naquelas noites, também na Rua de São Pedro, próximo do cruzamento com a de São João (atual Alencar Peixoto), em pequenas bancas de pouca altura, forradas com pano alvo, candeeiros acesos, mulheres vendiam rosário de imburana-de-cheiro, cocada preta, tapioca de coco, bolo de milho e de massa (de mandioca) puba, chapéu-de-couro, rolete de cana, amendoim torrado. Ao lado, um pequeno pote d’água dormida, friinha.
Salvador tem suas quituteiras de acarajé. Em toda parte há banca de cachorro-quente, de batata frita. Nós perdemos nossas doceiras. Por quê?
Não sei a razão de aquelas bancas ainda não existirem. O progresso não era para ter força de matar essa tradição, porque menino nunca deixou de ser menino. Ainda temos o doce de Madailton, na Rua de Santa Luzia, onde adultos e crianças comem doce e bebem água de pote de barro em caneco de alumínio. A doçaria de Madailton é uma tradição mais recente. Está resistindo ao tempo. As moças servem com gentileza. A freqüência é boa: é assim de gente.
Escrito por Assis Ferreira às 07h08
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Aviso
Em 16.04.06, voltei a publicar o blog: o espaço estava suficiente.
Assis Ferreira.
Escrito por Assis Ferreira às 13h44
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O tempo come os filhos
Juazeiro 2000 (jornal da Prefeitura) traz umas notícias boas: construção do mercado do peixe, no Mercado do Pirajá, e construção de outros pontos de venda de peixe; cadastro físico da situação das escolas municipais; aterro sanitário (faca de dois gumes, pois será um hospedeiro de moscas e germes nocivos à saúde e, talvez, um grande poluidor ambiental); indumentária para os grupos folclóricos (distribuição gratuita?), escola de arte no CAIC do Mutirão. Parece que, a gora, vai: havendo projetos, impende ao Prefeito descobrir os homens que os realizem, porque há os que estão na Prefeitura apenas para comer o deles, com o que prejudicam a administração.
Qualquer dia desses, subo ao Horto. Vou olhar obras sociais da Paróquia de Nossa Senhora das Dores. Em fevereiro, eu disse ao Padre Murilo que ia lá. Não cumpri a promessa. Mas vou, se Deus quiser. Vou e digo o que vi.
Vou e digo o que vi — 26.06.97
Abri Vieira e andei lendo o Sermão de São Pedro, pregado em Lisboa em 1644. Refere-se o Padre Antônio Vieira àquela parte do Evangelho de São Mateus em que este informa que, em Cesaréia de Filipe, Jesus mandou aos apóstolos que fossem ao povo e perguntassem quem diziam ser ele. Voltaram os apóstolos e disseram a Jesus que havia quem o julgava João Batista, Elias, Jeremias, ou algum dos profetas antigos. Diz o padre, com autoridade em Santo Ambrósio, que São Pedro ficou calado, porém, quando Jesus perguntou quem os apóstolos diziam ser ele, então Pedro respondeu, e os demais ficaram calados, porque só Pedro sabia quem era Jesus (Mt 16, 13-16). Entende que São Pedro respondeu por todos os apóstolos, embora a pergunta tenha sido a todos eles. E explica: quando um paralítico pediu cura a Pedro, Pedro disse “Olhe para nós” e não “Olhe para mim”. Nós: Pedro e os demais apóstolos. (Sermão de São Pedro, III.)
Parabéns a ambos, ao Banco do Nordeste do Brasil, — BNB, — pelo seu Centro Cultural Banco do Nordeste do Cariri, em Juazeiro do Norte, e ao Cariri. Está comigo a Agenda Cultural — a programação diária deste mês. Faz-se uma experiência, uma Programação Experimental. O público deve corresponder ao resultado esperado pelo Centro. Tomara.
Há muito não vejo Cesínio Luiz de Brito, durante anos bem-sucedido representante comercial nesta praça, antigo colega de Centro Estudantal Juazeirense, nos tempos dos meus discursos nos domingos numa sala-sede alugada ao CEJ na Rua da Conceição. Eu tinha um fã — Carlos Salatiel de Alencar, pai de Francisco Salatiel de Alencar Barbosa, doutor em Antropologia e consultor governamental, que esteve conosco no III Simpósio Internacional Sobre o Padre Cícero. O tempo come os filhos.
Escrito por Assis Ferreira às 13h42
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Ao leitor:
Deixo de escrever o BLOG em vista de o limite de caracteres permitidos pelo UOL ser insuficiente para cada um dos meus textos.
Obrigado.
Assis Ferreira
Escrito por Assis Ferreira às 20h17
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É porque é (25.03.06)
É ridículo que a Igreja pareça não ligar importância à realidade romarias — Padre Cícero, como se nada soubesse dos fatos.
Claro, a Igreja tem lá suas razões. Diz-se que uma delas é o Padre Cícero ter sido uma figura controvertida.
Controvertido por quê? Exatamente por ter tentado imitar Cristo no amor ao próximo. Prelados de então, por não o compreenderem, talvez se tenham sentido egoisticamente diminuídos em sua autoridade.
Viva o Santo Padre Cícero! Viva! 23.06.1995
Quatro discursos abriram o Terceiro Simpósio Internacional Sobre o Padre Cícero. O simpósio buscou principalmente responder à pergunta E quem É Ele? Oradores, pela ordem: Dr. Geraldo Menezes Barbosa (diretor do Memorial do Padre Cícero); Dr. André Herzog Cardoso (reitor da URCA); Dom Fernando Panico (bispo diocesano de Crato), e Dr. Lúcio Gonçalo de Alcântara (governador do Ceará).
Enquanto os oradores falaram dos méritos do Padre Cícero e das dificuldades em dizer com precisão quem foi o Padre Cícero, homem de carisma fenomenal e provadas virtudes cristãs, fundador da cidade de Juazeiro do Norte, evangelizador, conselheiro, amigo, acolhedor, caridoso, patriarca, profeta, pacificador, fiel a Deus, fiel à Igreja de Cristo, devoto da Mãe de Deus sob a invocação de Senhora das Dores, paciente, manso e humilde, — enquanto isto, Dom Fernando Panico, pastor da Igreja particular do Cariri, insistiu e persistiu em que os estudiosos procurassem responder à pergunta E Quem É Ele? Sim: quem é o Padre Cícero, afinal?
Dom Fernando pediu a verdade, ainda não revelada pela ciência, porém há mais de um século percebida pela simplicidade dos romeiros, que a despeito de todas as dificuldades materiais, há mais de setenta anos atendem fielmente ao pedido do Padre Cícero de vir a Juazeiro do Norte visitar a Mãe das Dores e realimentar a fé na Terra dos Milagres: Deus prefere os simples: “’Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado’” (Mt 11,25; Lc 10,21).
Indagou o bispo: “Verdade... Mas o que é a verdade se, muitos anos atrás, exatamente 110 anos atrás, em 1894, a Igreja condenou os fatos acontecidos em Juazeiro como fenômenos vãos e supersticiosos?” Não quedou o bispo em pedir a verdade. Ele mesmo tomou a iniciativa de constituir uma comissão de estudiosos que vêm cuidando de estabelecê-la conforme as ciências formais. Não quer o bispo a verdade que lhe agrada e não é. Quer a verdade que é porque é.
Escrito por Assis Ferreira às 09h16
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Reconhece, aceita e venera
Aconteceu hoje de eu ir comprar envelopes e tirar fotocópias de textos sobre escândalos denunciados contra desembargadores de justiça e o homem da fotocopiadora perguntar se era escândalo contra a Prefeitura daqui. Respondi que não, porque o prefeito estava morto.
Estava lá um homem de uns quarenta anos, bem-apessoado, o qual me interpelou com um chato “como assim”. Tive de explicar que me referi à administração do Município, ao que ele retorquiu que mortos estávamos na administração passada, porque a de agora está fazendo muito.
E como!
A opinião de quantos estão “comendo uma coisinha” é essa mesma: “O home tá trabalhando, não se pode negar!” A Prefeitura como que paga a uns para o leve ofício de dizer “o home tá trabalhando”. Digo assim, porque nenhum desses homens é cego, nem doido. Pelo menos, dos que eu já ouvi de viva voz. Então, concluo que tais pessoas substituíram a razão pelo tostão.
É dar munição ao inimigo — 09.05.2002
Noite de 23. Estive no Memorial do Padre Cícero para o lançamento do livro dos anais do III Simpósio Internacional Sobre o Padre Cícero, cujo tema foi a pergunta “E... Quem é Ele?” O Simpósio foi realizado de 18 a 22 de julho de 2004. Memorial lotado.
O livro, de 286 páginas, é lindo de capa e muito bem-acabado. Obra de duas mãos — Urca (Universidade Regional do Cariri) e Diocese de Crato, impressão por conta do Banco do Nordeste do Brasil.
A apresentação da peça Quinze minutos com o Padre Cícero, de Dr. Geraldo Menezes Barbosa, recebeu merecidos aplausos, máxime porque diz o autor que se trata de fato real, que eu desconheço.
O Memorial esvaziou, quando o assunto deixou de ser Padre Cícero.
Em casa, abri o livro e li na página 223 a firme resposta do Padre Cícero a Monsenhor Alexandrino sobre o fenômeno do sangue nas hóstias na capela de Juazeiro: “Para curvar-me à S.Tomas, seria preciso que ele provasse primeiro que Deus é impotente para fazer aparecer o seu próprio sangue como no Juazeiro...”
Referia-se o Padre Cícero aos panos que enxugaram o sangue que verteu da boca da Beata Maria de Araújo, sangue proveniente de hóstias dadas em comunhão à beata, panos que ele queria guardados com o devido respeito, cuidado e segurança, por terem enxugado o sangue de Cristo.
Que padre é o que falecido há 72 anos continua vivo? A ciência não sabe, mas o povo o reconhece, aceita e venera.
Escrito por Assis Ferreira às 09h15
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Suprema vergonha
A missa de ontem (30.12.01) foi dedicada à família. Eu diria que foi a missa da humildade na família. Porque a humildade abrange todos os deveres e todas as virtudes mencionados nas duas leituras (Eclesiástico 3,3-7, 14-17a e Colossenses 3,12-21) e no Evangelho (Mt 2,13-15. 19-23): o desprendimento entre os esposos; o respeito entre os esposos; a fidelidade entre os esposos; o respeito dos pais aos filhos; o respeito e o amor dos filhos aos pais; o amor redobrado dos filhos aos pais, quando estes se tornam inválidos ou estão senis, pois são ainda mais carentes da solidariedade.
Eu já disse neste jornal, com exagero de síntese, que sem Caridade não veremos nem a cor da porta do céu, fechada para os que nesta vida ignoraram o amor a Deus e o amor ao próximo.
“Todo homem quer ser rei e todo rei quer ser Deus”, ouvi de Padre Murilo na homilia. É difícil ser rei. É impossível ser Deus, concluiu o padre, com outras palavras.
Família feliz, mundo feliz — 31.12.2001
Uma chuvinha amostra-grátis no dia de São José (19). Todavia, o calor está cedendo. Se as chuvas continuarem... Que trovões fortes e que relâmpagos perigosos esses das chuvas!
Renato Casimiro mandou-me como anexo de correio eletrônico as informações biográficas dos três homenageados pela AFAJ — Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro do Norte neste ano de 2006: Samuel Wagner Marques de Almeida (tenente-aviador), Walter de Menezes Barbosa (professor) e Francisco Murilo de Sá Barreto (monsenhor).
Renato comove-nos com a descrição do corpo de monsenhor Murilo morto e a ser transportado do Hospital pela funerária, que tomou o serviço de preparar o corpo para o transporte para Juazeiro do Norte: é uma fotografia. Para Renato, amigo íntimo do falecido, a cena há de ter-lhe sido muito dolorosa. A mim, que não tive intimidade com o morto além da de visitá-lo e ter com ele minutos de conversa, a cena tocou fundo.
Francenildo dos Santos Costa, que depôs na CPI do “Mensalão” contra Antônio Palocci Filho, hoje ministro da Fazenda, de quem foi caseiro, ter o sigilo bancário quebrado pela Caixa Econômica Federal por ato próprio da Caixa é outra vergonha para o governo do senhor Lula.
O Supremo Tribunal Federal tem sido reprovado pelo povo nas concessões de liminares pedidas por políticos e ricos. Concedeu liminar até para impedir que Francenildo (24 anos) continuasse a dizer a verdade do que sabe e lhe for perguntado pela CPI sobre Palocci/Mensalão.
Suprema corte , suprema vergonha.
Escrito por Assis Ferreira às 08h41
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Sempre apresam rolinha
Ontem, no Círculo Operário São José, no encerramento do tríduo de palestras sobre o Padre Cícero, um vereador de Fortaleza, que veio com a mulher pagar promessa ao Padre Cícero, declarou que telefonou para os hotéis daqui e todos estavam lotados de hóspedes para a missa do dia 20. A promessa: durante três anos seguidos, ficarão vindo, todo dia 20, participar da missa pela alma do Padre Cícero. “Se tiver vaga em hotel, bem; se não tiver, dormimos dentro do carro.”
Hoje, dia 20 de julho de 2003, parentes de minha mulher, vindos de Alagoas, me pediram para os levar ao Horto. Fomos. Lá, encontramos vinte e cinco ônibus no estacionamento, mais de quarenta carros de passeio e milhares de pessoas visitando o monumento, incomodadas pelo esqueleto das obras paradas. Que vergonha!
Todo cuidado é pouco — 20.07.2003
A Prefeitura (Assessoria de Imprensa) diz que foram retomadas as obras da ponte do Salgadinho — Horto: “a ligação da Avenida Leandro Bezerra com o leito da ponte está sendo feita, através do aterro e da pavimentação”, pois no dia 24, “muitos romeiros deverão estar em Juazeiro para participar das festividades pelos 162 anos de nascimento do Padre Cícero”.
Ora, em ritmo normal a Prefeitura não tem feito nada que preste, imagine com tal açodamento. Vão ser uma m.... as tais obras. Esperem só: o sintoma mais confiável no diagnóstico do remedeio é a pressa de fazer em poucos dias o que não se fez em anos. Ainda bem que a estação de esgoto da Cagece está no caminho mais abaixo, a nascente da ponte.
Quando eu digo nas crônicas que não levamos as coisas a sério, não há quem me contrarie, porque estou dizendo a verdade, que pode ser vista nas obras públicas, nas ruas, nos cemitérios, nos mercados.
Costumo advertir para que se tenha cuidado e muito cuidado com o que fazemos. Dia 3, na crônica Edição requentada, eu disse que receava não passarem disto as comemorações do aniversário do Padre Cícero, no dia 24, para as quais foi criada a Semana do Padre Cícero, que está no vigésimo quarto ano.
O calendário das comemorações foi impresso em folha bem grande: um Padre Cícero dentro de um oratório de madeira; nas laterais da foto, os dias, as horas e os eventos respectivos. Feiúra chegou ali e parou.
No Banco do Brasil, alguém me perguntou se vi o convite que se está distribuindo no centro do comércio, no qual se diz que o Padre Cícero é o fundador de Juazeiro do Norte e seu padroeiro. Não vi o convite, mas não duvido que existe: os oportunistas são como ave de rapina: adejam dia e noite sobre a prefeitura e sempre apresam rolinha.
Escrito por Assis Ferreira às 07h06
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À luta!
Ora, uma cidade em que a população deixa tudo à vontade dos políticos, sem efetivamente deles exigir o cumprimento do mandato em favor da comunidade, como prometido em campanha e como é inerente ao cargo, só tem um futuro, que é futuro nenhum. E isto é tudo que os maus políticos querem, porque nas barganhas políticas tiram o máximo proveito pessoal do cargo, sem incômodo nenhum.
Já vimos pagando os serviços — 04.01.2003
E Quem É Ele? foi o título do Terceiro Simpósio Internacional Sobre o Padre Cícero, evento que terá suas palestras reunidas em livro, que a URCA — Universidade Regional do Cariri fez imprimir e lançará no dia 23, na semana de festejos do aniversário do Padre Cícero, dia 24, segundo informa a Assessoria de Imprensa da URCA. No ato, será prestada homenagem ao falecido Mons. Murilo, que colaborou para o simpósio. Ótimo.
Dia 15, deram-se explicações sobre os motivos de a Cagece querer cobrar a exorbitante taxa de esgoto.
Não faltaram razões técnicas à Cagece para justificar a “taxa”. Infelizmente não se perguntou ao doutor por que a Cagece ficou esse tempo todo na concessão, pelo que se ouviu, tendo prejuízo.
Que se pague a taxa de esgoto, tudo bem. Mas que se preste um bom serviço e se tenha um critério justo de estabelecer o valor a ser cobrado, para que a Cagece não se locuplete empobrecendo-nos mais.
Telefonou-se do Comitê Juazeirense de Luta e Cidadania — CJLC à rádio e deram-se os nomes dos quatro vereadores que foram a Fortaleza para solução do problema que a Câmara e a Prefeitura criaram para si mesmas e contra nós.
Pelo Decreto Legislativo n.° 116/2006, de 10.03.2006, “Fica sustado os efeitos jurídicos da Lei Municipal n° 2.986, de 19 de dezembro de 2005, que alterou a Lei Municipal 1.724, de 08 de abril de 1.992” (sic).
Ontem um carro de som andou na cidade chamando a população a uma reunião pública, pois a Cagece vai cobrar.
Já querem meter o Decom na briga.
Diz o conto Nem sempre vence o forte, de autor de cujo nome não me lembro, que um elefante matava as formigas com as patas. Durante a noite, todas do formigueiro cavaram um fosso subterrâneo, no qual o elefante caiu e morreu. Pois digo que nem sempre perdem os fracos.
À luta!
Escrito por Assis Ferreira às 06h11
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Dessemelhança
Nas campanhas eleitorais, cada candidato é um herói de olhos esbugalhados para verem defeitos na administração corrente e berra aos quatro ventos que basta de corrupção, basta de incompetência, basta de nepotismo, basta...
Foram promessas de campanhas eleitorais de candidatos a prefeito e mesmo de prefeitos: uma fábrica de leite; uma fábrica de asfalto; uma avenida perimetral; um camelódromo; dois viadutos; a conclusão do Parque Ecológico; a conclusão do Centro de Apoio aos Romeiros; o alargamento da Rua do Horto; a “revitalização do Horto”; melhoramentos no aeroporto; instituto médico-legal; “asfaltamento de todas as ruas”; conjuntos habitacionais; misteriosa “geração de emprego e renda” (gerar de quê nunca se disse); incentivo aos artesãos e aos microempresários.
O pior é que um homem desses ganha a eleição e, no mandato, não diz a que veio: é uma galinha, como se diz.
Tenhamos jeito — 07.01.2002
Do caro amigo Renato Casimiro veio-me o bem-feito convite mandado imprimir pelo Centro Cultural Banco do Nordeste — Fortaleza para a palestra de Renato no Centro sobre Inocêncio da Costa Nick, — Mestre Noza, — imaginário que morava próximo à casa de papai, na antiga Rua de Santo Antônio, atual Rua do Padre Pedro Ribeiro. A face do convite é a reprodução de uma foto de Mestre Noza sentado em cadeira de braços e encosto, perna esquerda sobre a perna direita, descalço, e fazendo uma estatueta do Padre Cícero de um pedaço de imburana-de-cheiro. Muito boa foto.
De 1956 a 1960, estudando eu nos salesianos, costumava sentar-me na calçada oposta à nossa, à tarde, para aprender as lições. Invariavelmente, entre 17h e 17h30min, lá vinha Mestre Noza, alto e sem muitas carnes, lanterna na mão e capote no braço. Na cinta, à direita, uma pistola. Demandava o quartel da Polícia Militar. Era qualquer coisa lá. Não sei se ele chegava ao quartel ainda na tarde-noite ou tarde da noite, embora a distância fosse de trezentos metros, ou pouco mais. Nunca lhe vi pressa, nem no trabalho, nem no andar. Era tardo até no falar.
No convite, diz Renato que Mestre Noza ao levar ao Padre Cícero a primeira estátua que fez do capelão, ouviu esta pergunta: “Menino, eu já tenho essa corcunda assim?”
Corcundas foram todas as estátuas do Padre Cícero esculpidas por Mestre Noza, vistas por mim. A semelhança com o padre era nenhuma. Porém os entendidos em escultura apreciam as peças de Mestre Noza. Há de ser pela rusticidade e não pela dessemelhança.
Escrito por Assis Ferreira às 07h04
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Sem apoio quase absoluto
O que eu admiro nos políticos é a arte com que transformam fantasia em realidade. A facilidade com que prometem e enganam. Nos desonestos é ser tão grande a convicção com que se dizem honestos, que eles mesmos findam convencendo-se da mentira que estão dizendo. Enganam-se a si mesmos.
Enganam-se a si mesmos — 06.02.05
Quatro fatos do dia 13.
Um. As irmãs Cícera e Romana estiveram na Rádio Progresso, agora com maior potência e muita elogiada por Dr. Geraldo Menezes Barbosa. As senhoras são encarregadas do bolo com 60m de comprimento para o aniversário do Padre Cícero, dia 24. Afirmaram que este ano a festa vai ser de lascar de boa. Ou de bolo? Se a festa for do tamanho do amor dessas irmãs ao nosso querido Padre Cícero, será festança.
Dois. De Paulo Queiroz, professor universitário e procurador regional da República em Brasília, segundo li no clipping ANABB: “Uma reforma política que não seja simples estratégia para manter as coisas como estão, criando falsa impressão de mudança e perpetuando privilégios por meio de concessões meramente paliativas ou simbólicas, deve começar pela extinção pura e simples do Senado Federal. Há muito cessaram as razões históricas que supostamente o justificariam.” Demonstra que a Câmara Federal sozinha vale pelas duas casas atuais.
Três. Estive na prefeitura para pagar o Imposto sobre Serviços devido por Lucas, que viajou com a mãe a Fortaleza (sexta-feira, 10), de onde seguirão (14), ele a São Paulo e São Carlos, ela a São Paulo e para São Carlos, onde André estuda. Um contribuinte estava lá há coisa de uma hora esperando para fazer um pagamento. Desabafou: “Quem vota não passa de besta!” (O emperro do serviço público é geral: em Fortaleza, um amigo meu quer pagar o IPTU para escriturar um apartamento comprado por ele. A Prefeitura só despachará o pedido cerca de dez dias depois. Ele está lá, doido de raiva.)
Quatro. A chuvinha durou pouco tempo. Não foi molhadeira. Todavia, se todo dia chovesse pelo menos assim, teríamos colheita.
Alguém me tem dito que a informação pública em Juazeiro do Norte funciona à base do eu te elogio, tu me elogias.
Esgotada a esperança nas iniciativas dos homens públicos por Juazeiro do Norte, era de se esperar que a imprensa procurasse arrancar a população da indiferença à política, porém a única voz que temos é a do nanico Folha da Manhã, sem apoio quase absoluto.
Escrito por Assis Ferreira às 05h25
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Em agonia
Das eleições municipais de outubro do ano passado para cá, venho-me perguntando se vale a pena votar. Quando em campanha, cada candidato é mais humano do que o outro. É todo preocupação com a pobreza, o desemprego, a necessidade de moradia, de assistência à saúde, de escola. Tudo isso ele escreve no quadro das promessas com o giz da esperança. Eleito, põe sobre a escrita o pano do esquecimento, que na próxima campanha será descerrado para renovação das promessas ao eleitor, sem o político ter mais o trabalho de reescrevê-las, apenas acrescentando-lhes alguma promessa nova, gerada pela esperteza do cinismo.
Esperteza do cinismo — 17.02.05
O Santuário do Sagrado Coração de Jesus (salesianos) agora tem ventiladores, que amenizarão o calor que nos faz pingar de suor. Muito bem.
A iluminação do cruzeiro do pico da torre do Santuário de São Francisco das Chagas (franciscanos menores) foi reativada. É gostoso vê-lo à noite.
Entristece, porém, que não seja iluminado o cruzeiro do “romeiro maior de todos, todo vestido de branco”, como ouvi o falecido Monsenhor Murilo dizer do Luzeiro indicando-o aos romeiros.
Se o senhor prefeito municipal quiser fazer alguma coisa para alegrar a noite de Juazeiro do Norte, fale com o arquiteto do Luzeiro para ele instalar lâmpadas que permitam divisar o cruzeiro à noite.
Se quiser melhorar um tantinho assim a cidade, reconstrua o leito da Rua do Padre Cícero e da Rua de São Paulo; deixe de gastar dinheiro com esse calçamento de pedras quebradas e acomodadas em areia, pois é transferir dinheiro do povo para o bolso do particular. Todo mundo é “construtor” de calçamento; conclua as obras da ponte do Salgadinho na Avenida Leandro Bezerra.
Pise o chão firme da realidade: é melhor fazer pouco, porém bem-feito, do que prometer muito e fazer nada, ou prometer muito e fazer pouco e malfeito. Cadê o há anos prometido Centro de Apoio ao Romeiro, obras cujo recomeço foi prometido para esta segunda-feira? Cadê as Obras Estruturantes, faz anos prometidas? Cadê a Praça dos Romeiros, há anos prometida? Cadê o anel viário, há poucos meses prometido? Quando vem o trem, outro dia prometido? Começaram as melhoras na Rua do Horto prometidas outro dia? Cadê o instituto médico-legal prometido há anos? Cadê o aeroporto prometido antes e prometido agora?
Sugiro à Prefeitura e à Câmara Municipal que instituam um lembrador público das promessas feitas ao povo. Pelo menos para não prometerem o já prometido.
Procuremos um líder para as nossas causas políticas. Ou peguemos pá e enxada e cavemos a sepultura de Juazeiro do Norte, em agonia.
Escrito por Assis Ferreira às 10h14
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O cão em figura de gente
Temos de modernizar Juazeiro do Norte, ou fechá-la de uma vez, para ela não atrapalhar Barbalha e Crato. Juazeiro do Norte não pode continuar a mesma, entra ano, sai ano, tudo por causa de maus prefeitos, de maus vereadores e de maus deputados que temos tido. Há anos espero que os clubes de serviço, as entidades de classe e os "líderes" criem coragem para reivindicar aos poderes constituídos e à nossa representação política. A Prefeitura e a Câmara Municipal têm de ser fiscalizadas. Ficam à vontade. Os desmandos têm de ser denunciados publicamente. Calamos. As promessas têm de ser cumpridas. Não as cobramos. Nossa omissão como eleitor e membro da comunidade tem sido ótimo para os políticos oportunistas. Eles ficam ricos, nós ficamos pobres. Eles ficam com o chicote, nós ficamos com as pancadas. Eles roubam, e nós somos o ladrão.
Nós somos o ladrão — 01.01.2004
A passeata de 10.03.06 contra a malsinada cobrança de taxa de esgoto no mesmo valor da água fornecida no mês pela Cagece deixou três lições.
A primeira. Mostrou que a população está indignada com a Prefeitura e a Câmara Municipal, não se sabendo qual dos dois poderes é mais nocivo aos interesses do povo.
A segunda. O povo só se mexe quando lhe metem as duas mãos no bolso. Enquanto apenas uma mão, ainda que pesada, o algodãozinho do bolso, apesar de já puído, vai-se rompendo lentamente.
A terceira. A falta de ponderação dos legisladores é uma desgraça pública. Tão grande, que ricocheteia neles próprios, moralmente.
No dia 19 deste março, data que antecede as comemorações (de 20 a 24) da Semana do Padre Cícero, em memória do seu nascimento, o prefeito Raimundo Antônio de Macêdo (Raimundão), dar-nos-á um presente de grego: subirá em 66% a alíquota dos impostos municipais: a UFIRM (Unidade Fiscal de Referência do Município), moeda da Prefeitura, passará de R$ 1,20 para R$ 2,00.
O Diabo é quem sabe onde a Prefeitura e a Câmara Municipal acharam razão para o aumento.
Não haverá um movimento contra o exagero dos impostos porque o atraso no pagamento do IPTU, que abrange toda a população, só gera efeito contra o contribuinte muito depois.
Obrigado, doutor prefeito. Meta-nos as esporas, pois, não sendo nós cavalos, não passamos de bestas, que votaram no senhor.
O aumento não será de 666% para que não se diga que o nosso prefeito é o cão em figura de gente.
Escrito por Assis Ferreira às 19h30
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Dizem os latrinos
Quanto a nós eleitores, ninguém espere que Deus, porque pode fazer, fique fazendo por prefeito, por vereador, por deputado, por governador: Deus tem o que fazer, até no sábado: “Meu Pai trabalha sempre, e eu também trabalho” (Jo 5,17). Diferentemente de certas pessoas, que se fadigam no afã de tirar o maior proveito do menor esforço.
Juazeiro do Norte, de uns vinte anos a esta data, vem sendo uma cidade onde a população cresce e o desemprego aumenta. Repito o que já repeti algumas vezes: somos uma cidade grande mas não uma grande cidade. Somos uma cidade com ascite, barriga-d’água que lhe deram certos políticos, mestres em oportunismo.
Nenhum diz o motivo de querer — 08.04.2003
Eu já disse nestas crônicas que a exação ou a cobrança exagerada de impostos tem sido motivo de ruína de governantes, desde que o mundo é mundo. A população suporta o jugo do governo até a capacidade da caldeira. Quando a medida enche, a pressão do vapor na caldeira a explode.
Em Juazeiro do Norte, pagamos uma taxa de escuridão pública cujo porcentual é difícil de calcular, além de exorbitante. Era pouco. Vem agora a Cagece e ressuscita a cobrança de taxa de esgoto, sem critério justo: imaginou que quem consome tantos metros cúbicos de água por mês, no valor de tantos reais, tem de pagar este valor como taxa de coleta de esgoto. Duplica a receita. Dobra nossa pobreza.
Como o fez? Fê-lo autorizada pela Prefeitura e a Câmara Municipal ou Câmara de Vereadores. Aqui é assim: a Prefeitura mata, a Câmara esfola.
A Mensagem n.° 54/2005, de 13.12.05, da Prefeitura à Câmara, é uma prova de que a Prefeitura não se preocupou com a defesa da população: pediu à Câmara Municipal um absurdo, e a Câmara Municipal atendeu ao pedido. A população está ferida, não sei se da queda, não sei se do coice.
Para amanhã (10.03.06), promete-se uma passeata, às 16h, promovida pelo Comitê Juazeirense de Luta e Cidadania (CJLC). Alguém me trouxe, agora à noite desta quinta-feira (9), o panfleto-convite à passeata, no qual se diz que “Não queremos políticos e partidos se utilizando do movimento do povo para fazer palanque em ano de campanha eleitoral”.
Um coisa é certa: a Prefeitura, a Câmara Municipal e a Cagece abriram oportunidade a aventureiros em política.
“Se queres, podes”, diziam os latinos. Hoje, como se trata de esgoto sanitário, queres, mas não podes, dizem os latrinos.
Escrito por Assis Ferreira às 20h43
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Vão buscvar votos no inferno (070306)
A ciência tirou de São José o mérito de fazer chover no Ceará no dia 19 de março. E o comércio, em parte, está esquecendo de homenagear o santo no seu dia. O Banco do Brasil pendurou na porta o aviso de o dia 19 ser feriado, mas veio a funcionar. À tarde, indo à missa das 16:00 horas no Socorro, vi que metade das casas de comércio estavam abertas. Viva o dinheiro!
Fala-se da construção do instituto médico-legal nesta cidade. Eu já manifestei o meu receio de que a obra venha a ser uma “obra”, se não for feita com critério técnico, que permita o funcionamento satisfatório e se não se mantiver verba para este funcionamento.
A justiça ficará arranchada — 20.03.97
Ao despedir-se de mim, Eduardo Fernandes, estudante de Agronomia na UFPB, Campus de Areia, disse-me que na Paraíba a Saelpa, fornecedora de energia elétrica, cobra entre R$ 0,29 e R$ 0,33 pelo kWh, enquanto a Coelce, fornecedora de energia elétrica no Ceará, cobra R$ 0,53. Campina Grande cobra iluminação pública no valor fixo de R$ 5,00 por casa, e as ruas e avenidas são bem iluminadas.
Eu digo a Eduardo que é uma felicidade a Coelce cobrar iluminação pública; infelicidade será quando ela cobrar escuridão pública, que é o que temos nas ruas. Aí, danou-se!
Chama-se Geraldo Alves de Sales o homem que teve a coragem de dizer, em Juazeiro do Norte on-line n.° 44, que Juazeiro do Norte é uma pilhéria, em termos de cidade de porte médio, referindo-se a Garanhuns: sem Nossa Senhora das Dores e o Padre Cícero, isso seria um tremendo buraco: não tem atração nenhuma; não tem político que a promova: “Os que visitam Juazeiro do Norte vão pela divulgação feita pelos que lá estiveram antes. Nunca os poderes constituídos investiram com vontade em infra-estrutura pensando nesses visitantes. Conversando com romeiros eles denunciam: o trânsito é terrível; a cidade é suja; as ruas são perigosas, acontecem muitos assaltos e furtos; os pedestres disputam lugar com os carros porque as calçadas foram privatizadas pelos camelôs; tudo é muito caro...”
Infelizmente, Graldo, suas palavras serão lidas por um restrito público de leitores. Outro infelizmente: não temos dez Geraldos na imprensa desta cidade. Não temos um, talvez: eita população de gente acomodada! Dá nojo!
O recado de Geraldo serve para nós eleitores: temos de criar uma consciência crítica, relativamente a Juazeiro do Norte: ou “os poderes constituídos” dão um jeito de cumprir o seu papel público, ou... Deus me perdoe a imprecação... ou vão buscar votos no inferno.
Escrito por Assis Ferreira às 08h01
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Compra a desgraça
Cada eleitor deveria examinar se o candidato à reeleição já conseguiu alguma coisa em benefício da cidade e se este benefício merece voto: quem nada fez, ou fez quase nada, não merece ser votado outra vez. Quanto aos novos candidatos, procurar saber como dirigem a vida: mau pai, mau marido, mau cidadão não será bom político. No caso de não conhecer o candidato, não votar nele. Agora do jeito que estamos votando, deixando-nos corromper com uma cesta básica, com vinte reais, nunca teremos quem se interesse na solução dos nossos problemas. Continuaremos pondo raposa para guardar galinheiro.
Agilidade de gato morto — 09.01.05(?)
Segunda-feira, 6. Ouvi na rádio uma senhora reclamar contra a cobrança de taxa de esgoto no mesmo valor cobrado pela água fornecida. É, de fato, um absurdo, uma falta de critério justo de cobrar.
Disse a senhora não ter dinheiro nem para comprar uma linha de madeira para substituir a linha que o cupim está destruindo, por isso o telhado da casa pode arrear sobre ela e os filhos, com os quais ela dorme na sala de visita. Já está endividada por empréstimos em dinheiro para pagar despesas de casa, de modo que não poderá pagar a taxa de esgoto.
O caso da senhora me lembra o que se lê no Antigo Testamento acerca da insistência dos israelitas para Samuel dar-lhes um rei. Inspirado por Deus, disse-lhes Samuel que o rei que lhe pediam será um rei tirano: mandará os filhos dos israelitas à guerra (fará deles soldados); pô-los-á para trabalhar na roça; transformá-los-á em ferreiros para fazerem armas e carros de guerra; tomará as melhores terras dos israelitas e a décima parte de tudo o que estes produzirem. O povo respondeu que nada importava. Queriam um rei (Sm 8, 10-17).
Alteremos três palavras dos versículos e vejamos no que dão. Troquemos israelitas por eleitores; escrevamos prefeito e vereadores por rei, e teimosia (queriam porque queriam um rei) por votar.
Temos ou não temos teimado (votado) em ter maus reis (prefeito, vereadores, governador, deputados e senadores)? Eleitos (ungidos pelo voto), tais homens se têm ou não se têm revelado déspotas? Têm-se ou não se têm servido dos cargos, em vez de servir no cargo? Têm-nos ou não nos têm empobrecido com impostos e taxas? Porventura eles não fazem festa e se empanturram de boa comida, enquanto nós passamos privações? Porventura não temos trabalhado para produzir riquezas com que eles pagam as contas das festas e das orgias do poder e acumulam para o futuro?
Quem vende o voto compra a desgraça.
Escrito por Assis Ferreira às 19h43
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Edição requentada
Para a modesta infra-estrutura de que dispomos, é deveras alvissareiro o número de pessoas que nos visitam.
A que atribuir-se a inexistência de infra-estrutura para turismo sistemático?
Dirão que à pobreza do Município. Direi que à cegueira das Administrações. Não particularizo nenhuma: todas fizeram e muito deixaram de fazer em qualidade, que é o que tem faltado a obras públicas.
Pequena grande cidade, 30.09.1976, do livro Crônicas.
Pequena grande cidade foi uma colaboração publicada no falecido jornal O Estado do Cariri, há trinta anos. Pelo menos há trinta anos, eu venha gritando sozinho contra a má administração pública de Juazeiro do Norte. Eis por que na crônica Robusta estupidez, de 02.03.06, eu disse que “Estou desvanecido de escrever pedindo por Juazeiro do Norte, como se ela fosse uma cidade de um só habitante”.
Trinta anos ainda não bastaram para que os políticos por esta cidade aprendessem a amá-la sobre os interesses individuais. Trinta anos ainda não bastaram para que os eleitores criassem juízo e deixassem de votar por ninharias. Trinta anos ainda não bastaram para que os administradores da cidade sejam de preferência seus filhos, e não passageiros que descem aqui do trem da aventura.
Atrasada cidade a que estamos quase entregando aos nossos filhos, os poucos que ficarem aqui, pois quase todos abandonarão a terra do seu nascimento.
Uma cidade com duzentos e tantos mil habitantes não ter um líder político com intenções de melhorar a cidade... Se tivemos quatro administrações municipais de filhos da terra, uma foi boa e três não prestaram. É por isto que os que descem do trem da aventura montam o cavalo do poder e nos conduzem ajoujados à mediocridade, acalentados por nossa indiferença com a cidade e o nosso próprio bem-estar. Ai de nós, os sem ânimo de defender os interesses da comunidade!
À noite de ontem, chamou-se o rabecão para o corpo de um rapaz que morava aqui perto, na Carlos Gomes, e prestava serviços aos Correios: foi encontrado asfixiado por saco de plástico envolto na cabeça, com os braços amarrados atrás do corpo e com perfurações de faca no tórax. O fedor denunciou o defunto.
Diz a Prefeitura que neste mês começam os trabalhos do Campus da UFC Cariri em terreno de 160.000m², perto da Faculdade de Medicina e do “futuro IML”. E está programando com a Paróquia de Nossa Senhora das Dores cinco dias de comemorações (de 20 a 24) do aniversário do nascimento do Padre Cícero (24).
A Prefeitura era para pagar um show público na noite do dia 24. Pelo dito, teremos os insípidos festejos dos anos anteriores em edição requentada.
Escrito por Assis Ferreira às 08h52
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Robusta estupidez
Abrigo para os romeiros, asfaltamento de rua, artesanato, banda de música, burro e cão soltos nas ruas, calçamento, carnaval, carroça e carroceiro, cemitério, cinema, delegacia, diversificação da nossa economia, eleição, estatística do romeiro, faculdade, festa da padroeira, folclore, fórum, hospital, hotel, Horto, igreja, iluminação pública, instituto médico-legal, lazer, monumento do P. Cícero, penitenciária, preso, semana santa, táxi, teleférico, trem, turismo há muitos anos vêm sendo constante preocupação minha.
Malhei o ferro frio da nossa insensibilidade. Infelizmente, pois, de uns anos para cá, temos provado o travo da nossa estagnação econômica. Embora com muito atraso, agora buscamos desesperadamente a porta que abre para o desenvolvimento.
Do Livro (como foi escrito o livro Crônicas) — Fevereiro de 1997
Estou desvanecido de escrever pedindo por Juazeiro do Norte, como se ela fosse uma cidade de um só habitante. Ora penso que os influentes não pleiteiam, e quando dizem que pleiteiam, estão plantando mentiras para com elas tirar proveito próprio à custa da população de sofredores. Ora penso que quando uma melhora nos chega, chega tão pequenininha, que não enche a casa do botão da camisa pública.
Um amigo, — a quem muito estimo e me tem na conta de irmão, ou quase isto, — um amigo me tem advertido do risco que eu corro dizendo a verdade que somos e não a mentira que dizem do que somos. Há uns dias, ele foi mais direto: “Você corre o risco de ser morto. E de graça, porque não ganha com essas crônicas. Faz é gastar com elas. Não seja palmatória do mundo. Eu sei que você escreve com vontade de melhorar a cidade, porém quase ninguém [poderoso] entende assim. Quem o entende são os pobres, mas pobre nunca foi nada. Assim, você termina queimado.”
Judiciosos conselhos. Fico agradecido ao meu prudente amigo. Porém execro a indiferença: não posso colar em mim o defeito que tento desgrudar dos outros.
A intenção de construir uma jardineira interrompendo a Rua do Padre Cícero na Rua de Leão XIII, já antes obstruída por uma mureta na qual alguns veículos bateram com prejuízos materiais e humanos, há de ter sido boa, mas a jardineira vai encher-se de lixo, de pontas de cigarros, de tampas de garrafas, de garrafas “meiotas”. O ideal seria retirar o posto de gasolina dali, para uso futuro da rua inteira. Um sinal de trânsito seria bastante para cortar o tráfego, o que se está fazendo com robusta estupidez.
Escrito por Assis Ferreira às 14h41
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Opinião (28.09.1991)
Cansado de ver e viver o atraso em que Juazeiro do Norte vem, sem reação nenhuma dos que têm voz, transcrevo a crônica Opinião, que escrevi em 28.09.1991, (vai para quinze anos), para ver se alguém das rádios, dos clubes de serviços, das associações de classe a reproduzem como um espinho que fure os eleitores para que tenham amor a Juazeiro do Norte e deixem de votar em maus políticos e por um agrado.
Ou deixamos de votar para retribuir favor, a pedido de alguém ou por algum dinheiro, um frasco de remédio, uma cesta de alimentos, ou vamos para o inferno do atraso absoluto.
Assis Ferreira — 02.03.06
Algumas vezes, eu escrevi que não crescemos; inchamos. Inchamos com o fermento do exagero, misturado à massa das nossas ilusões. Assim, quando queremos, caprichosamente, que uma coisa seja grande, ou que uma coisa seja boa, deitamos uma pitada daquele fermento à massa que vimos trabalhando, e eis surge uma fantástica imagem da coisa por nós concebida.
Eu acho que é hora de pôr fim aos fantasiosos refrãos. Largar essa mania de gigantismo balofo, trocando-a pela mania da boa qualidade, pois, aqui, nada é tão grande que não seja microscópico.
Somos uma cidade crescidinha, concordo. Crescidinha e pobre, por cima! Tanto somos uma cidade grandinha, que não temos bons hospitais, nem lojas de departamentos, nem casa de espetáculo, nem corpo de bombeiros, nem delegacias de polícia, nem órgão de trânsito para exame/renovação de exame de motorista, nem livrarias, nem ensino em todos os graus, nem instituto médico-legal, nem prefeitura, nem fórum, nem trem de ferro, nem...
Por mim, a cidade ficaria do tamanho que está. Mas este desejo é mera utopia: meio século bastará, para que estendamos os tentáculos sobre Crato e Barbalha.
Eu acho que a nossa preocupação deve ser com a transformação da cidade: urbanização, saneamento, lojas modernas, lojas de cine-foto-som, assistência técnica especializada a eletroeletrônico, a informática; construção de edifícios para a prefeitura, para o fórum, para o IML, para um órgão de trânsito, shopping, casa de espetáculo.
É bom que despertemos para essas realidades, nuas e cruas. Sejamos realistas com as nossas coisas: já perdemos, em saúde, para Barbalha; em cultura, para Crato; já perdemos uma boa fatia do comércio para Fortaleza. Até hoje, ainda não aprendemos a agasalhar os romeiros; até hoje ainda não soubemos aproveitar o nosso potencial turístico, tornando-o rentável pela melhoria da rede hoteleira e respectiva ampliação, e pelo aperfeiçoamento das nossas manifestações folclóricas e populares, as quais possam estar de acordo com os figurinos encontrados na literatura.
Por tudo isso, eu gostaria de que ficássemos nos limites atuais, pois, assim talvez viéssemos a ser uma grande cidade.
Escrito por Assis Ferreira às 08h18
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A força da fé
A força da fé
A formosura da prima Raquel cegou Jacó. Cego da razão por Raquel, mais nova do que a irmã Lia e mais formosa do que esta, Jacó propôs ao tio trabalhar para ele sete anos, ao cabo dos quais, o tio lhe daria Raquel em casamento. Vencido o tempo, Labão fez introduzir Lia no leito de Jacó, aproveitando-se da escuridão da noite. Só de manhã, Jacó percebeu ter sido enganado pelo tio.
Ocorre que Jacó era também estradeiro e por conselho da mãe (Rebeca) já enganara ao pai (Isaac) e passara a perna no irmão (Esaú), para escapar à vingança do qual fugira, a conselho da mãe, para onde morava Labão, irmão dela (Gn 27—30).
Até a história — 09.05.05
O prefeito, — que está ficando um caro prefeito, como o predecessor, — pegou o trem andando, quando “anunciou o desejo de começar nas próximas semanas a execução do projeto sobre a revitalização da Rua do Horto”, melhoras já começadas com “a duplicação da ponte sobre o Rio Salgadinho numa parceria com o Governo do Estado”.
O que é que o prefeito de agora tem a ver com essa ponte eu não sei, porque ela vem de muitos meses antes de ele entrar no cargo. A notícia, todavia, parece querer contá-la como obra da atual Prefeitura.
O prefeito que saiu pretendia alargar a Rua do Horto, calçá-la, iluminá-la bem, pintar paisagens. Era a segunda vez que mentia àquela população. Não assentou uma pedra na rua, mas a promessa de deixá-la irisada como um calidoscópio calou no espírito dos moradores e tornou mixuruca qualquer obra menor do que a prometida, tal como a que está para ser começada daqui a semanas.
As promessas da Prefeitura começam a acumular-se: melhora da qualidade de vida; apoio ao professor e melhor remuneração a ele; Centro de Apoio ao Romeiro; anel viário; trem interurbano; abertura da rua da matriz; aeroporto; Rua do Horto; habitação popular.
Os políticos têm sido Labão. Resta que os eleitores sejam Jacó e lhes dêem o troco recebendo vantagens para votar neles e não votando, já que não são pastores de cabras e ovelhas com que tirem vantagem sobre aqueles.
Chama-se Acácio Romano o padre que todo ano está vindo de Bragança (Portugal) a Juazeiro do Norte, onde se demora muitos dias e cada manhã concelebra a missa das 6h. Vem por conta própria: paga passagem, hotel. Uma força o traz de muito longe, de um lugar desenvolvido para um lugar atrasado. Que força é esta? A força da fé.
Escrito por Assis Ferreira às 08h02
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Se gostasse do que não presta
Se gostasse do que não presta
Quis Santo Antônio ficar no ar [construiu uma cela (de ramos?) no alto de uma nogueira], não para ser alto, senão para mais sair do mundo e melhor recolher-se em oração.
O corte da árvore para mastro da bandeira de Santo Antônio, em Barbalha, já se tornou prática pagã, como parece ter dito, outro dia, o Prof. Renato Casimiro em colaboração no Jornal do Cariri.
Existem homenagens que, em lugar de honrar, agravam. Essa é uma. Perpetra-se um crime contra a natureza em nome de Santo Antônio, que zelava a natureza.
Mais alto do que qualquer árvore é a cruz da torre da igreja. Amarrem nela a bandeira de Santo Antônio. E estejam certos de que ninguém sobe Santo Antônio mais alto do que o topo do céu, onde ele está.
Não cortem as árvores — 02.06.02
Para as citações, que venho fazendo em cada crônica, tenho de reler aleatoriamente algumas linhas do que tenho escrito em colaborações para este jornal. O que venho encontrando nessas leituras envergonha a nossa política. Felizmente para os homens públicos desta terra, não tenho dinheiro para publicar as crônicas em dois ou em três livros, e o público lê quase nada. Quando, porém, vier entre nós um estudioso descomprometido com os políticos, as crônicas lhe servirão de fio de meada em diversos assuntos. Então estarei na eternidade, onde nem maldição nem louvor me alcançarão.
A ferrovia Transnordestina tem início prometido para logo. Não duvido que os nossos políticos já estivessem de bigu na ferrovia, quando prometeram o trem interurbano Juazeiro do Norte — Crato — Juazeiro do Norte. A ferrovia é a galinha que chocará o ovo — o trem interurbano. Não duvido que se a galinha demorar a vir ao ninho, o ovo gore. Novidade será dar pinto.
Há muito me preocupa não cobrarmos aos políticos o cumprimento das promessas que eles fizeram aos eleitores. Algum líder poderia tomar a si o encargo de criar uma comissão de cidadãos que aceitassem fazer a defesa das causas de Juazeiro do Norte. A comissão constituída tanto serviria para essa cobrança, quanto para dizer aos eleitores quais os políticos que cumprem as promessas, quais os políticos que não cumprem as promessas. Talvez assim se conseguisse melhorar a atuação desses personagens na política. O eleitor só votaria em político sem palavra se gostasse do que não presta.
Escrito por Assis Ferreira às 12h06
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Está para cumprir-se
Eu gosto do livro do Eclesiastes e do livro do Eclesiástico. São conselhos de vida, conselhos práticos. Lendo-os, tem-se a certeza de que três desgraças andam juntas: o poder, a corrupção e o imposto. Apenas como amostra, leia 2Rs 15,19-20.16.8. O quarto mal seria o descaramento: protestar inocência e honestidade, ainda que o delito cometido seja praticado diante de nós e esteja gravado nitidamente numa fita de vídeo. Os corruptos sustentam que todos estão vendo o que não existe, ou que não estão compreendendo o alto benefício que o fato, “aparentemente ilícito” irá fazer à população. “Irá fazer” — no futuro. O futuro é que salva os corruptos.
Foi o coração que o matou — 14.04.05
Parabéns a Daniel Walker pelo grito que ele deu, no seu “jornal eletrônico” Juazeiro do Norte on-line, contra o atraso em que vem Juazeiro do Norte.
Daniel sabe que é urgente mudar a mentalidade dos empresários e dos políticos desta cidade, pois, sem bom prefeito, sem bons vereadores, sem bons deputados não tiraremos Juazeiro do Norte do marasmo. Infelizmente, são os políticos quem pode fazer por nós: abaixo de Deus, os políticos; abaixo dos políticos, os parentes dos políticos; abaixo dos parentes dos políticos, os amigos dos políticos; abaixo dos amigos dos políticos, os apadrinhados dos políticos; abaixo dos apadrinhados dos políticos, os aduladores dos políticos; abaixo dos aduladores dos políticos, os indicados dos políticos; abaixo de todos, os eleitores dos políticos.
Porém Daniel ainda tem de dar muitos gritos: com apenas um grito se pode salvar uma boiada, mas não se pode salvar uma cidade. Ele, Renato Casimiro e Demontieux Fernandes têm de gritar e gritar. Eu já estou rouco, sem voz que possa ser ouvida. Assim, nos domingos, ficarei ouvindo músicas antigas nas rádios, ora na Iracema, ora na Progresso.
Segunda-feira, 20, recebi o n.° 7 (fevereiro e março de 2006) do Jornalzinho dos Afilhados do Padre Cícero. A edição foi quase exclusiva de notícias sobre os esforços da Diocese e dos padres salesianos em favor da beatificação e da canonização do Padre Cícero. Fiquei sabendo que de uma e de outra nos dá esperança a visita do Cardeal Arcebispo Dom Cláudio Hummes, com trânsito no Vaticano, aonde vai com freqüência quase mensal e onde participa de nove secretaria da Santa Sé. Dom Claúdio veio para a Romaria das Candeias, pois já manifestara o desejo de participar de uma romaria aqui, mas nunca tivera tempo vago para isto. O Papa Bento XVI, desde que era cardeal, o Cardeal Hummes, o bispo Dom Fernando Panico e outros bispos têm vivo interesse em que se faça a merecida justiça ao Padre Cícero. A profecia do Padre Cícero está para cumprir-se.
Escrito por Assis Ferreira às 16h57
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Tereis morrido antes
Não sei quanta chuva caiu em Crato de ontem para hoje (Quinta-Feira Santa). Sei que o Rio do Salgadinho, agora à tarde, botou água que lavou o piso da passarela de ferro, montada enquanto se constrói a ponte definitiva. À tarde, em Crato, o rio (o canal) estava com água abaixo da metade da altura das paredes do leito de cimento. Ouvi dizer que lá a água chegou a entrar em prédio a mais de cem metros do leito do rio.
Não duvido que uma boa chuva faça um estrago daqueles na passarela, se não a fizer ruir.
Com poucas chuvas pesadas, Crato pode não descer, mas Juazeiro do Norte ficará com a parte norte alagada. O estrago será feio. Mas o prejuízo não será do Governo. Será do particular. Viva o governador.
Viva o governador — 24.03.2005
No passado recente, tivemos chuva bem mais pesada do que essa do dia 16. Houve chuvas que quase desmancharam o Horto. Vi a hora a estátua do Padre Cícero rolar em pedaços, serra abaixo. O prefeito de então demorou convenientemente o estado de calamidade pública, que saiu robusto.
Dia 16, caiu a primeira chuva pesada. O prefeito foi ágil: assinou o decreto de calamidade pública, que pareceu vir minutado.
Decreta-se calamidade pública por urgência de acudir a população afligida e prejudicada por fato anormal produzido pela natureza ou pelo homem.
Assim, ó vós, pobres da Mãe das Dores e do Padre Cícero, finalmente tereis algum pão, alguma telha, uma rede, um xarope.
Há quanto não vindes vós, fiéis eleitores, esperando melhoras da parte dos que elegestes?
Não esperastes na abundância, senão na pobreza. Porém agora estais mais do que pobres, estais miseráveis.
Se as esperadas melhoras não vieram quando estáveis na felicidade da pobreza suportável, é justo que venham agora, quando vossas necessidades estão aumentadas. É justo que tenhais expectativa de receber socorro público e pronto, porque o decreto foi um raio, de rápido: foi como a Prefeitura dizer que está empenhada em resolver os vossos problemas. De sobra, o sofrimento particular de cada um de vós se tornou sofrimento de todos vós, — calamidade pública, — de modo que não pode ser ignorado.
Dir-vos-ei como vos dirão os políticos: esperai. A esperança é a última que morre. Não a deixeis morrer, porque tereis morrido antes.
Escrito por Assis Ferreira às 05h44
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Profecias
A velhice é a última parte do caminho. À beira da estrada, o Governo deveria plantar árvore que fosse frondosa, à sombra da qual pudessem descansar os caminhantes que trazem os pés chagados das pedras do caminho ou escaldados da terra quente. Ao contrário, planta mandacaru, arbusto que não dá sombra nem encosto; dá muito espinho.
Dá muito espinho — 12.05.2005
Monsenhor Murilo respondia bem a entrevistadores, tratando-se do tema Juazeiro do Norte, romaria e Padre Cícero. Certa feita, respondeu, com propriedade, que “Juazeiro é uma parte de terra cercada de alagoanos, paraibanos, pernambucanos, sergipanos, piauienses, maranhenses”. Esclareceu que quando alguém diz ter nascido aqui, costuma acrescentar “mas meus pais vieram de Alagoas, ou de Pernambuco, ou da Paraíba, ou de....”. Disse, portanto, que somos um amálgama dessas populações.
Ouvi Aguinaldo Carlos de Sousa dizer hoje na rádio que Dom Cláudio Hummes, que esteve aqui na Romaria das Candeias, encerrada dia 2, está cotado para um alto cargo na Santa Sé, e teria declarado que, se puder alguma coisa pela canonização do Padre Cícero, não deixará de fazê-la.
O tema canonização, — antes, beatificação, — do Padre Cícero somente ganhou força com o bispo diocesano Dom Fernando Panico. Ele é confiante em que a Igreja de Romana e a Igreja do Ceará, — agora, Igreja do Cariri, — não tem medo de admitir que errou, tem a humildade de pedir perdão do erro cometido, e procura corrigi-lo com a verdade.
Declarou o falecido monsenhor, na entrevista, que Juazeiro não tem uma força política, um líder político que sequer se iguale ao Padre Cícero, imagine superior a ele. Ainda: essa liderança do Padre Cícero continuou, e hoje o padre é líder de “40 milhões de nordestinos”.
Relativamente a Juazeiro do Norte, lembro eu, a Beata Maria de Araújo foi profeta, como se lê na resposta por ela dada (em 09.09.1891) ao Padre Clycério da Costa Lobo (primeira Comissão Episcopal de Inquérito sobre os fatos extraordinários aqui vistos em hóstias consagradas): Tem conversado com Jesus Cristo, que da beata usaria para “revelações futuras”, pois Jesus Cristo tencionava "fazer deste lugar (Juazeiro) uma porta do céu e um lugar de salvação para as almas".
O Padre Cícero disse que o tempo seria sua testemunha, a Igreja lhe faria justiça, e após sua morte, “aí é que Juazeiro vai crescer”.
Os fatos vistos na atualidade confirmam as profecias.
Escrito por Assis Ferreira às 09h18
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Foi do teu agrdo
Os criminosos (ladrões do erário) preferem a cadeia à pobreza, porque da cadeia sairão logo e da pobreza dificilmente sairão.
Uns votinhos, 23.10.2003
Outro dia, eu disse que não se deve acreditar em ninguém. Disse a regra. Agora, digo a exceção: deve-se acreditar em quem se não mostrou, ainda, indigno de ser acreditado. Em outras palavras: temos de acreditar com reserva.
Quando Juazeiro (do Norte) vivia sob a Diocese de Fortaleza, deram-se os fatos extraordinários com as hóstias consagradas dadas em comunhão a Maria de Araújo, uma das muitas beatas então existentes. O Diocesano fez sua parte, desconfiando do que se dizia estar passando e constituindo uma comissão episcopal de inquérito com dois sacerdotes de provada formação intelectual e teológica. Foi lá, foi cá, e o angu embolou para o Padre Cícero, o bode expiatório, porquanto a apuração feita pela Comissão foi outra da imaginada pelo bispo. Segunda comissão foi nomeada, a qual deu o resultado esperado. E aí?
E aí? até hoje, não se desatou o nó, mesmo que os fatos, depois de todo esse tempo, desaprovem a conclusão da segunda Comissão Episcopal de Inquérito.
Dizendo-se o que é trigo, sabe-se o que é joio. E creio que ainda a distinção não se fez, porque Satanás complica a solução do problema: poderoso e astucioso quanto é, Satanás pode fazer-se passar por Deus, pode enganar mesmo os doutores em teologia, os doutores nisso e naquilo. Creio ser a razão de a Igreja recear dar sua decisão sem exame percuciente do que pode influenciar o resultado do seu estudo da matéria que lhe é proposta.
Sim, porque segundo Maria de Araújo disse à (primeira) Comissão Episcopal de Inquérito, Jesus Cristo já lhe anunciara o que seria Juazeiro (do Norte): “Teve revelação de que a Juazeiro afluiria grande multidão de gente de diversas partes, todos com intenções de penitenciar-se dos pecados, o que, segundo Jesus Cristo, ‘se operaria para avivar a fé da presença real dele na eucaristia já muito enfraquecida nestes últimos tempos’". (Da resposta, — em 09.09.1891, em Juazeiro — da beata Maria de Araújo ao "Auto de Perguntas" do P. Clycério da Costa Lobo.)
De 1934 (ano da morte do Padre Cícero) até hoje, temos sido um centro de peregrinação, comparável com qualquer outro do mundo. Antes, de pobres, de iletrados. Agora, também de estudantes, de estudiosos, de padres e de bispos e de doutores, porém ainda predominantemente de simples: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado” (Lc 10,21).
Escrito por Assis Ferreira às 07h12
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Ele ganhou o almoço. Eu perdi o jantar
Estou sem mais esperança de ver a Prefeitura comemorar dignamente o aniversário do nascimento do Padre Cícero, em 24 de março.
Aqui não se tem realização elogiável mas não faltam artistas para dar nome sugestivo a tudo o que rende vantagem particular de qualquer ordem: Centro de Apoio aos Romeiros (mina de dinheiro), Parque Ecológico (tesouro); Luzeiro do Sertão (botija); Cidade Cenográfica (banco central); Revitalização do Horto (conta corrente inativa), Shopping Nordeste (mediocridade), anfiteatro (engodo).
Você já pensou quanto seríamos uma cidade linda, clara, limpa, sorridente, atrativa, se tivéssemos essas obras realizadas, bem-feitas?
O morto é Juazeiro do Norte — 05.03.2002
Cada dia 20 do mês é dia de missa pela alma do Padre Cícero. Em março, iniciam-se nesse dia as comemorações do aniversário de nascimento, comemorado no dia 24. Durante esses dias, há palestras, feiras de artesanato; na noite de 23 para 24, seresta do Padre Cícero, criada pela falecida Nair Silva. À noite do dia 24, marcha conduzindo coroas de flores vivas, agora saindo da praça da prefeitura à capela do Socorro (capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro), na qual está o túmulo do Padre Cícero. Corta-se o bolo do aniversário, que é distribuído com refrigerante. As homenagens oficiais consistem em depositarem-se as coroas de flores, o prefeito lembrar os inegáveis méritos do falecido, e queimarem-se foguetes. Concluídas, o pátio da capela, no qual está o nicho, é ocupado pelos pobres do reisado, da lapinha, da banda cabaçal, do maneiro-pau e do grupo da dança de São Gonçalo, os quais cantam e dançam a Meu Padim. Há muitos anos, havia balões coloridos, que foram proibidos, girândolas e baterias (uma série de pequenas bombas ligadas entre si por um rastilho, com bombas de maior poder de explosão de espaço a espaço, e tendo no final do rastilho a bomba maior de todas, que encerra a explosão).
Essas comemorações podem ser um evento turístico, se a Prefeitura quiser.
A manhã deste 16 de fevereiro foi de chuva e trovão. Parecia que no céu explodiam bombas atômicas. Na semana passada, paguei a um “amigo” para revisar meu telhado. Rapidamente, a revisão estava concluída, e ele com a diária no bolso. “Não tinha goteira.” Pois hoje, desde que a chuva aumentou, aí por 1h30min, tive de pegar bacias de plástico e pô-las a recolher gostas da chuva, em um dos quartos da casa. Se não havia goteiras, Toim fez algumas, que veio tirar às 11h. Ele ganhou o almoço. Eu perdi o jantar.
Escrito por Assis Ferreira às 12h48
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Só lhe quer a riqueza
Só lhe quer a riqueza
Os vigários de Nossa Senhora das Dores hão de ter essa mesma solidariedade [do diocesano Dom Fernando Panico] com os romeiros. Afinal de contas, somos juazeiro, árvore frondosa, verde e acolhedora, — apesar dos espinhos.
Assis Ferreira, Saúde, paz e o Espírito Santo 12.12.05)
Finalmente, uma boa notícia nos dá a Prefeitura, e podemos contá-la como consumada: “A Secretaria de Finanças de Juazeiro adianta que vai majorar o valor da Unidade Fiscal de Referência do Município (UFIRM) em 66% a partir do dia 19 de março. Por isso, convoca as pessoas inscritas na dívida ativa do município para procurarem a prefeitura com o objetivo de quitar débitos antes do aumento. De acordo com o artigo 259 da Lei Complementar Nº 9 de 19 de dezembro de 2005, o valor da UFIRM passa de R$ 1,20 para R$ 2,00. O secretário Antonio Liberal de Brito observa que a unidade incide sobre a cobrança dos tributos municipais como ISS e IPTU.”
É lei. Não podemos agradecer a generosidade somente ao prefeito Raimundo Macedo, homem que vestiu a capa dos melhores propósitos com a cidade de Juazeiro do Norte e sua população de pobres. Nossa gratidão é devida também aos nobres vereadores, homens tão empenhados.
Houve na antiguidade uma mulher que se havia casado sete vezes e sete vezes ficara viúva na noite de núpcias: o demônio Asmodeu matava-lhe o marido. Bonita, rica e cobiçada, Sara era a menina-dos-olhos do pai, Ragüel. O arcanjo Rafael recomendou a Tobias que se casasse com a prima Sara e o instruiu para na noite de núpcias marido e mulher unirem-se em oração pedindo a Deus saúde e misericórdia e sobre as brasas do incenso pusesse Tobias o fígado e o coração do peixe que lhe ameaçara comer o pé e fora pescado por ele. Feito isto, o cheiro levantado da queima das partes do peixe faria Asmodeu retirar-se para sempre de Sara (Tb 6-7).
Temos cá na política não um Asmodeu, porém quatorze Asmodeus: um para o prefeito, um para cada vereador. Os Asmodeus matam no prefeito e nos vereadores a intenção que, na campanha política, disseram ter de melhorar Juazeiro do Norte e de dar um refresco aos sofridos. Não temos conseguido de Deus que nos mande o arcanjo Rafael e este nos faça pescar o peixe do qual tiremos fígado e coração para exorcismo contra os Asmodeus. Os peixes que temos pescado com o voto têm sido peixes sem coração e sem fígado.
Menina-dos-olhos do Padre Cícero, Sara continuará sempre desejada. Casar-se-á não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes. Ser viúva é maldição lançada. Não viúva de marido morto. Viúva de marido que mata, de marido que lhe não dá a mínima atenção, de marido que só lhe quer a riqueza.
Escrito por Assis Ferreira às 10h34
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Dá sustança
Ainda é comum o querer devorar o próximo, sob aparente solidariedade com ele.
Assis Ferreira, Mateus, primeiro os teus (04.01.05)
Ejaildo Carvalho tem um “blog” sobre Juazeiro do Norte. Visitei-o e achei interessantes os textos. Vão lá (ejaildo@bol.com.br).
A quem for amigo próximo do prefeito Raimundo Macedo peço que lhe diga que ele está cometendo o mesmo erro do prefeito predecessor: faz pequenas obras de reforma, e a notícia sai dizendo que a população da localidade está puro agradecimento pelas “várias obras”. É como se o prefeito tivesse feito favor e não cumprido um mínimo da sua obrigação com a comunidade. E a imprensa, paga, queima fogos de vista na noite escura da administração municipal, para chamar a atenção do eleitor para as obras, que, de tão insignificantes, podem não ser vistas. O outro prefeito fez tanta obra, que saiu melado.
Vi uma placa de indicação de rua. Não é coisa de arte, porém, não é tão feia, e se tiver duração, terá valido a pena. A empresa que pagou a placa tem o nome abaixo do nome da rua indicada.
Se o Demutran servisse para alguma coisa, poria agentes de trânsito para controlar o tráfego de veículos nos cruzamentos não sinalizados com semáforos na Rua do Padre Cícero, na Rua de Santa Luzia, na Rua de São Pedro, na Rua de São Paulo, e interditaria o quarteirão da Rua de Santa Luzia com a de São Paulo até a Rua de São Paulo com a Rua de Alencar Peixoto; proibiria efetivamente a circulação de bicicleta, de carro de mão e, às vezes, de carroça, no sentido proibido da circulação de veículos nas ruas; pintaria a sinalização no asfalto e refaria a sinalização com placas.
Há mais de ano, a Cagece vem prometendo tirar o fedor nauseabundo que exala dos dejetos humanos manipulados na sua estação de tratamento de esgoto. Um técnico veio cá e sugeriu que se plantasse um bosque de eucalipto ao redor da estação. Que homem engraçado! Que idéia genial! Ele poderia ter sugerido que usássemos os dejetos como adubo, como se faz com o de gado, pois se esterco de gente de quatro patas é tão bom adubo, esterco de gente de duas patas o há de ser ainda melhor, pela variedade do que come. Com base no que tenho visto, digo que aquele cheiro não ofende: a gente está jantando um feijãozinho; aí, quando menos espera, sopra um tantinho de vento, e com ele vem o fedorzinho quente e nos entra goela abaixo como tempero do feijão com farinha. É certo que alguns de nós, que moram na favela Boca das Cobras, andam sem cor, de ventre inchado, mas há de ser verminose. Os mais estamos robustos: o fedor de dejeto humano parece que dá sustança.
Escrito por Assis Ferreira às 13h31
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Recorro a ele
A liturgia da palavra preocupa-me sobremodo: as leituras devem ser feitas por pessoas com boa dicção; a homilia há de ser meditada e explicada na vida prática, se não o padre, repetindo o evangelho, é mero alto-falante e não pregador.
Um pouco antes de mim, em 1655, o Padre Vieira, no Sermão da Sexagésima, estava desenganado com a pregação em geral, e não lhe encontrou o fracasso em Deus nem nos fiéis, mas no pregador (final do cap. III), porque uma coisa é ser pregador e outra é ser aquele que prega (inícios do cap. IV), e supôs esta mesmice: [....]
Vieira fecha o sermão com advertir que há pregadores com o risco de pedir a Deus perdão da culpa de não terem dito o que tinham de dizer (Is 6,5).
Assis Ferreira, O que tinham de dizer (13.09.2004)
Na obra de ensinar e aplicar a moral cristã, a Igreja necessita do devotamento dos pastores, da ciência dos teólogos, da contribuição de todos os cristãos e dos homens de boa vontade.
Catecismo da Igreja Católica, § 2038.
Nossa Senhora das Dores:
A crônica de hoje é para vos agradecer. De boca para dentro. A Senhora sabe que sou relaxado, que não sou muito de oração. Mas vos pedi com tanta fé pela saúde de André, que não sei onde arranjei tamanha confiança para pedir. Foi um pedir com a certeza de receber.
Já sei: fui por tabela: li em São Luís Maria Grignion de Montfort (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, § 251) que quem gosta de rezar a Ave-Maria e o terço é amigo de Deus. Eu não rezo o terço. Mas já rezei tanta Ave-Maria, que me deu saldo, que espero não tenha sido zerado naquele pedido de vossa intercessão a Deus por nós.
Não sei se a Senhora estava muito ocupada ontem. Se estava, volte o tempo e veja o dia e a noite de ontem. Está vendo quanto André está alegre? Está ouvindo quanto ele conversa com Lucas sobre a depressão que teve? Lucas tem de Lucas a solidariedade e a iniciativa. Apesar de caçula, é o que mais amadureceu.
Podeis fazer-me mais dois favores? Dizei a Deus que agradeço o milagre que ele nos fez. Padre Cícero está aí perto? Dizei-lhe que se prepare: qualquer hora recorro a ele.
Escrito por Assis Ferreira às 19h56
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Tremnada
A mentira fala muitas línguas e troca de roupa para cada ocasião, conforme o interesse que pretende obter: onde está o interesse, aí está a mentira.
Assis Ferreira, Promessas de políticos (28.12.2003)
André retornou ontem (3) para São Paulo (capital) e São Carlos. Estava ótimo: ria; contava piada. Levou a prima Aline. Pelo avião das 23h30min.
Mercado Central (4): João Carlos Barbosa distribuindo exemplares do periódico Nação Romeira; Carlos Pimentel comentando a Genival Pinheiro uma das notícias; Genival sem graça e recostado no cavalete de cano de ferro que, no sábado, é posto no cruzamento da Rua de Santa Luzia com a de São Paulo para obstruir o trânsito de veículos dali à Rua de Alencar Peixoto.
O Gazeta de Notícias (de Crato) n.° 83 quis borrar a nítida imagem de Dom Fernando Panico e dos camilianos. “Obra de Interesses contrariados.”
A edição número 3 de Nação Romeira saiu com notícias sobre o Santuário de São Francisco das Chagas, há 50 anos inaugurado: pedra fundamental em 6 de fevereiro de 1950 e inauguração em 6 de fevereiro de 1956. Iniciado hoje, nunca seria construído.
Vocês do Nação Romeira: quando publicarem uma fotografia com várias pessoas, digam se os nomes correspondem às pessoas da direita para a esquerda ou daqui para lá. Sob uma foto reproduzida se escreveu Frei Virgílio, Frei Mirocles, Frei Francisco e Frei Jesualdo. Mas quem é um, quem é outro?
Temos jeito para “malandragem”: Nação Romeira. Nome sugestivo para elogiar. O diabo é que diz que damos às romarias uma organização rameira.
Dom Fernando Panico começa a fazer de Monsenhor Murilo: para não melindrar ninguém, reclama com tamanha brandura e habilidade da falta de infra-estrutura, da desorganização das romarias, que os artistas fingem que não entendem o que ele diz. Fazer-se de desentendido tem vantagens de sobra.
O que vejo e o que ouço dizem que são horas de assumirmos que não sabemos organizar as romarias, — nem coisa nenhuma. A sinceridade e a humildade dar-nos-ão coragem para assumirmos nossa incompetência. Assumida esta, criaremos gosto e responsabilidade com Juazeiro do Norte. Então procuraremos quem sabe fazer e o poremos no lugar do apadrinhado incapaz.
O que temos muito é nada: Centro de Apoio ao Romeironada; Luzeironada; Unidades Estruturantesnada; IMLnada; aeroportonada; Instituto de Identificaçãonada; Demutranada; Hortonada; igrejanada; Ciretranada. Fonfom... fonfom... fommmmm. É o tremnada.
Escrito por Assis Ferreira às 18h23
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Nossa Senhora das Candeias
Nós e o prefeito somos filhos da mesma mãe — a indiferença. A dúvida é quanto a sermos Abéis e Caim, ou Esaús e Jacó.
Assis Ferreira, Consultem a parteira, de 09.06.02
Passar de 56 vagas para 200 vagas o estacionamento do aeroenagoporto é já alguma coisa, porque é chegá-las à atualidade. Todavia, ou deixaremos de existir, ou já, já, vamos evoluir. Repetimos: duzentas vagas, para hoje, são bastante. Mas dentro de cinco anos? Se o aeroenganoporto não tiver fechado, o tráfego de aeronaves será bem maior. O estacionamento ainda atenderá á demanda? Foi construído de forma que seja aproveitado, quando se fizer, — se for feito, — o edifício para passageiros?
Digo assim porque o aeroenganoporto vem pedindo reforma de ampliação e modernização que o ponham em dia. Não pede uma ampliaçãozinha de cem, duzentos metros quadrados. Na verdade, devemos ter um aeroporto moderno, isto é, atualizado, não muito pequeno, porque deverá ter balcões de atendimento, correio, caixas eletrônicos de bancos. Não se pode mais é fazer um arranjo, como se fez anteriormente e está aí.
O tráfego de passageiros e de cargas e encomendas poderá crescer muito, principalmente se for construída a agência regional dos Correios e em função dos vários cursos superiores abertos e por abrir.
A Prefeitura já se mexeu para conseguir a agência regional dos Correios, ou vai ficar aí, paradona?
O segundo dia de fevereiro está chovido. Baixou muito a temperatura. A Prefeitura não fez o que prometeu, que foi organizar esta romaria das Candeias, que será encerrada hoje à noite. A Prefeitura continua prometendo e não fazendo. Estava um deus-nos-acuda o trânsito na Rua de São Paulo com a Rua de Santa Luzia; na Rua do Padre Cícero com a Rua do Padre Pedro Ribeiro; na Rua de São Pedro com a Avenida de Dr. Floro; na Rua de São Paulo com a Rua de São Luís; na Rua de São Pedro com a Rua de Pio X; na Rua de São Paulo com a Rua de Alencar Peixoto; na Rua do Padre Cícero com a Rua do Cruzeiro. O Departamento Municipal de Trânsito (Demutran) devia estar controlando o tráfego nesses pontos e noutros. Eita órgão sem-futuro!
A romaria (de Nossa Senhora) das Candeias cresce a cada ano. Ônibus e caminhões, que cedem lugar àqueles, são vistos em vários pontos da cidade. Nessa data (2 de fevereiro), a Igreja celebra o comparecimento de Jesus e Maria no templo de Jerusalém para a purificação, quarenta dias depois do parto. Jesus veio como a Luz do mundo. Eis por que se honra na data a Mãe de Jesus sob o título de Nossa Senhora das Candeias
Escrito por Assis Ferreira às 14h29
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Demo-lhes o troco
Os padres [salesianos] pediam um real de cada devoto [para a construção da igreja do Bom Jesus do Horto]. Um milhão de devotos representaria um milhão de reais, dinheiro que dava para a obra. Então, concluíram, seria fácil arrecadar esse dinheiro, pois o Padre Cícero tem milhões de devotos. Enganaram-se: na hora de doar, parece que eles somem. Ficam bem pouquinhos. E dinheiro pouco é pouco mais do que coisa nenhuma.
Os padres não dizem, porém eu digo: quem puder dar cem reais, dê cem reais e não cinco reais. Quem puder dar mais, dê mais. Quem puder dar menos, dê menos. Quem não puder dar nem um real, não dê. Neste caso, peça a alguém que pode dar para dar. Deus não quer que ninguém faça o impossível.
Assis Ferreira, Pés na estrada — 09.01.2002
Nunca ninguém soube da arrecadação para a construção da igreja. Nem os padres tinham de vir dizê-la ao público: tinham de aplicá-la, como fizeram. Um milhão de reais talvez não fosse dinheiro suficiente para construí-la. O resultado é estar a construção parada há muitos meses.
Que feio contraste o da igreja Santuário do Sagrado Coração de Jesus (salesianos) com a área defronte a ele! É tal como alguém trajando roupas finas estar junto a alguém metido em andrajos. Tenham paciência! Aí alguém se diz preocupado com tornar a cidade atraente ao visitante. Desse jeito?
O Padre Nestor Rabelo Sampaio gastou anos de sua vida no esforço de construir a igreja, que lhe não saía da boca nem do pensamento. Até nas aulas de matemática, que nos dava, dizia, quando reclamávamos que a matéria estava difícil, que “a igreja não se constrói cinco metros para cima, mas cinco metros para baixo” (fundações). Pois aqui, Padre Nestor, não há matemática que resolva o problema da frente do Santuário. É uma vergonha, né?
Entramos em fevereiro com um pouco de chuva, que espantou o calor brabo por umas horas. Ele, porém, voltou com o mesmo ímpeto.
Não fiquem com raiva de mim, não: outra vez lhes digo que não temos gosto nenhum com a cidade em que vivemos: não se justifica que uma cidade como esta seja tão relegada pelos políticos no poder. Vivem eles como carrapatos sugando o nosso sangue. Nada ou quase nada fazem no mandato. Porém, quando este está vencendo, aí vêm eles com a maior cara-de-pau, com a humildade que nunca tiveram, pedir votos, para que os alcemos ao poder.
Mostremos que temos amor à cidade não votando nesses oportunistas. Eleitor não é molambo de encher judas. Demo-lhes o troco.
Escrito por Assis Ferreira às 19h25
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Falta-lhes apenas a formalidade
Há uma oração que diz que nunca se ouviu dizer que deixasse de ser socorrido quem se valeu de Maria. E canta-se nas missas que da “cepa nasceu a rama, da rama nasceu a flor, da flor nasceu Maria e de Maria, o Salvador”.
Aqui em Juazeiro do Norte, eu gostaria de ver um padre repetir o Padre Cícero: toda boquinha de noite (seis horas da tarde) chamar os cristãos ao rosário, ao aconselhamento e à linda oração rezada pelo Padre Cícero: Mãe de Deus, Mãe soberana, Mãe das Dores...
Que Nossa Senhora das Dores aumente em nós o fervor, a solidariedade e a humildade. E nos padres, também.
Assis Ferreira, E nos padres, também (01.01.2002)
Esses meus filhos... Juliano estava já matriculado no curso de Fisioterapia. A faculdade abriu novos cursos. Ele fez outro exame vestibular, agora para Biomedicina. Passou, segundo me disse (31.01). Tomara que ele e Lucas saibam o que querem, porque assim fica difícil. Lucas é melhor empresário. Só a teimosia justifica que fique querendo estudar para qualquer coisa fora de comércio e informática.
Fui dar uma olhada no movimento dos romeiros, que são muitos e em número maior do que o da romaria das Candeias do ano passado. O calor também é maior. Paga-se um real por uma garrafa de meio litro de água mineral. Como no Romeirão. Um coco verde gelado custa também um real. Coitados dos romeiros! No hotel de Expedito Costa não havia vaga. Ele me disse que ouviu na rádio FM Padre Cícero Dom Cláudio Hummes dizer que a presença de tantos romeiros era já um milagre [do Padre Cícero]. Por quê? Porque romeiro é bicho pobre, em regra. Agora, junte pobreza, seca, calor, cansaço, parca alimentação, exploração comercial e veja se você viria fielmente, ano após ano, visitar Nossa Senhora das Dores, lembrar os finados e celebrar Nossa Senhora das Candeias a pedido de um padre qualquer? Viria? Seja sincero. Se o romeiro vem aqui contra tantas adversidades para atender ao pedido do Padre Cícero, que Padre foi este? Quem passa 72 anos cumprindo o pedido de um padre, se for ele pouco virtuoso? Pode-se passar a vida inteira atendendo ao pedido de um padre santo, — santo não no sentido de canonizado, santo no sentido de cumpridor da vontade de Deus.
Se a Igreja algum dia canonizar o Padre Cícero, graças a Deus, porque terá oficialmente reconhecido os seus méritos. Senão, o Padre Cícero e a Igreja serão como o homem e a mulher que vivem conjugalmente há anos, tiveram filhos mas ainda não se casaram. Falta-lhes apenas a formalidade.
Escrito por Assis Ferreira às 06h33
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Veio ver a romaria das Candeias
A crise [de toda ordem] está aí: rouba-se do Município, rouba-se do Estado, rouba-se do Brasil; rouba-se na Polícia; rouba-se na Justiça; rouba-se a função e rouba-se na função. A violência policial completa o quadro das nossas mazelas sociais. Até policiais estão temendo policiais.
A crise não ficará no tamanho que está. Na hora que a clonagem de seres humanos der o resultado esperado, aí enterraremos as noções de alma, de pecado, de santo, de milagre, de solidariedade. Não haverá céu. Deus será negado. Não haverá inferno. O Diabo será negado. A ciência substituirá a todos. O homem será deus.
Assis Ferreira, Aí não fez chover (19.03.1997)
Ontem (30), caí na besteira de passar de carro ao lado da igreja-matriz de Nossa Senhora das Dores (Santuário Diocesano): fiquei um tempão espremido entre ônibus de romeiros e romeiros. Perto das 7h da noite, dois caminhões de romeiros se arrancharam em duas casas vizinhas. Tudo organizadinho: camisa de malha, branca, com letras azuis, foto do Padre Cícero e 4.a Romaria de Padre Cícero, de Carneiros (AL) a Juazeiro (CE). Nas costas o nome do candidato patrocinador da romaria, (o prefeito) Geraldo Filho.
Dom Fernando Panico, na missa das 6h, disse os nomes dos três jovens padres que coordenarão a Paróquia de Nossa Senhora das Dores.
Médicos dão prognósticos de que o Hospital-Maternidade São Lucas sairá do poder do Município para as mãos de particulares. E dão os motivos da quase convicção, motivos que não dou aqui.
Há vitórias que são derrotas retumbantes. As de Pirro contra os romanos custavam-lhe tão caro, que de uma delas ele teria dito: “Mais uma dessas vitórias, e estou perdido” (apud Taylor Caldwell, Médico de Homens e de Almas, 177). Outro exemplo está na primeira leitura de hoje: Absalão, filho de Davi, combatia o pai; a mula em que vinha entrou nos galhos de um carvalho, que o mataram (2Sm 18,9). Davi amargou a vitória. Teremos tido uma destas vitórias com Dr. Raimundo Macedo? Teremos saído do domínio do CC (Carlos Cruz, também Comunidade Consciente, com que apelidou a administração dele) para o jugo Macedão? Então se dizia Cruz credo! agora se diz é melhor mais tarde do que Maiscedo. Terá Juazeiro do Norte uma maldição contra os políticos?
Desde ontem em Juazeiro do Norte, hóspede das monjas de São Bento, o Cardeal Dom Cláudio Hummes, a quem demos o apelido de romeiro, título que ele agradeceu em público. Ele já esteve aqui, quando arcebispo de Fortaleza. É convidado de Dom Fernando Panico, que lhe agradece a visita e tudo o que tem feito em favor do Padre Cícero. Veio ver a romaria das Candeias.
Escrito por Assis Ferreira às 09h27
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A comida e o parente
O ódio é sempre mais vantajoso [é mais fácil de ser praticado] do que o amor. Para odiar, basta não querer bem. Basta ser indiferente. Para amar, é preciso renunciar a bens e a interesses, conforto e a privilégios. Odiar é volúpia, é gozo. Amar é sofrimento, é igualdade.
Assis Ferreira: Convém não arriscar (28.03.03)
“Todo homem quer ser rei, e todo rei quer ser deus”, ouvi a Monsenhor Murilo numa homilia. O monsenhor pode não ter sido original, porém a sentença é a expressão da realidade.
Por falar em homilia, na sua de ontem, Dom Fernando Panico encorajou os romeiros a continuar na fé católica; pediu que tivéssemos solidariedade com os romeiros; garantiu aos romeiros fazer todo o possível para que tenham paz na cidade e possam cumprir aqui suas promessas, fazer suas orações, visitar Nossa Senhora das Dores e o Padre Cícero. A cidade é dos romeiros. Pediu aos evangélicos que não perturbem os romeiros. Muito bem: o pregador há de ter os olhos no céu e os pés na terra.
Não ouvi a entrevista de D. Fernando Panico, porém estou informado de que ele nomeou três padres para a Paróquia de Nossa Senhora das Dores: Sebastião Bandeira (44), José Cláudio da Silva (32) e Paulo Lemos (31), coordenador.
Um senhor de oitenta e tantos anos foi ao médico para exame de vista: “Se o senhor já está quase cego, para que vem fazer exame?” Em casa, o homem fez de um lençol corda e nela se pendurou pelo pescoço. A mulher, com 75 anos, só pôde desatar dois dos três nós do lençol. Um bombeiro, ali residente, desatou o terceiro nó, mas dado o tempo que o velho demorou dependurado no pano, é possível que não tenha mais saúde.
Sindicatos, trabalhadores e partidos políticos andam preocupados com a insistente pretensão da Prefeitura de privatizar (entregar a particulares) o Hospital-Maternidade São Lucas, o qual foi orgulho desta cidade. Mauro Sampaio, quando prefeito, pagou as dívidas do Hospital e o deixou em condições de prestar à população o serviço de saúde de que ela necessita. O que admira é que seja Dr. Raimundo Macedo quem deseja que fiquemos sem o hospital público municipal, ele que se dizia preocupado com a assistência à saúde em Juazeiro do Norte.
Nossa realidade: não temos dinheiro para pagar ao médico a consulta. Quando o temos, não chega ele para pagar os exames exigidos pelo médico, que só prescreve os remédios quando os exames dão uma pista da doença. Exames pelo Governo demoram de um mês a seis meses. Neste intervalo, ou já estamos bons da doença, ou já estamos mortos. Com o dinheiro da consulta o morto daria uma semana de comida à família, que perdeu dobrado: a comida e o parente.
Escrito por Assis Ferreira às 20h34
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No segundo tempo
Morra cedo, morra tarde, o [periódico] Rodovia Padre Cícero é louvável iniciativa e será a liça onde devemos travar combate com o atraso em que está Juazeiro do Norte e o Cariri em conseqüência da desastrada política do Governo de continuar construindo o Estado em Fortaleza, crime em que deputados e prefeitos são co-autores.
Assis Ferreira, Olhos, boca e ouvidos do eleitor (25.01.2005)
Andei lendo a Carta Encíclica DEUS CARITAS EST, de S.S. Bento XVI, papa que me parecia ruim de engolir, porém homem de carismas admiráveis, e achei interessantes todos os pontos ali considerados sobre o tema amor, considerado nas suas três acepções gregas: éros, philia e ágape, sendo esta forma a que a Igreja Católica dá relevo.
Friedrich Nietzsche acusou a Igreja de tirar o prazer da união entre homem e mulher. O papa diz claramente que a Igreja não condena o eros. Condena, sim, a perversão do eros, que faz a pessoa perder sua essência e ficar reduzida a coisa, a instrumento de prazer (parágrafos 3 e 4 da Carta). Assim fazendo, a Igreja coloca a pessoa humana acima de qualquer prazer carnal, dá-lhe a merecida dignidade. “Isto não é rejeição do eros, não é o seu « envenenamento », mas a cura em ordem à sua verdadeira grandeza. (....) “Sim, [porque] o eros quer-nos elevar « em êxtase » para o Divino, conduzir-nos para além de nós próprios, mas por isso mesmo requer um caminho de ascese, renúncias, purificações e saneamentos” (parágrafo 5).
Aliás, o papa não disse novidade: a Igreja não pode condenar o que Deus aprova em Gn 2: “18E o Senhor Deus disse: ‘Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer-lhe uma auxiliar que lhe corresponda.’” ”22(....) Depois, da costela tirada do homem, o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem. 23E o homem exclamou: ‘Desta vez sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada ‘humana’ porque do homem foi tirada.’ 24Por isso deixará o homem o pai e a mãe, e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne.”
Sábado (28) à noite, em visita a Expedito Costa, que convalesce de cirurgia no olho, ele me disse que Demontieux Fernandes o havia visitado. A mesma notícia me foi dada por dona Josélia, esposa do enfermo. Estimei que os dois homens tenham voltado à amizade antiga.
Debaixo de sol, fui com meu cunhado Antônio Oliveira ver o jogo do Icasa com o Ferroviário, que se deixou abater pelo adversário. Fizemos dois góis e o Ferroviário fez três jogando um pouco melhor no segundo tempo.
Escrito por Assis Ferreira às 08h32
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Voltando ao que era
Quinta-feira, 6 de outubro. Um amigo me telefonou: “Ligue a televisão e veja a entrevista de Raimundão, que vai já falar.”
A sobriedade do que ouvi reanima a esperança do eleitor na mudança da administração desta cidade, tão esquecida pelos que foram prefeito. Talvez agora quem vai ser prefeito cumpra o que prometeu a Mons. Murilo: construir o Centro de Apoio ao Romeiro, pois, diz o prefeito eleito, o romeiro tem sido esquecido; e ao eleitor: deixar de cobrar a taxa de iluminação pública, construir restaurante popular de um real; valorizar os funcionários da Prefeitura; fazer a avenida perimetral para desafogar o trânsito.
Assis Ferreira, Entrou nos canos (08.10.2004)
Domingo (29). Perdi a missa das 6h nos salesianos. Liguei o rádio e ouvi algumas músicas dos meus tempos de menino. As letras, de fato, são mensagens ao ouvinte: “A Lua é um disco em que o Criador gravou uma canção”; “Tu és divina e graciosa estátua majestosa, de luz formada numa tela deslumbrante e bela”; “Certa manhã, dessas manhãs cheias de luz, por entre as rosas do jardim eu vi voar gentil borboleta de asas azuis”; “Numa noite morna nos encontramos junto ao lago azul do Icaraí”; “Amar, que sonho lindo, encantador!”; “Você sabe o que é ter um amor, meu senhor, ter loucura por uma mulher”;”Senhor da floresta, um índio guerreiro da raça tupi, vivia sonhando sentado na margem do Rio Xuí”.
Quanto mais se lê São Paulo, mais se admira São Paulo. Veja a simplicidade e a realidade destes conselhos aos coríntios: “32Eu gostaria que estivésseis livres de preocupações. O homem não casado [solteiro, ou viúvo] é solícito pelas coisas do Senhor e procura agradar ao Senhor. 33O casado preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar à sua mulher, 34e assim está dividido” (1Cor 7). Está entendido que quem é casado agrade ao cônjuge e permaneça casado. O viver exclusivo para Deus é opção de quem não é casado. Está implícito que o casado pode perfeitamente dar-se ao serviço do Senhor: vale a sinceridade.
Oportunas exortações fez o Padre João Bosco Lima, relativamente à festa de Nossa Senhora das Candeias: receber o romeiro com todo o carinho; cada rancho distribuir cartão de endereço ao romeiro e ter o maior cuidado com a entrada de estranhos no rancho. Aos romeiros já presentes recomendou ficar alerta contra ladrões, para depois não virem a chorar o prejuízo.
Alguns pingos de chuva abrandaram o calor, que já está voltando ao que era.
Escrito por Assis Ferreira às 09h19
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Aos outros por nós
A missa de ontem (30.12.01) foi dedicada à família. Eu diria que foi a missa da humildade na família. Porque a humildade abrange todos os deveres e todas as virtudes mencionados nas duas leituras (Eclesiástico 3,3-7, 14-17a e Colossenses 3,12-21) e no Evangelho (Mt 2,13-15. 19-23): o desprendimento entre os esposos; o respeito entre os esposos; a fidelidade entre os esposos; o respeito dos pais aos filhos; o respeito e o amor dos filhos aos pais; o amor redobrado dos filhos aos pais, quando estes se tornam inválidos ou estão senis, pois são ainda mais carentes da solidariedade./ “Todo homem quer ser rei e todo rei quer ser Deus”, ouvi de Padre Murilo na homilia. É difícil ser rei. É impossível ser Deus, concluiu o padre, com outras palavras./ A família está contaminada por leis humanas, que tentam abrir passagem na inexpugnável muralha de Deus. Já não existe legítimo nem ilegítimo, grosso modo. A mulher tem os mesmos direitos do marido. Por isto, se tornou impaciente e autoritária.
Assis Ferreira, Família feliz, mundo feliz (31.12.2001)
Sem chuva assim, sei não... Outro dia, quase saí de debaixo do chuveiro: que água quente! E olhe que não ligo muito para isto, mas água que péla! As frutas estão mirrando. É uma dádiva de Deus Juazeiro do Norte, sem açudes e sem rio, ter água para a população, que durante seis meses é aumentada pelos romeiros. Crato e Barbalha, que têm fontes de água, ainda não souberam aproveitá-la para consumo. Para lazer, até que cuidaram um pouco. Agora, é um crime deixar perder-se tanta água, dia e noite, noite e dia, o ano todo. Cidades ao pé da serra, talvez cada uma delas tenha o seu monte Horeb e o seu Moisés, que fará sair água de pedra, quando ela faltar por completo (Ex 17,6). Ou seria o caso de essas águas estarem sendo acumuladas no lençol freático de Juazeiro do Norte, o qual, ouvi de um funcionário da Cagece, chega a centenas de quilômetros quadrados? Não sei até quando irá nossa despreocupação: Deus nos dá água, mas queremos que ele a canalize às nossas casas, que ele a represe. Era só o que faltava!
Botaram para as 15h o jogo Icasa e Ferroviário no Romeirão domingo (29). Que idéia infeliz: àquela hora, frita-se ovo na arquibancada! Jogo tem de ser à noite. Querem diminuir a renda? Tomara que não comam a grama do estádio.
Outro dia, referi-me à primeira carta encíclica de S.S. Bento XVI. Hoje, transcrevo alguma coisa da INTRODUÇÃO da carta DEUS CARISTAS EST:
“Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um « mandamento », mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro.”
“Num mundo em que ao nome de Deus se associa às vezes a vingança ou mesmo o dever do ódio e da violência, esta [ordem] [o mandamento do amor a Deus com o do amor ao próximo, contido no Livro do Levítico: « Amarás o teu próximo como a ti mesmo » (19, 18; cf. Mc 12, 29-31)] é uma mensagem de grande actualidade e de significado muito concreto. Por isso, na minha primeira Encíclica, desejo falar do amor com que Deus nos cumula e que deve ser comunicado aos outros por nós.”
Escrito por Assis Ferreira às 19h36
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Quer ser médico
Era propósito meu parar com estas crônicas em 2004. Ouvindo-me o projeto, Expedito Costa aconselhou-me a não interrompê-las: "São uma terapia pra você, e muita gente gosta de ler o que você escreve. Pena é quase sempre ficarem como a de hoje, borrada de tal maneira, que ninguém lê."
Que meia dúzia de pessoas me lê é sabido. A intenção de parar as colaborações tinha base em uma de duas hipóteses, senão em ambas: eu não sei escrever, ou não sou entendido. Se não sou entendido será exatamente por algumas pessoas de muitas letras. As pessoas de poucas letras dão-me parabéns. Parece-me que essas pessoas não sabendo entender completamente a forma literal das crônicas, lêem-lhes a intenção, e, assim, lêem mais e melhor do que outros leitores.
Assis Ferreira, Por omissão do poder público (06.01.04)
Fatos Interessantes e Pitoresco, de autoria do Padre Antônio Vieira, não o que eu cito nas crônicas vez por outra, senão o homônimo deste nascido em Várzea Alegre. Homem culto, ex-deputado federal. O volume está-me autografado.
O autor é tio de Raimundo Vieira, que foi meu colega de Banco do Brasil, cabra inteligente: parece que o arroz de Várzea Alegre dá inteligência aos Raimundos — quase todo homem nascido lá é Raimundo Nonato (o santo com este nome é o padroeiro do Município).
Eu já lera de Vieira pelo menos O jumento é Nosso Irmão e O Verbo Amar e Suas Complicações (também Juros do Amor?). Não são grandes obras, mas acalentam a vaidade do falecido autor. Mas esse de agora, tenham paciência! É livro de 212 páginas, das quais se aproveitam apenas 29, da 15 a 43, relativas a um santo, que foi o Papa João XXIII. Santo quebra-nos um galho danado!
Uma tarde, na casa paroquial, em que era hóspede de Monsenhor Murilo, o Padre Vieira, acho que já meio sem miolos, me botou dos cachorros abaixo. Eita padre fie duma égua de importuno! Meu amigo! Eu tive uma vergonha danada, porque o anfitrião estava presente à descompostura. Porém Mons. Murilo conhecia bem a peça: “É caduquice.” Havia outra pessoa: Expedito Costa,
Pois o livro do Padre Vieira me aconselha a largar de escrever estas crônicas, chochas, obras de um asno, de um besta, de um burro, de um néscio, de um parvo, de um tolo. Se não as deixo de escrever é porque ou sigo o conselho de Expedito Costa, ou elas se tornaram o meu craque.
Estou acabando de ler Médico de Homens e de Almas. Que São Lucas complicado! Eu, que nunca li sua biografia, chamei de Lucas ao meu caçula, chato igual a ele. De brincadeira, fez um vestibular em João Pessoa, e Juliano viu (27) que ele está aprovado em Farmácia. Não sei lhe dou parabéns ou lhe dou um puxão de orelhas: não quis o Centro Federal de Ensino Tecnológico (CEFET, Alimentação ou coisa assim), não quis a URCA (Direito). Por cima, quer ser médico.
Escrito por Assis Ferreira às 00h37
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Combina as duas formas
Aproximamo-nos do dia 2 de fevereiro, data da transformação da igreja de Nossa Senhora das Dores em Basílica Menor. Dom Fernando andou explicando o que é basílica menor. Acho oportuno que Padre Murilo explique algumas vezes, nas missas, e na rádio, o que significa basílica menor.
Alguém da imprensa local parece que não vai cessar de adular o governador. Acha que ele tem ouvidos ou tem olhos para nós. Deve ser isso. Ou o jornalista está lavando o pires do oportunismo.
Assis Ferreira, Alguns nem isso dizem (13.01.2003)
A derrota da Prefeitura em Brasília foi motivo de alegria para opositores do prefeito Raimundo Macedo. Não percebem os adversários que da soma que não veio talvez a quarta parte entrasse na economia da cidade, e seriam mais de três milhões de reais, e que vez por outra pingaria mais algum dinheiro, porque a obra vai para cem milhões de reais. A quarta parte de cem é vinte e cinco. Vinte e cinco milhões entrariam na praça. Portanto, a derrota não foi do prefeito, foi da cidade. Aqui, como em toda a parte, é pouca a política e muita a politicagem.
Veja que politicagem está com letra bem preta, porque é prática detestável. Referindo São Francisco Xavier, disse o Padre Antônio Vieira que na administração pública “Conjugam por todos os modos o verbo rapio; porque furtam por todos os modos da arte” (Sermão do Bom Ladrão). Se querem reprovação doméstica, lembro a recomendação do Padre Cícero: “Quem roubou, não roube mais.”
Não acuso. Entendam-me assim: negar alguma melhora para Juazeiro do Norte é um crime de furto, porque furtar é um modo sutil de fazer minguar. Assim, tanto é furto subtrair ao erário, quanto é furto não levar para ele a arrecadação por inteiro, quanto é furto entravar nossa melhora. Furta-se o que e furta-se de quem? Furta-se a esperança do povo. Furta-se no coletivo, enquanto o bandido comum furta no singular. Furta-se sem risco, enquanto o ladrão pequeno furta com risco.
É dever de cada indivíduo fazer que a cidade melhore para todos. O que se faz é que ela ou não melhore, ou piore, porque este manter-se tal como está, ou este piorar é particularmente vantajoso. Eis o que é politicagem.
O que eu tenho notado é que uma vez na Prefeitura, sempre na Prefeitura. Grande é o número dos tiriricas na grama do jardim da Prefeitura. Não há como extirpá-los, porque a proteção política é mais forte do que a moral administrativa: quem quiser manter-se no poder, ou se corrompe, ou corrompe, ou combina as duas formas.
Escrito por Assis Ferreira às 13h22
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Lança cizânia entre nós
De tudo o que li para me tirar dúvidas, concluo que o melhor professor é a observação posta em prática. Saí das leituras convicto de que ninguém sabe o que supõe saber, e por isto se pode ir para o inferno pelo caminho do céu.
Assis Ferreira, Ir para o inferno pelo caminho do céu (31.10.2005)
Eu tenho um exemplar da Bíblia Sagrada publicada pelas Edições Paulinas. Trata-se de um volume da 34.a (1977), comprado aqui, no Museu Padre Cícero, em 06.01.1978. Comprei-o para ler e cumprir uma promessa feita ao Padre Cícero. Até então eu nunca lera a Bíblia, nem li o volume comprado. Em 25.10.2001 (quinta-feira) comprei a Bíblia Sagrada, Tradução da CNBB, cuja leitura comecei no mesmo dia e concluí em 29.06.2003 (domingo). Li-a contra conselho de Monsenhor Murilo, que me disse que “A Bíblia não é um romance, que se lê assim”. Então me disse como eu deveria ler. Nem liguei: tinha de pagar a promessa.
Hoje (24.01.06), eis que Demontieux Fernandes me aparece com um livro de 56 páginas e o título Verdades Proibidas, de um dos filhos de um amigo meu morador na Terra dos Milagres, onde está o “menino”.
O assunto é principalmente a supressão de palavras nas versões da Bíblia. Com mais de quinze mil palavras a menos: a Bíblia das Testemunhas de Jeová, a Bíblia Estudo Almeida, a Bíblia Estudo Genebra, a Bíblia Shedd, a Bíblia Revisada Melhores Textos; com mais de trinta e cinco mil palavras a menos: A Bíblia na Linguagem de Hoje; com mais de sessenta e quatro mil palavras a menos: a Bíblia Nova Versão Internacional.
O livro não diz qual a Bíblia-padrão. Transcreve versículos por ele considerados originais e sublinha neles as palavras que foram suprimidas nas Bíblias que reprova. Transcrevo Mateus 27,35 do livro:
“E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sortes, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançaram sortes.”
Tenho estas Bíblias: Bíblia Sagrada (Paulinas, 1977); Bíblia Sagrada — Nova Tradução na Linguagem de Hoje (Paulinas, 2005); Bíblia Sagrada — Tradução da CNBB (2001); Bíblia de Jerusalém (Paulus, 2002); Bíblia — Tradução Ecumênica (Loyola, 1994); e Bíblia do Peregrino (Paulus, 2002). Em nenhuma delas o versículo é escrito com as mesmas palavras. Serão todas “satânicas”? da Nova Era? Como foram aprovadas pela autoridade eclesiástica, acautelemo-nos: Verdades Proibidas lança cizânia entre nós.
Escrito por Assis Ferreira às 22h15
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Nós é que temos de nos limpar
“Se você tivesse de viver de advocacia, já teria morrido de fome!” A observação foi de Expedito Costa, que há mais de ano acompanha comigo um processo de pessoa com setenta e poucos anos de idade, viúva e inválida, que indicou ao juiz um parente para a substituir na curatela do filho interditado. A pobreza da mulher, a velhice da mulher, a viuvez da mulher, a invalidez da mulher, a invalidez do filho da mulher ainda não comoveram o santo juiz, que não me ouve um argumento, sequer.
Assis Ferreira, Nem eu (17.06.2004)
Eduardo Gomes, filho de Demontieux Fernandes, veio despedir-se de mim: volta às aulas de Agronomia em Areia (PB), as quais recomeçam dia 30. Estava aqui desde 24 de setembro, por causa da greve dos docentes da UFPb.
Há uns dois meses, a Prefeitura anunciou à população que teria garantidos treze milhões de reais para tocar o propalado anel viário, que estaria rompendo a casca do ovo para sair pinto.
Pois, agora, admite que o ovo que disse ter na mão era goro, não tinha pinto nenhum, e logo a realidade o transformou em dívidas a pagar.
Como esse tal de anel, também serão a aliança, a pulseira, o bracelete, os brincos, todos apresentados como jóias de primeira, quando são imitações.
“As crônicas machucam, porque condenam o improviso, o alarde, o oportunismo, o foguetório. Preferem a discrição. A formiga silenciosa à cigarra estridulante. A qualidade à quantidade.”
Fiz este reparo ou pedido de moderação, de prudência na crônica Viva ou morta (04.11.2005). Perdi meu tempo, minha tinta e meu papel: a Prefeitura não deixa de dormir por avisada de alguma falha.
Por infeliz coincidência, hoje (24), data em que o prefeito abriu o bico na rádio, li a comunicação da Assessoria de Imprensa em que ela solta fogos:
“O prefeito Raimundo Macedo fez uma peregrinação no último final de semana em uma parte das obras que estão sendo tocadas no seu governo. [....] Foram visitadas as obras de reforma e ampliação da escola Antonio Ferreira de Melo, pavimentação, 87 casas populares e a reforma, jardinagem e informatização do posto de saúde, Senador Lúcio Alcântara. [....]”
Essa pegadinha de reforma de escola dói nos ouvidos da gente. Carlos Cruz mandava passar uma demão de tinta d’água nas paredes de escola, e a notícia saía que se fizera reforma na escola.
Quem tiver mercantil fará bom negócio comprando papel higiênico e deixando-o em depósito: com tanta obra pública, não haverá papel que atenda ao consumo da praça. A Prefeitura faz obra, e nós é que temos de nos limpar.
Escrito por Assis Ferreira às 18h57
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Esperemos a carta
Aqui nunca falta um bom caloteiro, que é aquele que dá um golpe na praça, sai por uns meses e volta com a cara mais cínica do mundo e recebe todo o apoio que não se dá a um filho da terra honesto e trabalhador. Aqui não faltam bajuladores e oportunistas.
Falando hoje com um amigo meu, ouvi dele que um afilhado político ganha da Prefeitura cinco vezes o que ele como médico ganha do Governo. Então lhe disse eu que ele perdeu o tempo estudando. Não me referi ao meu tempo, pois sou de poucas letras, e como tal, o meu tempo está perdido desde o começo. Ele retrucou que só não perdeu o tempo porque ser afilhado político é uma arte muito difícil. Assim, lhe foi mais fácil aprender Medicina do que aprender...
Assis Ferreira, É ingratidão demais (12.12.1998)
Tarso Araújo, na coluna Cariri, no jornal O Povo, edição de domingo, 22, diz que “José Roberto Celestino é apontado como o grande vitorioso na luta pela implantação do Campus da UFC, na terra do Padre Cícero. Tudo por conta da intervenção dele, na audiência pública, presidida pelo reitor René Barreira, com a finalidade de escolher a cidade que sediaria o Campus no Cariri.”
Ainda segundo o jornalista, Crato acha que rompemos a política da boa vizinhança. Pretende colar nos vidros dos carros o adesivo “Quem ama o Crato não vota em candidato do Juazeiro”. O Crato fará bem. Juazeiro fará melhor colando nos vidros dos carros Quem ama Juazeiro não vota nos velhos candidatos. Avante, Crato! Avante, Juazeiro! Unam-se na desunião. Sejam o Zorro do Cariri contra os maus políticos. Findo o combate, montem o cavalo Sílver, espada desembainhada na mão levantada à acima da cabeça, exclamem: “Aiô, Sílver!”
Outro dia, os romeiros deixaram cá um romeiro meio desmiolado. O coitado do Padre Bandeira voltou a pedir passagem para mais este romeiro. Aproveitou para exortar o prefeito a concluir o Centro de Apoio ao Romeiro, que acabaria com esse transtorno e com outros. Vai gastar os pulmões pedindo.
Aliás, Padre Bandeira, não se duvida de que, depois de outubro, tudo o que for começado aqui fique parado e nunca mais continue.
Aguarda-se para depois de amanhã (quarta-feira) a primeira encíclica do Papa Bento XVI, com o título “Deus Caristas Est” (“Deus é Amor”), segundo UOL Últimas Notícias (23). Diz-se que o Papa falará do amor e da caridade. Do amor carnal (erótico — Eros) e do amor espiritual (ágape). Só que o “eros” deverá estar no devido contexto, o da caridade. O Papa não há de o aprovar, nem há de o condenar. A caridade há de compreendê-lo. Não ponhamos o carro diante dos bois. Esperemos a carta.
Escrito por Assis Ferreira às 21h52
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Enquanto não chegamos
Nunca vi um prefeito mostrar tanta disposição para querer trabalhar, quanto Mauro Sampaio. E alguma coisa se está fazendo. Mas o segredo não está em fazer. Está em fazer bem. Mais ou menos às quatro horas da tarde, recebi o convite-roteiro das comemorações dos 153 anos do nascimento do P. Cícero, do qual só se aproveita o retrato dele, na capa, batido no quadro onde é a praça que tem o seu nome: ele de pé, de chapéu, a mão direita levantada à altura da cabeça em sinal de saudação, com o cajado e um livro na mão esquerda; ao fundo o casario antigo. O papel do convite é brilhoso e fino, a fonte tipográfica é comum e feia e a aparência do impresso é horrível. Temos um nome para isto: coisa de carregação.
Assis Ferreira,
Estão fazendo dinheiro com esse estrume (23.03.1997)
Foi péssima essa segunda administração municipal de Dr. Mauro Sampaio. Ainda assim, só o que ele fez pela Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte foi melhor do que algumas administrações inteiras. Doutor Aboim foi outro valoroso trabalhador pela implantação da FMJN, da qual faz parte.
Ao referir-me, sábado (21), ao amigo Carlos Alberto Leitão estar à beira da morte, esqueceu-me dizer que ele estava em Fortaleza sob assistência médica. Não sei se a doença que o acometia era a mesma que minava a saúde do caro Monsenhor Murilo. Sei que, como este, faleceu lá. Isto me faz concluir que estamos com vergonha de morrer no atraso do Interior, de modo que estamos saindo para morrer na Capital, onde o Governo burramente tem construído o Estado. Faltam-nos médicos competentes? Dizem que não: o que falta são equipamentos hospitalares, não só porque são caros, senão também pela falta de coragem dos empresários da Medicina de otimizarem hospitais e clínicas. Ao voltar do Socorro, à tardinha de domingo (22), Maria me disse ter visto o cortejo que levava Leitão às férias ininterruptas. Descanse em paz, amigo velho.
Aos que vão morrer, — a todos nós, pois, — dou o conselho de morrerem aqui mesmo, para não darem mais trabalho aos parentes. Evitem morrer em Fortaleza. Sejam práticos. A família agradece. Caso contrário, vão morrer na baixa da égua, pois quem vai tratar a saúde em Fortaleza está com o sobrosso de voltar defunto.
Recomendo ao caro Leitão que, quando estiver entrosado com o grupo de contadores de piadas daí, dê uma chegadinha aqui e oriente Carlos Pimentel, Genival Pinheiro, João Carlos Barbosa e Wellington Oliveira como eles se devem preparar para contarem piadas aí.
Vá contando umas piadinhas a Mons. Murilo, enquanto não chegamos.
Escrito por Assis Ferreira às 16h46
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Morrere é estar com Deus
“Andam perguntando por onde anda o advogado Assis Ferreira, que não mais comparece ao bate-papo todos os sábados, às 6h30, no Mercado Central. Sabe-se apenas que o monsenhor Murilo, aproveitando uma confissão, pediu seu retorno, pois algumas senhoras e amigos estão sentindo bastante a sua falta.”
Isso foi coisa do jornalista João Carlos (Barbosa) na sua coluna Sociedade, no Jornal do Cariri, edição de 19.03.04, dia do nosso querido São José, padroeiro do Ceará, dia que o comércio não respeitou por conta do feriado municipal do dia 24, data de nascimento do Padre Cícero, que este ano está tendo uma semana mais significativa, no meu sentir.
Assis Ferreira, Prefiro esta opção (23.03.2004)
De fato, todo sábado, formávamos um grupinho de contadores de piadas, todos velhos amigos e amigos velhos, exceto João Carlos, que, em pouca vergonha, é tão velho quanto qualquer um de nós. O grupo durou poucos meses.
Havia quem contava piadas de passagem. Um destes era Carlos Alberto Leitão (Leitão), representante comercial, que está à beira da morte, segundo ouvi no mercado, sábado (21). “É a mesma doença de Padre Murilo: não tem cura.”
Eu que me cuide: da minha geração, da geração oito, dez anos mais nova do que a minha, estão morrendo adoidado. Eu ainda não morri porque estou vivo. Digo, estou vivo porque não morri. Mas não estou esse viiivo. Os sinais da morte estão presentes: sou um maracujá com cinco dias de colhido; vejo pouco; ouço pouco; como pouco; esqueço muito. Tudo é pouco. Gosto de tudo e gosto de nada. Há horas em que Maria acha que estou fazendo de mouco, de esquecido. Ela tem dezoito anos de vantagem sobre mim, na idade.
Se você pensa que estou maldizendo a velhice, está errado. Estou achando-a maravilhosa: perdi os sonhos; desiludi-me dos homens; divirto-me com os jovens; brinco com os velhos (não tolero esse tal de idoso). Vejo pouco com os olhos e enxergo muito com o coração, graças a Deus. Aprendi que a Bíblia tem razão: “A velhice venerável não é a de uma longa duração e nem se mede pelo número de anos (Sb 4,8); o bom senso equivale aos cabelos brancos, uma vida sem mancha, à idade avançada (Sb 4,9).” Aumentou-me o desprendimento. Conheci gente que me fez feliz: meu pai, minha mãe, meus avós paternos, minha avó materna, minhas tias, minha mulher, meus filhos, meus amigos. Até um bispo eu conheci. E um bispo diferente: amigo, popular. O número de tristezas foi maior do que o das alegrias, porém no balanço meu saldo foi credor.
Portanto, meu caro Leitão, se quiser morrer, morra com alegria, na certeza de que morrer é estar com Deus.
Escrito por Assis Ferreira às 20h56
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Identificar as ruas com placas
Demontieux Fernandes, editor do Folha da Manhã, me disse que Padre Murilo estava entusiasmado com o que conversou numa reunião com Aguinaldo [Carlos] acerca da recepção aos romeiros./ Padre Murilo conforma-se com alguma coisa, é uma pessoa simples. Eu tenho certeza de que não receberemos bem os romeiros: papel agüenta tudo e em conversa tudo é fácil. Esperem para ver. Quando muito, teremos um arranjo [porque a Prefeitura nunca tem dinheiro]./ Já se justifica que as obras do Horto diminuam de ritmo. É possível que parem. Aí, quando as eleições municipais se aproximarem, as obras serão retomadas: o prefeito terá um trunfo para o jogo do poder. É o que se tem feito aqui. É típico dessa política do atraso./ Já que os políticos têm sido uma negação, nosso dever cívico é não votar mais neles.
Assis Ferreira, Não votar mais neles (18.01.2003)
Eu pensava que é meu rádio que não presta, mas descobri que o que não presta são as rádios, todas obsoletas, sem potência. Basta você mudar a posição do rádio para não sintonizar mais a rádio.
Se as rádios fossem de pobres, dir-se-ia que estão fora do compasso porque pobre não tem dinheiro para nada. Sendo elas de ricos, hei de supor que não são atualizadas e melhoradas porque eles não vivem de dinheiro de rádio.
Acredito que ainda se ouve rádio como se a televisão não existisse. Eu ouço rádio pouco: a missa das 6h, programa de músicas... velhas ou antigas? Direi com a moda. Então, lá vai: Eu ouço rádio pouco: a missa das 6h, programa de músicas da terceira idade (gostaram?), transmissão de futebol, jornal, evento. Maria e os “meninos”, porém, são doentes por música. Aonde se vai, alguém está com rádio ligado. Por que esse descaso nosso com o rádio?
As músicas de agora, na maioria, valem nada. A maioria dos cantores vale coisa nenhuma. As músicas antigas tinham letra, tinham ritmo, transmitiam uma mensagem, tinham respeito ao público, dignificavam os autores, os músicos e o cantor. Podiam alegrar o triste, encorajar o desanimado, fazer o saudoso chorar. Eram remédio. Hoje são veneno.
Encontrar uma rua em Juazeiro do Norte é procurar agulha em palheiro. Mesmo quem conhece a cidade, como eu conheço, não localiza as ruas. O jeito é ir perguntando a um e a outro onde fica a rua tal, pergunta que não raras vezes não tem resposta. Portanto, ou a Prefeitura distribui mapa da cidade com todas as ruas com os respectivos nomes, ou faz o que é comum: manda identificar as ruas com placas.
Escrito por Assis Ferreira às 19h25
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Primeiro romeiro da Mãe de Deus
Em uma das leituras [que eu estava fazendo em março de 2004], tive conhecimento de que certo soldado considerava Napoleão Bonaparte um deus e propôs que ele fundasse uma religião. Napoleão respondeu que para fundar uma religião eram necessárias duas coisas: morrer numa cruz e ressuscitar. A primeira ele não queria e a segunda ele não podia. Hoje, admira a facilidade com que se funda uma Igreja. Falar nisso, ouvi que vem para cá, ou já está aqui, mais uma dessas Igrejas “evangélicas”.
Assis Ferreira, Sete é demais (14.03.2004)
Creio eu que a prática de vida aconselha que não acreditemos. Principalmente, em notícia dada pela mídia. Parece ser o que nos diz o informativo Zenit, de 18.01.06: certas publicações acreditadas internacionalmente pretendem publicar que a Igreja Católica estaria promovendo campanha para a reabilitação de Judas Iscariotes, com base em manuscrito apócrifo, que apresenta Judas pelo avesso da realidade que conhecemos: ao invés de traidor, um benfeitor, que teria contribuído para salvar-nos fazendo crucificar Cristo. “Dom Walter Brandmuller, presidente da Comissão Pontifícia de Ciências Históricas” desautoriza a notícias, porque jamais deu tal informação.
Uma pessoa que me lê diariamente, dizem, é Pedro Bandeira (Pereira de Caldas). Violeiro de profissão. Advogado diletante. Por último, teólogo. Bem-sucedido na viola. Vitorioso na cantoria. Inspiração fértil. Bom poeta. De uns três anos a esta parte, o que tenho lido dele mostra que Pedro já não tem o vigor e a inspiração que o caracterizavam, conseqüência natural da perda de saúde, sem contar a idade, que avança no tempo, e a velhice é doença incurável. Hoje, li dele Lágrimas do Último Adeus, Homenagem Especial ao Monsenhor Francisco Murilo de Sá Barreto, o Vigário do Nordeste. Não reconheci Pedro Bandeira nos versos.
O Padre Cícero viveu aqui 62 anos dos seus 90 anos de vida. Gastou todo esse tempo ensinando-nos a amar Deus, Nossa Senhora das Dores, o Coração de Jesus e a Santa Igreja. Encaminhou-nos ao trabalho e às profissões. Tirou-nos dos vícios e do crime. Perseguido moralmente na vida e na morte, quanto mais o querem diminuir, mais ele cresce, como atestam as romarias, os milhares de pessoas que no dia 20 de cada mês acorrem à capela do Socorro para a missa por sua alma, os aplausos que recebe quando seu nome é pronunciado em evento. O amor fez crescer a fé. A caridade foi o ferro em brasa com que ele nos assinalou como filhos de Nossa Senhora das Dores. Hoje, somos todos romeiros: romeiros os que vêm, romeiros os que ficam e romeiros o que vivem aqui. Romeiros da Mãe de Deus, mas também romeiros do Padre Cícero, que foi o primeiro romeiro da Mãe das Dores.
Escrito por Assis Ferreira às 11h28
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Sorvedouro de verbas
Sabe quantos livros vendemos? Cerca de quinze, vinte. Para começo, o [meu] livro [Crônicas] seria lançado na Câmara Municipal, que marcou para a mesma noite a outorga de título de Cidadão de Juazeiro do Norte a um superintendente da Polícia Federal, que no discurso foi coerente e disse não saber a razão do título. Fomos para a Associação Comercial. Público? Que público, que nada! Umas trinta, quarenta pessoas. Até hoje o livro está apodrecendo num canto de parede da casa de Demontieux Fernandes.
Livro feio. Sem capa. Sem adulação a políticos. Sem bajulação a ricos. Sem reverência a oportunistas. Sem disfarce da nossa triste realidade política. Sem recomendação. É um antilivro. Se algum dia tivermos um homem sério que escreva a nossa história, o livro poderá dar-lhe alguma contribuição. Estarei pago.
Assis Ferreira, Estarei pago, (26.02.2005)
Que calor é este, minha gente? Em algumas tardes e algumas manhãs, as nuvens têm ficado intumescidas e de cor cinza-escuro carregada. Animamo-nos com o ligeiro frescor trazido pela preparação de chuva, que não vem. Vez por outra, as nuvens soltam gotas de chuva, tão poucas, que podem ser contadas, por deixarem espaçosas marcas na areia ou no asfalto. As nuvens logo murcham e desaparecem. Aí o calor aumenta, porque o vento não sopra. É tão escasso quanto a chuva.
O Governo era para nos subsidiar a energia elétrica, vez que o clima nos obriga a usar amenizador de calor, dia e noite. Todavia, de forma nenhuma nos socorre. Talvez esteja convicto de que esta queima lenta e continuada é antecipação do purgatório, purifica-nos dos pecados, e assim, ele nos faz o inaudito favor de nos passar da Terra diretamente para o Céu. Que Governo pai d’égua!
Voltando eu da padaria, às 6h30min, a um romeiro dos muitos que demandavam o Santuário do Coração de Jesus, perguntei se na terra deles o calor era assim, ao que ele respondeu não. A romeira mais perto dele, disse que “ontem nós não dormimos, de calor”.
Estou convencido de que o Governo não deseja que sejamos corretos com ele nem conosco. As tantas dificuldades opostas a quem deseja regularizar construção antiga por defeito de escritura são tais, que desanimam qualquer cristão. O Governo não é prático. A única preocupação que tem é a de arrecadar impostos. Tão voraz arrecadador desconfia de todo mundo, cria entraves legais, estimula a corrupção e a fraude.
Quase cem milhões de reais para o anel viário, que é um desvio do trânsito. Tremo de medo que após as eleições seja mais uma obra começada e não acabada. Outro Centro de Apoio ao Romeiro, um sorvedouro de verbas.
Escrito por Assis Ferreira às 18h08
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Ora eu vou, ora eles vêm
Monsenhor Murilo diz que fevereiro fecha o ciclo das romarias. No programa Romaria de finados (28 de outubro a 2 de novembro de 2003) diz-se que "os romeiros pedem a Juazeiro acolhimento humano, caridoso, fraterno; espaço para estacionamento; lugar para aguardar as Celebrações da Santa Missa; tranqüilidade e segurança para movimentar-se; atenção para os IDOSOS, CRIANÇAS, e perdidos."
Ora, os romeiros perderam espaço desde que interrompida definitivamente a construção do Centro de Apoio ao Romeiro. Não ouvimos ninguém influente protestar contra a interrupção das obras nem contra as construções naquela vasta área diante da igreja de Nossa Senhora das Dores, hoje, Santuário Diocesano Nossa Senhora das Dores. Outra prática anti-romaria foi a estação de esgotamento sanitário, que hoje cobre de fedor e de vergonha a cidade. Qual a voz que se ouviu contra a inconveniente localização da obra? Já reuniram os rancheiros para os instruir a mandar imprimir e distribuir aos romeiros cartões com o nome, o endereço e o telefone do rancho? Por que, à entrada de Juazeiro do Norte, vindo de Barbalha, não se distribui aos romeiros um guia de procedimentos e de orientação?
Assis Ferreira, Está à porta (03.01.2004)
André tem curso nos primeiros dias de fevereiro, antes das aulas da escola, em março, razão de ter marcado para 3 de fevereiro a passagem de volta para São Carlos.
Quando os filhos foram criados sempre em companhia dos pais e dos irmãos, dizemos que foram criados debaixo das asas da mãe, tal como faz a galinha com os pintainhos. Quando um se separa dos outros, haja saudade. Saudade vira tristeza e tristeza vira doença.
A primeira leitura de hoje (1Sm 17,32-33.37.40-51) nos fala de Davi, o caçula de Jessé escolhido para rei, em substituição ao rei Saul. Pois dos pintainhos criados por nós, Lucas é o Davi: é desembaraçado, comunicativo, autônomo. Os três outros são quase o contrário. Nós não o dirigimos. Aliás, nossos filhos ficam à vontade, quanto possível, em questão de estudos e do que desejam seguir como profissão. Jamais impusemos que os nossos filhos sejam os melhores da escola, sigam esta ou aquela profissão. Leonardo, por exemplo, em Fortaleza, abandonou os estudos: “Não quero estudar mais, não.” Demos-lhe conselhos, pois nos cumpre orientar, sem imposição. Ele, porém, largou os estudos de vez. Lucas, há três semestres, fechou a matrícula no curso de Direito. Pôs uma prestação de serviços de informática. Está tocando a vida, embora sua pretensão fosse Medicina. Fechar a matrícula está sendo um erro, que a mãe admite como decisão certa: “A gente só faz o que quer”. Eu apenas lamento.
Em março, começos, Maria irá para São Carlos, para acompanhar André, decisão que tomamos como prevenção. Acato a sugestão de Dom Fernando Panico de ficar indo visitá-los, e de alternar com eles as visitas: ora eu vou, ora eles vêm.
Escrito por Assis Ferreira às 22h09
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O problema é administrar
Eu gostaria de o mundo acabar sem muito barulho, sem muito sofrimento: uma espécie de onda de rádio invadiria a Terra e nos extinguiria dela, que ficaria desocupada para outros vagabundos, dos que dizem existir. Aliás, pelo que se lê, não é duvidoso que eu não seja eu, que você não seja você. Há quem diz que fomos o que não somos e somos o que não fomos.
Não quero confundir o leitor, que já deve estar sabendo o que é TRV ou Terapia Regressiva Vivencial. Sabe não? É mais ou menos isto: um psicólogo faz alguém entrar em estado emocional, que lhe dá a sensação de estar num sono profundo, porém, consciente — ouvindo e entendendo. Não vê nada à frente. Vê tudo atrás. Fica meio hipnotizado. Aí começa a vê o que foi. Como se estivesse vendo o filme da sua existência passada, sabe-se lá há quantos séculos, milênios, bilênios.
Assis Ferreira, Valei-me, meu Padim Ciço! (02.04.1997)
O Presidente Lula não quis investigar o governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso. Agora, quer. Por quê? Folhaonline (16.01.06) dá-nos a resposta: “Enquanto o governo Lula é investigado por duas CPIs -- dos Correios e dos Bingos -- os governistas podem dar o troco político com a criação de uma comissão criada nesta segunda-feira para investigar as privatizações que ocorreram na gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).”
Mas não eram as privatizações o remédio prescrito por todos os bons economistas para o Brasil melhorar sua economia? Não se dizia que o Estado não podia ser empresário? Quem gritou contra as privatizações, além do Governo atual, que à época era oposição e estava doido para ser Governo, fingidamente dizendo ser o salvador da pátria? O próprio Delfim Netto, fariseu da Economia, que uma vez foi mau ministro da Fazenda e outra vez foi péssimo ministro da Fazenda, — como todos os predecessores seus e os sucessores seus, contados dez anos antes, dez anos depois, em uns encontrando ele falhas, nos outros vindo ele a botar falhas, — o próprio Delfim Netto não concordava ora em gênero, ora em número, ora em grau, ora em gênero, número e grau com as privatizações? Que hipócritas!
Triste governo o que se esconde detrás da vingança. Clóvis Rossi, no correio eletrônico Fora Lula, o qual foi petista doente, está decepcionado com o Presidente Lula, que ora adota tudo o que reprovava como candidato a presidente da República.
Eu e outros ignorantes duvidávamos que o Governo estivesse certo, “dando” as empresas nacionais a particulares. Eu continuo errado: acho que o Governo deve ter bancos, correios, telecomunicações, estradas de ferro, previdência social, usinas de energia elétrica, refinarias de petróleo, fábrica de aviões, de armas e veículos bélicos, portos e aeroportos, laboratórios farmacêuticos, serviços médicos. Ficar à mercê de particulares... O problema não é ter. O problema é administrar.
Escrito por Assis Ferreira às 07h06
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Solução da demanda
A uns meses da inauguração da Faculdade de Medicina, à porta desta, conversei com Mauro Sampaio, então prefeito, que estava acompanhado do vereador José de Amélia, então carne e unha com ele, e ouvi dele que o Município garantiria cinco bolsas de estudos a alunos (precisa dizer pobres?) que venham estudando exclusivamente em escola pública.
Agora, sua excelência o prefeito Carlos Cruz conseguiu aprovar na Câmara Municipal a redução das cinco bolsas de estudos para três bolsas de estudos. Os dezoito “vereadores do prefeito” votaram sim; os três vereadores da oposição votaram não. Nos dezoito “vereadores do prefeito” está meu amigo de mais de cinqüenta anos, sua excelência José de Amélia.
Assis Ferreira, Adie tudo para 2004 (01.01.2003)
Vindo eu de comprar peixe, — na sexta-feira, evito comer carne, a pedido do Padre Cícero, seguindo tradição de meus avós paternos, — vindo eu de comprar peixe, o dono de um restaurante me perguntou “Quem é melhor [político para presidente do Brasil]: Lula ou Alckmin?” Respondi-lhe que não confio em político nenhum. Ele, outro dia lulista de primeira, disse que vai anular o voto, “o que muita gente vai fazer”.
Zé de Amélia... Conheci-o ferreiro e trabalhamos na mesma oficina, eu como aprendiz, ele como mestre ferreiro. Fazíamos facas de excelente qualidade, com têmpera suficiente para a ponta da faca furar moeda de dinheiro. O cabo era de embuá, por semelhante às listras que o inseto apresenta: entre um e outro anel de chifre de bovino um anel de metal amarelo, feito de lata de lança-perfume. Esta combinação era repetida até completar o cabo da faca, chamada jardineira, por seguir o modelo de um ferreiro de Jardim, dizem. Zé de Amélia...
Só a lei obriga. Eis por que o que é contra o pobre logo é aprovado pela Câmara Municipal, pela Assembléia Legislativa, pelo Congresso Nacional. Só a lei desobrigada. Eis por que o que é a favor do pobre quase sempre não é aprovado pela Câmara Municipal, pela Assembléia Legislativa, pelo Congresso Nacional. E se for aprovado, será lei morta. O Estatuto do Idoso funciona? A chamada Lei da Fila funciona? A primeira certidão civil de casamento ou de óbito, por ser gratuita, é em papel tão ordinário, que logo se rasga.
A lei que funciona plenamente é a criada na prática pelo comércio, pelo banco, porque só a eles favorece. Quem de nós sabe a taxa de juro oficial? Quem sabe a taxa de multa contratual? Quem sabe a taxa do juro de demora no pagamento?
Na justiça, é melhor sofrer demora na tramitação do processo do que recorrer ao tribunal, porque isto é eternizar a solução da demanda.
Escrito por Assis Ferreira às 11h19
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Deus é testemunha disso
Monsenhor Murilo, na homilia de Dia de Reis, fez uma comparação interessante, referindo-se ao mandacaru, visto na televisão, transportado para ser levado ao fogo para queima dos espinhos e depois ser cortado como ração para os animais: é isto uma conseqüência da seca. Deus, porém, não quer a seca, a fome, o sofrimento; o que acontece é muita gente botar mandacaru na vida. É verdade: muitos dificultam a marcha da vida, pondo-lhe no caminho barreiras de espinhos, como o são a ganância, o egoísmo, a exploração comercial, o baixo salário, o tráfico de drogas, o jogo, as políticas desastrosas.
Assis Ferreira, Indesejável rapé (08.01.2004)
Estou-me acostumando a ouvir Dom Fernando Panico (bispo diocesano) na missa das 6h. Eu e a população radiouvinte. Depois de 2 de fevereiro, talvez ele venha cá apenas concelebrar no dia 20 de cada mês, dia do falecimento do nosso nunca esquecido Padre Cícero. Nas romarias de setembro, novembro e fevereiro contamos com a presença dele, se Deus quiser. Também no dia primeiro de janeiro de cada ano, lá no Horto.
Dom Fernando diz que “ninguém substitui ninguém, apenas o sucede”, e eu tenho igual opinião. Tem ele já o sucessor de Mons. Murilo, mas o nome do sucessor será dito apenas no dia 2 de fevereiro, — encerramento da Romaria [de Nossa Senhora] das Candeias. Faz ele muito bem: as romarias são as meninas dos olhos da Diocese. E assim devem ser: acho que raramente se terá tanta romaria como em Juazeiro do Norte, que se constitui um olho d’água do rio da fé. Todo cuidado com estas romarias é pouco.
Que nos venha um pároco humilde e virtuoso. Um pároco que repugne a concordância interesseira: nem todo o que diz “Senhor, Senhor” terá o reino do céu (Mt 7,21).
O caro Padre Bandeira tem “desasnado” na Paróquia de Nossa Senhora das Dores. É moço. Faz boas homilias (põe o evangelho na vida prática). Vai bem.
O que se precisa corrigir na Paróquia... Com que autoridade direi isto? Com a autoridade da sinceridade. O que se precisa corrigir na Paróquia é o tratamento de certas pessoas com os fiéis: a cortesia devida aos humildes é uma virtude, chamada Caridade. A cortesia excessiva (além da devida) com os poderosos é um defeito, chamado adulação. Esta é a que mais vemos. Corrijamos o erro: “Bem sabeis que nunca usamos palavras de adulação, nem procedemos movidos por disfarçada ganância. Deus é testemunha disso” (1Ts 2,5).
Escrito por Assis Ferreira às 23h16
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Mãe de Deus e Mãe nossa
Pode ser que, por algum descuido, eu morra. Antes disso, digo que não consegui fazer quase tudo e sobretudo não consegui ler O Exorcista, Jorge Amado, Rachel de Queiroz, quase todos os que escrevem um livro de manhã e outro de tarde, como é o caso de Paulo Coelho, ainda que universal. De Jorge Amado li algumas linhas. De Rachel, um livro.
Assis Ferreira, Exceção não é regra (23.04.02,II)
Hoje, eu acrescentaria que não consegui ler Santo Agostinho, uma biografia, de Peter Brown, e quase não lia Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de São Luís Maria de Grignon de Montfort. André está melhorando, depois do meu pedido a Nossa Senhora das Dores. Graças a Deus! Às 19h, se Deus quiser, iremos todos à matriz da nossa Padroeira, para a missa em ação de graças pela saúde desse rapaz. Se Deus não mandar o contrário, ele voltará curado aos estudos. Mas... se ele não melhorar, vou rebelar-me contra Deus? De jeito nenhum! Não sei o que peço a Deus, porém Deus sabe o que me dar (Mt 7,7-11).
Venderam-se a preço de banana as estações e as casas de turma da estrada de ferro do Ceará. A Prefeitura deixou que invadissem o triângulo de manobras de trem aqui em Juazeiro do Norte, apesar de a invasão ter sido feita à vista de todos. Eu mesmo dei gritos de alerta, o último dos quais na crônica Pai de todos os males, de 11.01.2005. Agora, fala-se em desapropriar a estação para implantar trem de passageiros. Falou-se em trem interurbano de Juazeiro do Norte a Crato, e em uso do espaço do triângulo de manobras para terminal de ônibus. Quer dizer, o Governo nunca soube que o trem é o jumento de ferro. Todos nós sabemos a serventia do jumento, mas o Governo se faz de burro.
Eu nunca tive tanto medo, quanto agora, com essa história de controle de armas de fogo e de venda de munição. Proibir, ou dificultar, é estimular a procura e o uso. Eis que todo indivíduo de má índole parece ter arma de fogo. Ainda ontem (10), na Rua de Santa Rosa, mataram à bala um comerciante. Diz-se que na cidade alugam-se revólveres para uso diário. Naturalmente, a arma vem municiada, pronta para uso. Entende-se: a lei é relativamente mais rigorosa com quem mata um passarinho do que com quem mata um homem.
Defenda-se cada um de nós com a arma poderosa recomendada pelo Padre Cícero: o rosário. Entregue-se cada um de nós à proteção segura da pessoa indicada pelo Padre Cícero: Nossa Senhora, Mãe de Deus e Mãe nossa.
Escrito por Assis Ferreira às 14h09
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Não respeitam ninguém — 09.01.06
O tsunami de umas semanas passadas faz vítimas na imprensa. De Roberto Pompeu de Toledo, jornalista, li, na revista Veja, ensaio em que ele ironiza Deus, acusando-o de indiferença com o sofrimento das vítimas do maremoto. Como coisa que Deus tem de estar regulando a natureza, de tal sorte, que os fenômenos sejam como queremos que sejam e não como são. Maré, sim. Principalmente das que dão para surfar à vontade. Deus? Que Deus, que nada! Deus só na hora da catástrofe. Antes disso, para que Deus?
Assis Ferreira, Transporte gratuito (21.01.05)
Não sei dizer ao leitor minha emoção, quando escrevia Deus é uma mãe, de bom, dia 8: o estado do meu rapaz preocupa, porque pode agravar-se e caminhava para isto. O problema aumenta, quando sabido que no final do mês ele terá de voltar às aulas, e o bom senso recomenda que não deve ficar sozinho em São Carlos. Até erro de tratamento eu cometi no penúltimo parágrafo.
Uma romeira, ou turista, das bandas do Rio Grande do Sul, ficou horrorizada com a pobreza que viu no Horto.
Eu volto a dizer que a Prefeitura, se quiser realmente dar ao Horto a aparência de um ponto turístico, ou de visitação, há de desapropriar as casas que ficam na subida a coisa de cem, cento e cinqüenta metros do monumento, e urbanizar adequadamente todo o terreno.
Falecido domingo (8), Eliseu Manoel Damasceno, ex-vereador por umas quatro legislaturas, está sendo velado em casa, esquecido pela Câmara Municipal, que, até as 11h do dia 9, nenhuma homenagem prestara ao falecido. Um amigo meu e do falecido estava escandalizado com o descaso da chamada Casa do Povo.
Fui ver o jogo do Icasa com o Ceará. O Icasa acabava de comemorar o segundo gol, quando o Ceará fez o seu primeiro gol e imediatamente fez o segundo, empatando o jogo.
Quem entende de futebol, tachou o juiz Manoel Moita de parcial, pois não teria marcado dois pênaltis cometidos pelo Ceará.
Esperei boa parte do público deixar o estádio, para eu então sair. Estava chegando à saída principal, quando torcedores do Ceará e torcedores do Icasa trocaram empurrões e pontapés nas arquibancadas. Policiais entraram na confusão. Os torcedores do Ceará ficaram encurralados no estádio durante minutos. Vieram dispostos a brigar com “os romeiros”. Homens do GATE deram tiros de bala de borracha e distribuíram pancadas, recebidas por quem não as merecia. Depredou-se um ônibus de Fortaleza. Sem contar que durante o jogo os palavrões não respeitam ninguém.
Escrito por Assis Ferreira às 11h22
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Antes de despedir os fiéis da missa das seis horas, dia 18 [de janeiro de 2005], Monsenhor Murilo disse “estar rouco de pedir aos romeiros que informem à Paróquia o número de romeiros que vieram no transporte; que peçam ao rancheiro o cartão do rancho, ou que pelo menos saibam o nome do rancho e da rua onde fica o rancho”. Pois assim estou eu: rouco de gritar por ações que ponham Juazeiro do Norte em marcha de cidade de porte médio.
Assis Ferreira, Arranjos (18.01.05)
Terça-feira (10), chuviscada por São Pedro, que economiza água conosco. Às 4h e alguns minutos, Lucas chegou das provas em João Pessoa. Acordei com ele e a mãe conversando. Sobre a mesa de jantar, um presente de Lucas: o livro Médico de Homens e de Almas — A história de São Lucas, (Dear and Glorius Physician) da autora Taylor Caldwell, pela Editora Record, Rio — São Paulo, 669p, 38.a edição, 2005, R$ 50,00, tradução de Aydano Arruda.
“Foi ele [Lucas] o único apóstolo que não era judeu. Jamais viu Cristo. Tudo quanto está escrito em seu eloqüente mas limitado Evangelho foi adquirido através de pesquisas, ouvindo testemunhas, a mãe de Cristo os discípulos e os apóstolos”, informa a autora no Prefácio.
Informa, também, que apesar de ter passado quarenta e seis anos escrevendo o livro, ele ainda não está completo.
Não poucas vezes, quarenta e seis anos é mais do que uma vida. Eu só tomara que o livro possa ser lido em 46 dias, senão eu vou terminar de o ler na eternidade, pois estou lendo, com intervalos, as Confissões, de Santo Agostinho, para o que desisti do Santo Agostinho, uma biografia, de Peter Brown.
Demontieux Fernandes, que edita o Folha da Manhã, começou o ano desagradando com notícias. Hoje, Zezito refutou o verbo ironizar [a ausência do prefeito num evento], usado numa notícia sobre certa associação de classe.
Todo ano espero que o Folha da Manhã receba melhor atenção. Ele não muda. Entendo que não chega ao ponto desejado por falta de dinheiro. O que não entendo é que não melhore a aparência, porque aí não é falta de dinheiro, é falta de querer.
Escrito por Assis Ferreira às 11h20
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Deus é uma mãe, de bom
Não duvido que o ladrão [que arrombou a capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro] seja filho nosso. Não filho da nossa carne. Filho da nossa falta de caridade.
“Se eu pedir ao padre, ele me vai dar menos do que eu preciso. Talvez nem possa dar (o que é impossível). A cidade nada me deu: nem trabalho, nem dinheiro, nem comida, nem esperança, nem crédito: achou que sou vagabundo, que não trabalho porque não quero. Agora, ou roubo ou morro de fome.”
Se alguém foi ladrão por extrema necessidade, salvemo-lo conosco.
Assis Ferreira, Salvemo-lo conosco (07.0-2.04)
Tia Lindalva, acometida de depressão, ficou tão indiferente à vida, que não apanharia nem nota de cem reais deixada no chão, nem ouro, nem brilhante. Não tinha vontade de comer, de beber, de falar. A vida era nada. A morte era nada. Ficou um vegetal. Que coisa terrível, meu Deus!
Agora, estou com o problema dentro de casa. Coitado de André! É triste ouvi-lo dizer, com voz sumida e meiga:
— Quero não, papai.
Tudo é não. Não à alegria. Não ao alimento. Não... Apenas um sim: ao alheamento. À fuga da realidade. Ao recolhimento em si mesmo. Meu Deus!
Psicólogos que atendem pelo nosso plano de saúde apenas quatro. Todos de férias, exceto uma, que está de resguardo.
Vão todos pra China, que eu tomei uma decisão: quis incomodar o Padre Cícero com novo pedido de intercessão junto de Deus por nós. Maria disse preferir Nossa Senhora das Dores. Aceitei a sugestão.
Pois, olhe, Mãe das Dores, à vossa poderosa intercessão eu entrego André, um dos vossos netos, porque um dos filhos do vosso Filho. Ainda esta semana, pedirei ao Padre Bandeira que inclua André nas intenções de uma missa da noite, da qual participaremos, se Deus quiser.
Se o Senhor, meu Deus, está pondo-me à prova, farei tudo para não decepcionar o Senhor. Só lhe peço que venha um tanto brando: veja meu físico, veja minha fé: sou um pingo de gente, e a fé é quase nada. O Senhor sabe disto. Não serei Davi, mesmo porque não sou belo, nem forte, nem “menino”. Não serei Jacó, pois não sei lutar. E se o soubesse, qual minha vantagem com o Senhor? Vede que sou pequeno de estatura, mas não sou Saulo de Tarso e nunca serei Paulo de Tarso. Portanto, meu Amigo, vinde devagar. Nem é preciso que me façais cair do cavalo, pois há muito estou fora da sela.
Nossa Senhora das Dores me desculpe incomodá-la. Recorro à sua intercessão em confiança de filho e porque Deus é uma mãe, de bom.
Escrito por Assis Ferreira às 13h25
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Deus o abençoe
Fico feliz com as críticas e com as sugestões. [Referia-me ao “site” Juazeiro do Norte, porém a observação vale para as crônicas.] O que eu quero é que me leiam e que reflitam sobre alguns pontos que podem melhorar a cidade para nós todos. Nunca tive outra intenção. Não quero aplausos. Quero uma cidade desenvolvida, que não nos faça passar vergonha com o visitante que vem de Campina Grande, de Natal, de Fortaleza, do Rio de Janeiro, da França. E, quando eu merecer aprovação, quero que me ajudem a divulgar as idéias. Pouco a pouco, iremos formando opinião pública.
Assis Ferreira, O que enche Judas é molambo (08.01.02)
Costumo ficar de bermuda e sem camisa, quando estou em casa. Assim estava eu sábado, dia 7, coisa das 8h: chegara do mercado com as compras e estava bebendo café com tapioca de coco. Ouvi Maria dizer que estava “chegando gente”. Como é comum termos pessoas em casa, — amigos dos “meninos”, — fui abrir a porta, levando o chicrão de café numa mão e a tapioca na outra. Na boca, uma porção de tapioca. Quando percebi quem chegava, foi tarde: não tive tempo de vestir camisa nem de deixar o café e a tapioca e me ajeitar um pouco.
— Peguei o senhor de calças curtas! brincou o visitante.
Raimundo, que dirigia para Monsenhor Murilo, não entrou.
Quem lê as crônicas já conhece a pessoa que me trata por senhor. Não é uma pessoa comum, de minha intimidade. É um amigo a quem respeito sobremodo. Rapaz simples, apesar da autoridade que é. Por sinal, pessoa que costuma estar no meio dos pobres, abraçando um aqui, outro acolá. Rezando com eles. Ouvindo-os em confissão. É um missionário.
Fiquei desajeitado para ninguém botar defeito.
— Maria, venha ver quem está aqui!
— Estou-me vestindo. Vou já.
Minutos depois, Maria apareceu. O visitante estava comigo à mesa, conversando. Não quis café, pois acabava de o tomar. Ela o cumprimentou e ficou conosco. Eu já vestira uma camisa.
Conversamos ligeiramente sobre alguns temas.
O visitante foi-me perguntando por meus filhos: Lucas tinha ido a João Pessoa fazer a segunda fase do vestibular para Farmácia. Juliano estava dormindo, ou apenas deitado. Leonardo vinha do banho e saudou o visitante.
— André?
— André está dormindo. Infelizmente, um tanto deprimido.
Eu só tive padre em casa no casamento e em uma renovação. Monsenhor Murilo nunca veio cá, por falta de convite e de tempo dele. Aí num sábado, eu todo desmantelado, me vem o bispo diocesano! Deus manda de sobra. O nosso abraço, Dom Fernando Panico. Deus o abençoe.
Escrito por Assis Ferreira às 22h42
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Sob o nome de O Gato
A Rua do Padre Cícero, a Av. do Padre Cícero estão esburacadas. Quatro ou cinco carradas de asfalto entupiriam os buracos dessas ruas. Umas dez carradas de asfalto bastariam para refazer-se o acostamento da Av. do Padre Cícero, da Av. de Leão Sampaio e da Av. de Castelo Branco. Mas parece que esse dispêndio está acima do interesse da Prefeitura, que é quem pode mandar a Secretaria de Obras. / Nenhuma iniciativa da Prefeitura para transformar em área de lazer o trecho da linha de ferro entre a estação, a Praça de José Geraldo da Cruz (falecido pai do prefeito) e a praça defronte da igreja dos franciscanos. Aí se aproveitaria para melhorar a Av. de Arlton Senna, que morreu sem saber que Juazeiro do Norte existia. / Os Correios, que não são burros, ainda não iniciaram a construção da agência regional: Crato é uma contramão. Bom seria Juazeiro do Norte. Mas cadê homens, para entrarem em entendimento com a Direção da ECT? O prefeito foi inábil na negociação, pelo que se ouve dizer e se leu. Os deputados, sabendo disso, por que não deram socorro à Prefeitura?
Assis Ferreira, Só serve pra panela (29.01.02)
Eu já disse que posso deixar de escrever as crônicas quando bem quiser, pois se Demontieux Fernandes (Folha da Manhã) for republicando-as, será como se eu as estivesse escrevendo, visto que, de uns tempos a esta parte, quando há mudança é por deterioração da obra, que piora. Releia Só serve pra panela.
Os que me dizem que “Demontieux devia ter cuidado e ajeitar o jornal [Folha da Manhã], que ninguém consegue ler”, digo que a causa não é desleixo, é falta de dinheiro para comprar uma peça da impressora. Se houve quem pague anúncio e assinatura do jornal, o problema será resolvido. Foi o que ele me explicou.
De fato, fazemos de centavo meu dinheiro. Somos de uma mesquinhez detestável, quando se trata de coisa e de gente daqui. Quando se trata de picareta, aí, não, num instante abrimos a mão ao ladrão e pegamos o mico.
Se existe um troço que ainda abre a boca contra certo estado de coisas nesta cidade é esse jornal. Tanto que é lido (quando sai legível) até em repartições públicas. Quando as letras são borrões (virou quase regra), vê-se o leitor tentando adivinhar o que se quis escrever. Gosta-se de ler o jornal, desde que passado de um leitor para outro, sem despesa.
Como é o único sobrevivente de todos os jornais nascidos aqui e sepultados na vala comum da nossa indiferença, o Folha da Manhã, que vem em prolongado estertor, deveria ser rebatizado sob o nome de O Gato.
Escrito por Assis Ferreira às 14h13
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Puxem-me as orelhas
Puxem-me as orelhas
O que digo é que a soma de necessidades, a necessidade continuada precipita o homem no abismo do crime. O homem mais honesto, o homem mais ordeiro, carregado de misérias, proponde para a criminalidade.
Assis Ferreira: Desperta, Juazeiro! (18.09.97)
Pouco a pouco, o prefeito vai arrumando a casa para administrá-la bem: “O teatro Marquise Branca abriu espaços para abrigar a sede da Secretaria de Cultura de Juazeiro que, a partir de segunda-feira, volta a funcionar em dois expedientes a exemplo de toda a prefeitura”, segundo comunicação oficial.
Descobriu-se, por fim, que o minúsculo teatro há de servir para alguma coisa. E que não se admite que à tarde não se tenha Prefeitura.
Também hoje (6/1/06), o “viva Jesus Cristo” foi aclamado com o devido fervor. Para alguma coisa serviu a crônica e o puxão de orelha público do bispo no cronista.
Aproveito para repetir o que tenho dito nas crônicas: os católicos, que não abrem o bico para dizer nada aos padres, ressentem-se da evangelização que não vai explicando uma pontinha do culto nas homilias, que hão de ser postas na prática da vida. “Estendam a mão para Nossa Senhora das Dores para lhe pedir a bênção. Não é pedir a bênção à estátua, mas à santa, pois não se venera estátua. Venera-se o santo que ele representa. E nós adoramos apenas a Deus. A estátua é apenas para ajudar a lembrar o santo.” Foi mais ou menos o que disse o bispo no carão que me deu e com o qual acordou os fiéis do erro em que vinham. Vê-se, pois, que não é tão difícil evangelizar corretamente. Palavras simples são entendidas pelo povo.
“Cuide desse povo”, disse Jesus Cristo, em sonho, ao Padre Cícero. Que povo era esse? O pobre, o injustiçado, o analfabeto, a viúva, o órfão, o faminto, o doente, o preso, o perseguido, o bêbado, o ladrão, que têm fome e sede de justiça (Deus).
Tenhamos preocupação com a interpretação do que nos é dito e do que lemos. Na saudação aos pais pelos cinqüenta anos de casamento, Demontieux Fernandes disse que o pai (Otávio) se casou duas vezes: uma com a roça e outra com a noiva (Geni) e permaneceu fiel a ambas e amando ambas: ainda não deixou a roça e ainda está casado com a esposa. Resultado: andaram dizendo que não sabiam que “ele” (Otávio) era viúvo quando se casou.
Sei que abuso de citações, mas tomo a palavras a outros por não saber dizer com a própria boca: não me ofendem as críticas e os puxões de orelha que me melhoram, pois “O que eu peço à crítica vem a ser — intenção benévola, mas expressão franca e justa. Aplausos, quando não os fundamenta o mérito, afagam certamente o espírito e dão algum verniz de celebridade; mas quem tem vontade de aprender e quer fazer algum coisa, prefere a lição que melhora ao ruído que lisonjeia” (Machado de Assis, na Advertência da primeira edição de Ressurreição). Puxem-me as orelhas.
Escrito por Assis Ferreira às 10h52
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Cuidar de outras coisas
Cuidar de outras coisas
Esporte é uma válvula para o vapor da moçada, que vive sem ter no que gastar as energias. Ele há de fazer par com a escola. Se os adolescentes forem confinados, poderão ser arrastados às drogas ou aos crimes. Eis por que a Prefeitura deve conter a invasão de áreas públicas, que poderão ser aproveitadas como praças, como espaço para esporte público, para retreta, para feira móvel de artesanato, para jogo de bila, de carrapeta, de peteca, para exibição folclórica. O ócio é pai de todos os males.
Assis Ferreira, Pai de todos os males (11.01.05)
Não estive na missa de corpo presente do falecido Monsenhor Murilo, por motivos de ordem pessoal. Também por motivos pessoais, não pude ir à missa do trigésimo dia, à noite de hoje (04.01.06). Ao chegar a casa, liguei o radinho e ouvi Dom Fernando Panico, no final da celebração, advertir os fiéis de que um amigo dele escreveu numa crônica que o “viva o Padre Cícero” tem sido mais vibrante do que o “viva Jesus Cristo”, costumeiramente pedidos pelo celebrante ao despedir os fiéis.
“Não sei se ele [quem escreveu a crônica] está presente ou se está ouvindo no rádio”, disse o bispo, mas vamos fazer o teste. Resultado: Padre Cícero e Monsenhor Murilo foram talvez aplaudidos por igual. Nossa Senhora das Dores foi mais aplaudida do que eles. E Jesus Cristo mais do que todos juntos. Graças a Deus, o bispo foi entendido. É assim que o fiel tem de reverenciar os santos, porque o Céu tem a sua hierarquia de valores. Quem reler a crônica Um caso é de fé, outro caso é de vista (30.12.050) verá que eu disse coisa parecida com isto nas últimas cinco linhas da crônica: justifiquei que os fiéis procediam assim porque estavam sendo mais realidade (ver, tocar) do que fé (acreditar no que não vê, no que não viu).
Na verdade, escrevo enviesado e assim, como disse São Paulo, “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero” (Rm 7,19). Sim, porque me pélo de medo de fanatismo, como tenho dito nas crônicas. Logo, de modo nenhum, diria como talvez tenha sido entendido por leitores, por falta de clareza do texto. É hora de eu cuidar de outras coisas.
Escrito por Assis Ferreira às 23h25
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Trem do progresso
Sabe o que tenho nas mãos, fora os dedos? O Jornal do Cariri, edição de domingo, 30 de julho de 2000. O jornal publicou com exclusividade o plano de governo de cada candidato a prefeito. O Programa de Governo de Carlos Cruz era a síntese dos planos de governo dos onze partidos da coligação por ele representada. / O turismo seria uma das primeiras coisas a fazer.... / Em um ano de prefeitura, o que Carlos Cruz já fez pelo turismo em geral? A resposta é dada pelo estado deplorável do Horto, do terreno do antigo Centro de Apoio aos Romeiros, do Parque Ecológico, das ruas, do aeroporto, dos mercados, das praças, da estação de esgoto sanitário. / Os professores seriam treinados e atualizados para ficarem no ponto. A capacitação do pessoal da Secretaria de Educação e uma Universidade estão no Programa. / Seriam! / A Prefeitura teria sua fábrica de asfalto, para que toda a cidade fosse asfaltada. A cidade seria um pretume só! / Teria! Seria! / A parte social do Programa constava de casas para o povo, saneamento básico, limpeza pública, segurança, água, eletricidade, praças de esporte em todos os bairros para os adolescentes.
Assis Ferreira, E a história dirá o prefeito que tivemos (17.11.01)
Acredite em político quem quiser. Eis por que recebo com reserva as notícias de tantas coisas boas para Juazeiro do Norte. Na data da crônica (17.11.01), o prefeito estava com onze meses de administração. Podia ser desculpado: estava novo no cargo. Mas em 2004, a ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) propôs ao Município a doação de terreno para ela construir uma agência regional: seríamos um centro de distribuição de correspondência, com empregos estáveis, com o nome ainda mais conhecido no Brasil e no exterior. Perdemos outras empresas, industriais e mercantis, por falta de incentivo do Município. A fábrica de remédios genéricos virou fumaça.
Queriam os empresários mais do que mereciam receber? Explicasse a Prefeitura ao povo a razão de recusar a barganha, porque cada prefeito que sai do mandato sai bem; a população é que fica amargando a derrota do Município.
Quem quiser lembrar algumas promessas feitas como favas contadas e não cumpridas leia minhas crônicas, que servirão de fio da meada a pesquisadores, posto que aqui pouco se diz a verdade, porque a verdade desagrada os políticos e nega pão aos arautos.
Dito isto, sugiro ao prefeito que consulte os oráculos (tomara que tenham mais responsabilidade com a cidade do que os anteriores) sobre a conveniência de aumentar às promessas, que vêm sendo anunciadas, a realidade da agência regional dos Correios. O momento é favorável, porque estamos em ano de eleição: o presidente da República e os deputados federais querem aparecer.
Ótima idéia do prefeito a de botar os secretários municipais nas ruas para ouvir “o clamor e as reivindicações populares”, já que os vereadores não fazem isto. Mas também, seu doutor, ponha água na caldeira e lenha na fornalha da máquina da Prefeitura para gerar pressão que faça o trem andar. Não falo do trem prometido para Juazeiro — Crato — Juazeiro, porque será a diesel. Refiro-me ao trem do progresso.
Escrito por Assis Ferreira às 23h02
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Ser Maria e ser José
Àqueles a quem tenho desbastado os pecados com estas insípidas crônicas, desejo que se tenham transformado em homens novos. Quem não mudou, para a infelicidade não o encontrar, não dê o endereço a ninguém.
Assis Ferreira, Não dê o endereço a ninguém (01.01.05)
Começo o ano novo com notícias velhas, que nenhum interesse têm para o leitor das crônicas.
Dia 26.12.05, recebi André, que estuda em São Carlos (SP) e veio passar férias conosco. Lucas deu-lhe um churrasco, e remocei quarenta anos naquela noite com a moçada, inclusive amigos dos “meninos” chegados de Fortaleza, e ainda conosco. A casa, pequena, virou rancho de romeiros: dormem todos em colchões, em sofás, em camas. Coisa de doido. Todavia, acolhemo-los na boa vontade.
As crônicas podem ser lidas no blog na internet em http://assisferreira.zip.net (hoje, 01.01.06, com apenas 857 visitas); e o site Juazeiro do Norte pode ser acessado em http://assisferreira.sites.uol.com.br (hoje com a leitura de 18.089 visitas). Esta página vem pedindo atualização, que ainda não fiz, porque André não vem com tempo nem de se coçar.
Na noite de quarta-feira, 28.12.05, ao sair ao jogo de futebol do Icasa (1 gol) contra o Atlético de Cajazeiras (sem gol) pela Copa Integração, deu-me uma irritação na garganta, irritação que virou uma tosse sem jeito, que me tirou a graça das comemorações de fim de ano. Aliás, meus fins de ano e meus começos de ano são assim.
Não costumo tomar medicamento. Lucas, vendo o meu estado, comprou-me um frasco de certo xarope de nome esquisito, e foi isto que me tirou a tosse, que não se foi sem me deixar o tórax tão dolorido, como se estivesse forrado de espinhos.
Não se frustrem os que me desejaram saúde no ano novo. A gripe foi coisa do ano velho. Hoje, estou quase curado. Curado, em vista do que estava. Agradeço a todos.
Naquela noite (28.12.05), eu tinha convite para as bodas de ouro dos pais de Demonieux Fernandes, o casal Otávio Fernandes de Santana e Geni Almeida Fernandes. Claro que não compareci. Mas prometo que à festa dos cinqüenta anos seguintes eu vou, — em espírito, porque morto não gripa.
O que sustenta o casamento? A humildade de cada cônjuge suportar o outro. Sem isto, se cai no que disse alguém como chiste: a mulher mais feliz do mundo é a casada; o homem mais feliz do mundo é o solteiro.
Aos meus quatro filhos (Leonardo, André, Juliano e Lucas) não aconselho que se casem, porém, casando-se, vivam casados, sem o marido botar faltas na mulher, nem a mulher no marido. Sigam o exemplo do casal pai de Jesus.
A Igreja celebra hoje Maria, Mãe de Deus. O ideal é ser Maria e ser José.
Escrito por Assis Ferreira às 11h41
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Um caso é de fé, outro caso é de vista
Se o Padre Cícero fosse o mal e não o bem, estaria resistindo ao tempo e à crítica? O tempo é o cupim da fraude, da mentira, do embuste, do mal.
O Padre Cícero perdoa; eu, não (05.08.02)
Por sugestões do Padre Cícero, a estação ferroviária foi construída fora da cidadezinha. Para campo de futebol escolheu-se terreno uns duzentos metros depois da estação do trem. O matadouro, chamado Modelo, “foi construído nos matos”. O campo de avião, de barro, foi a obra que ficou mais longe.
A quem estranhou a construção da estação do trem fora da cidade, o Padre Cícero respondeu que logo ela estaria dentro da cidade. De fato, a estação veio a ficar no centro da cidade. O campo de futebol deu lugar à igreja (santuário) de São Francisco das Chagas, dos franciscanos, que deram o nome ao bairro. O matadouro foi substituído por outro, mais distante, porque o local virou um bairro residencial e comercial. O campo de avião virou o estádio de futebol Romeirão, nome passado para o bairro. Tudo o que estava fora da cidade, está dentro dela. Tudo que estava longe está perto.
A uma rua perto da estação o Padre Cícero deu o nome de Rua do Seminário que muitos anos depois veio a existir em dependências elevadas nos dois lados da igreja de São Francisco das Chagas e a ela ligadas.
Disse o Padre Cícero que as pedras do Horto virariam pão. Outra vez escandalizou a população. A cidade foi crescendo, porém eram poucas as ruas calçadas com pedra tosca. Quando a Prefeitura resolveu melhorar o calçamento e ampliá-lo, os paralelepípedos e os meios-fios foram cortados das pedras do Horto.
O Padre Cícero recomendou que cada casa fosse um altar e uma oficina.
Há cinqüenta anos, ourivesarias, sapatarias, ferrarias, confecções, marcenarias, funilarias eram a base da nossa economia. Ainda hoje temos dezenas de “oficinas”.
As previsões do Padre Cícero costumam virar realidade. Hoje, acompanho diariamente no rádio a missa das 6h na igreja-matriz de Nossa Senhora das Dores (Santuário Diocesano). Quando o celebrante pede vivas, os fiéis os dão com entusiasmo. Todavia o “Viva o romeiro” é menos efusivo do que o “Viva Juazeiro do Norte”; este é menos vibrante do que o “Viva Nossa Mãe das Dores”, que é menos entusiástico do que o “Viva Jesus Cristo”, que é menos intenso do que o “Viva o Padre Cícero”. Por quê? Não por fanatismo, senão porque nenhum de nós conheceu Nossa Senhora nem Jesus Cristo. Nós os conhecemos pela fé. Muitos de nós conheceram o Padre Cícero, e os outros de nós o conhecem por notícia dos pais, que o conheceram. Um caso é de fé, outro caso é de vista.
Escrito por Assis Ferreira às 13h16
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Querido Padre Cícero
Virtuoso e sincero, mereceu a confiança de quase toda a população. Tornou-se amigo, confidente, compadre e padrinho — Padim Ciço. O povoado foi a vila. A vila tornou-se oficina e altar. De dia, trabalho. De noite, oração. A todos acolhia com solicitude. Tolerante e compreensivo como um bom pai. Tornou-se Patriarca.
Assis Ferreira, http://assisferreira.sites.uol.com.br
Quem escreve esta crônica é uma romeira de Nossa Senhora das Dores e do Padre Cícero, pois é Natal (25.12.05), e eu estou de folga.
Li na Afilhados do Padre Cícero, revista trimestral, n.° 2 — novembro, que a Irmã Maria de Jesus, salesiana, desde janeiro vem cuidando dos ex-votos (promessas) depositados no casarão do Horto como prova de reconhecimento da intervenção do Padre Cícero junto a Deus, do qual tem alcançado graças para quem apela para a intervenção do falecido padre.
Segundo o Dicionário Aurélio, ex-voto é “Quadro, imagem, inscrição, ou órgão de cera, madeira, etc., que se oferece e expõe numa igreja ou numa capela em comemoração de voto ou promessa cumpridos; milagre”.
A Irmã faz o possível para vincular a cada peça a graça alcançada, quem a recebeu, o motivo do pedido da intervenção do Padre Cícero. Faz-se um pequeno histórico do fato.
O milagre referido na revista é relatado por Eunice Reis de Souza, de Caruaru (PE): “Minha filha Elisângela Reis de Souza sofria de uma enfermidade que inchava todo o seu corpo, provocando dores horríveis nos ossos. Ninguém podia tocar o seu corpo e ela vivia internada por causa deste mal. Levei-a a vários médicos e ninguém descobriu que enfermidade era aquela. Um dia, de madrugada, ela, em plena crise, com o corpo todo inchado, gritava de dor, deitada sobre uma pilha de travesseiros. Eu desesperada, sem saber mais o que fazer, abri a porta da cozinha e saindo para fora de casa, em prantos, clamei: — Meu padrinho Cícero, se realmente o senhor é um santo cure a minha filha! Na mesma hora, a minha filha Elisângela sai para fora de casa andando normalmente e sem dores. Eu, surpresa, disse a ela: — O que houve? Ela então me contou que sentiu como se uma água gelada descesse sobre todo o seu corpo, da cabeça aos pés, e imediatamente as dores passaram. Desde aquele dia o problema nunca mais voltou e já se passaram doze anos! Tenho guardado comigo, se necessário, todos os exames e diagnósticos médicos sobre isso. Dou este testemunho verdadeiro para a Glória de Deus e em agradecimento ao meu querido Pe. Cícero.”
Escrito por Assis Ferreira às 20h25
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Eu não faço
Há dois infernos: o da alma e o do corpo. O inferno das almas é ficarem elas separadas de Deus. O inferno do corpo é ficar ele separado da liberdade.
Assis Ferreira, Preso pobre não é gente, é ninguém, 11.08.92.
No ano de 2006, vez por outra, abrirei as crônicas com transcrições de trechos de crônicas de anos anteriores, os quais poderão servir de reflexão ao leitor.
Fim de ano. Se eu estivesse em loja, estaria em promoção: estou cansado. A esperança vira malícia, que se fecha quando se lhe toca. É a realidade a fustigar-me: quanto bem faz Deus, quanto mal faz o homem!
No mercantil, hoje (23), fui importunado por meninos cujo aspecto, cuja higiene, cuja roupa descobriam o estado de miséria em que vêm.
Veja bem: senti-me importunado, porque alguém, menos abonado de dinheiro do que eu, me pedia solidariedade, me pedia que me compadecesse da sua miséria, do seu sofrimento, da sua fome. Eu, saciado, senti-me importunado!
Cheguei a impacientar-me com um menino: acabava de dar minha última moeda, e ele surgiu, persistente em me pedir. Não pedia exclusivamente dinheiro. Por que então não lhe dei um pacote de bolacha? Porque fui egoísta. Porque esqueci de que já passei situação quase igual. Porque não tenho fé. Porque não sou amigo de Deus. Porque sou São Francisco de Assis antes de convertido. Não me lembrei de que “Alguns repartem o que é seu e tornam-se mais ricos; outros poupam mais do que é justo e estão sempre na miséria” (Pr 11,24).
Que péssimo cristão eu sou, meu Deus! Quem sou eu, para ser importunado por alguém igual a mim, senão melhor? A pessoas assim ensimesmadas disse Jesus que “os publicanos e as prostitutas” os “precederão no Reino de Deus” (Mt 21,31). De fato, creio eu, é a indiferença, a falta de caridade, que nos porá no inferno. Já disse isto nas crônicas.
O Natal deveria ser uma festa cristã. Porém é maior o número dos que celebram Papai Noel com muita comida e muita bebida, do que o dos que, com solidariedade, comemoram o aniversário de nascimento de Cristo.
Se o leitor quer ouvir dito com autoridade o que digo sem ciência, abuso das citações e colaciono a Carta aos hebreus, capítulo 13, versículo 16 (Hb 13,16): “Não vos esqueçais da prática do bem e da partilha, pois estes são os sacrifícios que agradam a Deus”.
Sou radical: ou se é de Deus, ou se é do Diabo. Minha maior falta é querer ser mais rigoroso do que Deus: eu tenho certeza de que Deus me perdoou a fraqueza de eu não socorrer aquele menino. Porque Deus faz a diferença entre o bem que fazemos e o mal que fazemos. Eu não faço.
Escrito por Assis Ferreira às 22h23
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Morremos primeiro
BANCO DO BRASIL - BB banca despesas de tribunal em troca de depósitos judiciais
O Conselho Nacional de Justiça quer tirar do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal a exclusividade pela gestão de mais de R$ 50 bilhões em depósitos judiciais. A discussão faz parte de um conjunto de propostas que pretendem definir uma política financeira e administrativa para o Judiciário, com fontes autônomas de receitas e diretrizes comuns aos tribunais de todo o País.
Clipping ANABB, citando como fonte Robson Pereira, O Estado de São Paulo.
Dizia-se que o pobre Judiciário vivia a pedir ao rico Executivo que lhe pagasse as despesas. Ouvia-se que, para ser independente, a Justiça precisava ter dinheiro para custeio próprio, posto que a arrecadação de custas judiciais não chegava para tanto. Inventou-se um sistema de reforma e modernização do Judiciário, para ele ficar ágil. A modernização deu recursos suficientes para os fins desejados e deixou saldo positivo, além de se ter tornado prática permanente, em vez de prática temporária.
Teria o Judiciário chegado à autonomia financeira com a nova arrecadação? Admitimos que não. Porém o Judiciário negociar com bancos a autonomia financeira, parece-nos loucura. Como um dos nossos loucos de rua, que se fazia de fiscal do Estado e não saía de dentro de um paletó, ao ser chamado de doido, respondeu que “Para ser doido aqui [em Juazeiro do Norte] é preciso ter muito juízo”, o Conselho Nacional de Justiça há de estar certo. Pelo menos, antecipadamente foi justificado pela filosofia do louco, pois a loucura é a genialidade incompreendida.
Ao pagar a contribuição mensal de Maria para a igreja do Bom Jesus do Horto, recebi o número 2 (novembro) da revista trimestral Afilhados do Padre Cícero.
Muita boa a matéria Consagração e renovação anual das famílias ao Sagrado Coração de Jesus.
Leio uma a uma as amostras das cartas dos filhados: são pessoas simples, pobres, sinceras, que morrem de amor a Nossa Senhora das Dores e ao Padre Cícero. Estimam os padres mais do que tudo. Têm esperança de ver a igreja construída. Contam os dias para voltar a Juazeiro do Norte em romaria.
Fiquei sabendo que o valor das doações arrecadado ainda não dá como “entrada” do contrato de mais uma “fase da construção” do teto da igreja do Bom Jesus.
Faz muito tempo que se arrecada. Portanto, arrecada-se pouco, ou os custos da igreja são muito elevados. Que se pode fazer e não está sendo feito?
A construção da igreja pegou o ritmo das obras daqui: anda pouco e pára muito. O que anda depressa é o anúncio. Este, tanto anda, quanto aumenta de volume com o fermento do exagero ou do otimismo infundado.
A construção da igreja do Bom Jesus arrasta-se. Há muitos meses está parada. E muitos meses ainda ficará parada. Dizem que a esperança é a última que morre. Logo, morremos primeiro.
Escrito por Assis Ferreira às 20h36
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Viva o rei. Morra o vassalo
Para poder entregar essa soma [mil talentos — mais de 30 t de prata] ao rei [Ful] da Assíria, Manaém levantou em Israel de todos os homens abastados um imposto de cinqüenta moedas de prata por pessoa. Assim, o rei da Assíria retirou-se e suspendeu a ocupação do país.
2Rs 15,20
Por unanimidade da Câmara Municipal, a Prefeitura está autorizada a pagar gratificação a funcionários (mensagem 51/2005), a dar nova estrutura ao quadro de funcionários (mensagem 53/2005), a cobrar taxa de esgoto (mensagem 54/2005) e taxa de uso de poste de iluminação pública (mensagem 55/2005).
Quem não usa a rede pública de esgoto sanitário, e quer isenção do pagamento da taxa, apresenta à Secretaria de Meio Ambiente “projeto técnico alternativo e estudo ambiental para escoamento de esgoto, aprovado pelo conselho municipal de meio ambiente” (Lei Municipal n.° 1.724, de 08.04.92, art. 2.°, I).
Estranho a exigência, pois um pessoal andou nas casas verificando se os esgotos estavam ou não estavam ligados à rede pública. Terá sido trabalho perdido?
Os pedidos de isenção da taxa serão muitos, pois desde as origens da cidade, usamos fossas para dejetos humanos, e uma multidão de residências lança água de cozinha e de banho em canaletes abertos pela Prefeitura entre o calçamento e o meio-fio. Por dilatados anos, a Prefeitura vem tolerando o uso indevido do solo.
Com a cobrança pelo uso de poste de iluminação pública o Município cria ônus financeiro aos munícipes, porque a concessionária do serviço que usa os postes vai debitar aos seus usuários o valor pago à Prefeitura.
As mensagens foram relatadas na Câmara Municipal como constitucionais e de “interesse da administração”, e dizem os relatores que a aprovação das matérias “é por demais justa e oportuna”. Com isto estão dizendo que a Câmara Municipal não é para defender os interesses da população, mas para aprovar tudo o que interessa a Prefeitura.
Quem trabalha menos ganha mais, quem trabalha mais ganha menos. É a regra. Ganha mais o engenheiro do que o mestre-de-obras; ganha mais o mestre-de-obras do que o pedreiro. Diz a mensagem do pedido de gratificação para funcionários municipais que na prefeitura há quem está trabalhando tanto, que quase chega “à exaustão”. Dizendo isto, está admitindo que assim acontece porque alguém trabalha nada ou quase nada. Se for o caso, o remédio não é gratificar. É saber distribuir os trabalhos, ter comando pessoal e exigir (a) execução (dos trabalhos).
Imposto foi uma das causas que partiram o reino de Israel em doze pedaços, um para cada tribo.
Aqui, o reino há de continuar inteiro, pois não sabemos o número dos filhos do rei: serão doze? serão duzentos? serão meia dúzia? Quanto menos filhos, mais reino. É dividir deixando inteiro. Viva o rei. Morra o vassalo.
Escrito por Assis Ferreira às 21h10
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É melhor não voltar para cá
E por que acha mais a vontade sendo cega, que o entendimento sendo lince? Porque o entendimento acha o que há, a vontade acha o que quer. Conforme a vontade quer, assim acha. Se a vontade quer favorecer, achará merecimento em Judas, se a vontade quer condenar, achará culpas em Cristo.
Padre Antônio Vieira, Sermão da Segunda Dominga do Advento, 163
Caro Monsenhor Murilo:
O senhor foi-se para a eternidade e não me deu a fotocópia de uma leitura, que desejava que eu fizesse. E eu nunca me lembrei de lha pedir. Nem sei o título, para procurá-lo.
Está lembrado da tarde em que, conversando rapidamente na sala da casa paroquial, onde o senhor estava à escrivaninha, o senhor me perguntou se eu já lera, de Santo Agostinho, as Confissões? Respondi que não lera. “Pois é bom você ler.” Prometi que ia ler. Pois comecei a leitura sábado, dia 17. Vou ler, ainda, Do Mestre. É uma espécie de continuação das Confissões.
Fique tranqüilo aí. Vá lendo-me as crônicas na intercéu.
Antes de iniciar a leitura, voltei ao seu túmulo, agora com lápide de granito. Está bem. Pela fundura da cova, era capaz de o senhor estar de joelhos, rezando no terço que Dom Fernando Panico lhe deu para isto. Reze por ele, por nós e os romeiros.
Expedito Costa adoeceu, quando viu o senhor no ataúde. De medo de morrer ou de saudade das palestras com o senhor? Vai ter de ir a um oculista em Recife para ele lhe operar o olho de deslocamento de retina.
Quem está celebrando a missa das 6h é Dom Fernando Panico. Portanto, não se preocupe, que ele está dando conta do recado. O programa Dimensões do Cotidiano também está com ele.
Padre Bandeira está no batente com o bispo. Está desasnando na Paróquia. Eu só tomara que ele encurte um pouco a duração da missa, para não cansar demais o romeiro, que já vem sofrido que só couro de pisar fumo. Qualquer missa, além do memorial, conta a homilia, que pode tomar muito tempo e dizer pouco. O perigo é este. Uma hora de duração da celebração litúrgica me parece ser bom tempo.
O prefeito... O senhor sabe o que tem sido cada prefeito! O atual é uma propaganda danada, igualzinho a outros. Político é como rapadura: saem de fôrma. Uma pesquisa da Célula, que trabalha bem, deu o prefeito como aprovado pela população.
Pensa que melhoraram a iluminação pública? De jeito nenhum! É um povo que só tem promessa. A Rua do Padre Cícero continua com meio metro de vala de cada lado. A Câmara Municipal é a garapa de sempre. Talvez aguada. Teme-se que autorize a doação do Hospital de São Lucas.
A corrupção campeia. Assalto, roubo, furto, homicídio são coisas banais.
Por tudo isto, é melhor não voltar para cá.
Escrito por Assis Ferreira às 10h05
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Depois de Deus, a família
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 12 de dezembro de 2005 (ZENIT.org).- Bento XVI considera que para apresentar Deus a um mundo que experimenta o impacto do hedonismo, do materialismo e do individualismo, a Igreja necessita do testemunho de castidade, pobreza e obediência dos consagrados.
A Igreja tem necessidade de vosso testemunho [(disse o Papa a) oito mil religiosos, religiosas e membros dos institutos seculares, assim como das sociedades de vida apostólica da diocese de Roma], tem necessidade de uma vida consagrada que enfrente com valentia e criatividade os desafios do tempo presente.
Não tenhais medo de apresentar-vos, inclusive visivelmente, como pessoas consagradas, e tentai com todos os meios manifestar vossa pertença a Cristo, o tesouro escondido pelo que haveis deixado tudo.
Não me conformo com aluno ter de pagar a escola matrícula e meses sem aulas. Nem com ela exigir-lhe que forneça uma ou duas resmas de papel, tinta, ou toner de impressora, papel higiênico, giz, cola. Isto é fazer da escola um comércio quase sem custos, pois os alunos concorrem com as despesas quase todas. Só as mensalidades cobradas já pagam tudo e dão sobra, porque não são baratas — são ratos.
Perdi o número de vezes que tenho pedido que fechem a veículos o quarteirão da Rua de São Paulo entre a de Santa Luzia e a de Alencar Peixoto (mercado): não é possível gente disputar espaço com automóvel e caminhão, moto e bicicleta. Outra solução: aumentar o mercado construindo, para frutas, legumes e verduras, dois andares sobre os açougues, e reformando os açougues para adequá-los à ampliação e higienizá-los. Não é possível que continuem na Rua de São Paulo as bancas horríveis que estreitam de um lado e outro a já estreita rua. Juazeiro do Norte sempre viveu do povo que vem aqui comprar e vender, visitar e comprar. Não é civilizado que continuemos tão suja, tão desorganizada. Nosso mal tem sido fazer pouco e malfeito.
Recebi o número 4 do informativo oficial da Prefeitura de Juazeiro do Norte intitulado Juazeiro do Norte em ação, que é um resumo de quanto a Prefeitura já disse no rádio por meio do correio eletrônico e no correio eletrônico imprensa.juazeiro.
A prefeitura alega dificuldades financeiras e abre concurso para mais dois mil e tantos empregados. Que é isso? “Botando lá a população inteira, ainda é pouco!”
Não se desculpa ao Demutran não pôr um agente para controlar o trânsito no cruzamento da Rua do Padre Cícero com a Rua do Padre Pedro Ribeiro.
Quem me leu no ano de 2005 deve agradecer-me ter-lhe diminuído os pecados: ler crônicas tão ruins dá o céu como prêmio.
Eu gostaria de não mencionar a Prefeitura nestas crônicas, em respeito a um amigo meu, que não gosta de ouvir a menor referência desabonadora ao prefeito. Eu não posso dar o céu aos leitores, nem presentes. O que posso é desejar-lhes que o Natal lhes seja de alegria: primeiro, de Deus — suas bênçãos, — e depois, das festas em família, porque, depois de Deus, a família.
Escrito por Assis Ferreira às 11h28
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Liberdade de imprensa
Reprimenda maternal
Preocupada com a vida desregrada do filho, que habitualmente chegava em casa, às caladas da noite, Dona Maria das Dores, [após ouvir uma badalada do relógio da praça] perde a fleugma [sic] e admoesta com toda a autoridade que lhe assiste:
— Uma hora da madrugada...! Isto é hora de tu chegares em casa, Lalá! Tem vergonha nessa cara! Quando tu tiveres aí... eu nem ligo... Quengueiro nojento...!
— Que uma hora da madrugada, mãe! São dez horas da noite!
— Que dez horas da noite, seu cachorro!
— Ô mãe, mãe quer que [o relógio] dê o zero, é?
Apud Raimundo Araújo, Juazeiro Anedótico
Dia 15 de dezembro. Lembrado o 48.° aniversário de ordenação sacerdotal do falecido Monsenhor Murilo. Esses 48 dezembros foram quase todos a serviço de Nossa Senhora das Dores, como substituto do Padre Cícero na igreja da nossa Padroeira.
Na mesma data, completa anos de nascimento minha filhada Ana Amélia Dias Silva. Pois não é que na missa das 6h Dom Fernando foi aonde a aniversariante estava e lhe desejou felicidades e lhe deu um abraço de parabéns! Ela e a família estão mortas de felizes. A mãe (Inácia Iranete Dias Silva) telefonou para Maria (a que teve a sorte de casar-se comigo) e disse: “Ana Amélia é importante que só o padrinho :o bispo lhe deus os parabéns e um abraço!”
Era o que faltava eu ser importante: Dom Fernando Panico é que é humilde: do maior ao menor do rebanho, do mais velho ao mais novo, ele trata por “querido irmão”, “ querido amigo”, “senhor”, ”senhora”. Como diz Dr. Ismar Costa, “é um bispo fora de série!”
Eu nunca beijei a mão de bispo nenhum, depois de adulto: sempre os tive na conta de presunçosos, endeusados. Exceção é D. Fernando Panico, porque me parece um homem sincero, nu da vaidade que empluma os homens. Também, hoje, visitei Expedito Costa. É amigo que só! Desde o falecimento do amigo comum, seu confrontante Mons. Murilo, Expedito vem adoentado... Eu morro e não aprendo a escrever: desde o falecimento do monsenhor, Expedito vem doente: é diabético e não se cuida. Maria diz que ele é teimoso que só eu. Seja como for, Expedito é um homem bom. Fui lá e o encontrei estirado numa cama de solteiro, no Plaza Hotel, da esposa, dona Josélia. Eu disse a dona Josélia que ia curar Expedito. Quando ela nos levou (a mim e a Lucas) aos aposentos do enfermo, ele se levantou e nos cumprimentou. Então eu lhe disse: “Não me faça ir a mais um enterro de amigo, pois estou cansado desse negócio.” Ele riu. Conversamos. Ele lembrou as prosas com o monsenhor, de quem ouviu: “Expedito, olhe aí: Assis é meu amigo e diz aqui que eu construí um monstrengo diante da igreja. Não é de lascar? Mas ele diz o que quer, tem a liberdade de imprensa.”
Escrito por Assis Ferreira às 21h04
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Que ela abra os olhos do eleitor
Não sei de quem ouvi que concorriam à Prefeitura Dr. (Antônio Conserva) Feitosa e outro. Foi acertado que nos comícios, quando alguém dissesse: “Viva o doutor!”, a claque respondia: “Viva!” A iluminação pública podia falhar de um momento para outro. Por isso, Assis Monteiro era encarregado do gerador de energia, transportado de carro. Certa noite, no melhor do discurso de Feitosa, faltou energia, e Assis gritou ao que estava no posto do motor: “Vira o motor!” E a claque respondeu: “Viva!” “Vira o motor!” “Viva!” “Magote de corno, eu disse: vira o moto!” “Viva!” (“Virar o motor”: fazê-lo funcionar.)
Em 04.12.05, de São Paulo, de Iraci e Josefa Augusto, ex-alunas do falecido Mons. Murilo, recebi pedido de notícias sobre o estado de saúde dele. Infelizmente, não dei resposta direta a elas: somente em 12.12.05, às 22h25 (23h23min de verão), li a mensagem no blog (http://assisferreira.zip.net). Elas, naturalmente, hão de ter lido o que fui escrevendo depois e publicando no blog. Se não leram, sugiro que leiam, pois é muita coisa para ser dita aqui. Um abraço.
Imaginemos o bonito que seria a Rua do Horto bem iluminada, bem calçada, com as paredes das frentes das casas todas com paisagens pintadas e reconstruída com arte a escadaria de acesso à praça do monumento na colina. Pois este sonho é o que, em c.e. (correio eletrônico), o prefeito Raimundo Macedo diz estar para realizar com cinco milhões de reais, quatro do Estado e um do Município. Para o CAR (Centro de Apoio ao Romeiro) são oito milhões, na mesma proporção.
Promessas, promessas. Somos a Terra dos Milagres, e de uns anos para cá, também a terra dos prometedores. A reurbanização... Antes, a urbanização da Rua do Horto é prometida pela enésima vez: quando o prefeito quer voto, quando o deputado quer voto, promete melhoras na Rua do Horto e no Horto. Eleitos... Político é gente em quem se acredite!
Muro, cerca, ampliação do parque de estacionamento e brigada contra incêndio para o aeroporto estão para ser licitados. É promessa não cumprida e ora mais perto de ser realizada, segundo as promessas. É promessa que não acaba mais!
Outro dia, na rádio, ouvi uma professora aposentada pelo Município dizer que a taxa de iluminação pública é escorchante. A senhora falava bem e disse a verdade nua e crua: “Taxa é um valor fixo; o que se paga é um percentual, que ninguém explica.” Era pouco. Nas contas que pagaremos em dezembro, vem mais um valor, chamado “diferença complementar do período”: assim, numa conta de consumo no valor de R$108,21 vou pagar R$8,40 de iluminação pública e R$8,70 da diferença; numa conta de consumo no valor de R$ 140,66, vou pagar R$22,41 e R$9,92, respectivamente. Que critério é adotado para os cálculos? Qual a causa da diferença cobrada?
Cristo foi crucificado entre dois ladrões. Ao contrário de Cristo, os ladrões, são quem nos crucifica. Não dois ladrões, senão muitos ladrões e piores ladrões, porque ladrões cobertos pelo manto da lei, que, não sendo cega, não enxerga.
A Igreja celebra hoje Santa Luzia. Que ela abra os olhos do eleitor.
Escrito por Assis Ferreira às 09h39
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Saúde, paz e o Espírito Santo
Hélder desafia Enéas
Informou-me o Dr. Alênio Duarte [falecido], que certa feita, seu irmão Enéas [falecido], chegando onde se encontrava Hélder França e, estando muito mal vestido, ouviu do poeta cratense, o repto seguinte:
— Responde-me, ó pobre vate, qual foi o mau-alfaiate que te aleijou de uma vez?!
E o poeta Enéas com aquela agilidade mental, que lhe caracterizava, respondeu-lhe:
— Foi o alfaiate da miséria, que pobreza é coisa séria, foi a miséria quem fez!
Apud Raimundo Araújo, Juazeiro Anedótico
Não ouvi a missa das seis horas em Nossa Senhora das Dores: perdi o tempo em conversa com um amigo, que se deteve à minha porta. Fui ao banho com o radinho, e ouvi Dom Fernando saudar os romeiros e os demais fiéis, desejando-lhes um feliz dia.
Desde que assumiu a Diocese de Crato, Dom Fernando Panico vem demonstrando um carinho especial com os romeiros. Recomenda-lhes cuidado. Agradece-lhes a visita a Nossa Senhora das Dores — e ao Padre Cícero, inegavelmente. Deseja-lhes boa romaria. Despede-os com a bênção em nome de Deus, por intercessão de Nossa Senhora das Dores e do Padre Cícero. Deseja-lhes boa viagem de volta.
Os vigários de Nossa Senhora das Dores hão de ter essa mesma solidariedade com os romeiros. Afinal de contas, somos juazeiro, árvore frondosa, verde e acolhedora, — apesar dos espinhos.
Não somos uma paroquiazinha. Somos um dos olhos-d’água do rio da fé cristã. A responsabilidade do bispo diocesano é maior conosco, para o olho-d’água ser preservado, não se contaminar.
Outra preocupação do bispo há de ser com os possíveis invasores da fonte, predadores transmudados em animais de estimação.
A terceira preocupação é o zelo com a pureza do sacerdócio, vez por outra maculado por má conduta de ministro ordenado.
Esses três pontos dão idéia do que é nomear um pároco para a Paróquia de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte.
Eis por que, brincando com o leitor, eu disse nas crônicas não querer ser bispo. Nem mesmo padre, nem diácono. Principalmente agora, que a Igreja quer somar rigor a rigor.
A opinião ouvida a católicos é que o diocesano fará bem nomeando vigários, ficando ele próprio como supervisor da Paróquia. Não sei se a solução é possível. Nem se o bispo é de ferro para tanto trabalho.
A Dom Fernando Panico, saúde, paz e o Espírito Santo.
Escrito por Assis Ferreira às 21h41
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Para psicólogo — ou para manicômio
Estai sempre alegres!
Rezai sem cessar.
Daí graças em todas as circunstâncias, porque essa é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo.
Afastai-vos de toda espécie de maldade!
1Ts 5,16-18.22
Dar graças a Deus, seja qual for a situação em que se encontre o cristão: alegre, triste, faminto, saciado, sadio, doente. Não desesperar nunca, porque “Deus é fiel, e não permitirá que” soframos mais do que podemos suportar (1Cor 10,13).
Eis uma razão que me justifica eu não lamentar a morte de quem quer que seja. Tenho dó de quem está com dores, porém não de quem morre. Outros motivos podem ser encontrados em Jo 6. Antes, lastimo os que dependiam do morto, e somente quando o defunto não deixou com que sobrevivam, pois, do contrário, o morto é esquecido no dia seguinte ao do sepultamento. O que talvez seja bom, pois a regra é ninguém querer morrer com alguém.
Não critico quem chora a morte de outrem. Ao contrário, acho que as lágrimas são bonita manifestação de amor, de saudade, de dor, de alegria. Representam o momento vivido.
Apesar de tudo, a morte de uma pessoa querida sempre me causa uma sensação de falta.
Depois que eu sepulto o morto, choro. Furtiva e rapidamente. Talvez por remorso de alguma falta cometida contra o morto. Talvez pelo não ter amado quanto devia. Talvez por medo da certeza de que amanhã eu serei ele.
A morte de Monsenhor Murilo deixou-me desorientado: escrevi texto, que apaguei involuntariamente e não tive mais, sequer, lembrança do que tinha escrito. Não tenho certeza de ter transmitido ou não ter transmitido uma ou outra crônica.
Gente como nosso bispo Dom Fernando Panico, Wellington Oliveira, Carlos Pimentel, Aguinaldo Carlos, Célida Vieira, Ismar Costa, Expedito Costa, Chico Alberto, — não duvido que também Renato Casimiro, Daniel Walker, Raimundo Araújo, — vi ou ouvir chorar. E eu? Nada! Antes, fui consolo a alguns.
Ainda hoje (domingo), o Padre João Carlos meteu Monsenhor Murilo na homilia, que ninguém sabe o que é: entende-se uma ou outra palavra. O Padre João Bosco, que dizem transferido para Mauriti, lembrou Monsenhor Murilo. E assim vai. Cada paróquia ainda lembra o morto e o chora.
E eu? Ora, eu escrevo crônicas, pelo que, sem muito esforço, o leitor conclui que sou um caso para psicólogo — ou para manicômio.
Escrito por Assis Ferreira às 12h11
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A TV não transmitiu daqui
Por isso mesmo [o conhecimento de Deus], dedicai todo o esforço em juntar à vossa fé a fortaleza, à fortaleza o conhecimento,
ao conhecimento o domínio próprio, ao domínio próprio a constância, à constância a piedade,
à piedade a fraternidade, e à fraternidade, o amor.
2Pd 1,5-7
Muito me alegrei no Senhor, porque afinal, refloresceu vossa solicitude por mim. Na verdade, tínheis essa solicitude, mas não tínheis ocasião de manifestá-la.
Fl 4,10-11
Sábado, 10. Às 19h, missa do sétimo dia do falecimento de Monsenhor Murilo, celebrada por Dom Fernando Panico. Igreja repleta de fiéis, que se derramaram nos patamares. Mensagem da CNBB, lida por Aguinaldo Carlos. Coral Fênix. Canto de crianças do Poço de Jacó, mantido pela Paróquia de Nossa Senhora das Dores. Canto de crianças da Rua do Horto. Canto de crianças da colina do Horto. Mensagens de ex-alunos. Homenagem de Humberto Costa, em versos: ele gravou um CD ao falecido monsenhor, e a renda irá para crianças carentes. São 21h20min. Pedro Bandeira está declamando versos seus ao extinto. Em seguida, Taísa, afilhada de batismo do monsenhor. Narciso Barbosa Vanderlei (?) leu sua crônica ao monsenhor. São 21h30min. Homenagem de João Bandeira, cantador. Crônica em nome de entidades de jornalistas e em nome da Rádio Tempo FM. São 21h44min: as homenagens continuam. Agora é Ricardo Brasileiro quem homenageia. Romeiros. Leitura de nomes de romeiros que deixam Juazeiro do Norte na madrugada. Dom Fernando deu a Bênção final às 21h48min. Padre Bandeira despediu os fiéis.
Não fui à missa, porque tive de levar meu filho Juliano à rodoviária, de onde ele foi a João Pessoa. Fui de carro à igreja, com Leonardo. Não ouvi a homilia. Ouvi o restante da transmissão pela Rádio Progresso (a Rádio Verde Vale e a Rádio Educativa Padre Cícero FM também transmitiram o ato litúrgico). Não fui à missa exequial aqui porque disseram que a TV Diário transmitiria a cerimônia e o sepultamento. Preparei fita para gravar. A TV não transmitiu daqui.
Escrito por Assis Ferreira às 23h07
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Às favas os maus políticos e a mentira
Neste dia dedicado a Maria [8 de dezembro — Imaculada Conceição], vim pela primeira vez como sucessor de Pedro aos pés da estátua da Imaculada aqui, na Piazza de Spagna, percorrendo espiritualmente a peregrinação que tantas vezes meus predecessores realizaram. Sinto que me acompanha a devoção e o afeto da Igreja que vive nesta cidade de Roma e em todo o mundo. Trago as ânsias e as esperanças da humanidade de nosso tempo e as ponho aos pés da Mãe celestial do Redentor.
S.S. Bento XVI — Cidade do Vaticano. Fonte: Zenit.
Sábado, 10, o programa Estúdio Verdade, na Rádio Vale AM discutiu a morte de Monsenhor Murilo, a quem eu chamei Padre dos Romeiros.
Não privei da amizade do falecido. Só nos últimos dez anos, passei a visitá-lo, vez por outra, pois sou tímido, receio importunar, não quero entrar na intimidade de ninguém, e não me ajeito em roda de intelectuais, e a casa paroquial sempre foi um ponto de encontro de pessoas assim.
Quase meio-dia, Dr. Ismar Costa me veio apanhar para irmos à feijoada, como todo sábado. Levei o radinho, mas não consegui ouvir bem o programa, porque ou meu rádio não é bom, ou a rádio não presta. Ouvi como debatedores os nomes do Dr. José Roberto Celestino (Aliança de Ouro S.A.), do Prof. José Carlos (Urca) e de Dr. José Carlos Pimentel (advogado). Boa parte das duas horas do programa foi de elogios ao falecido monsenhor. A sobra do tempo do programa foi gasta na discussão de assuntos atinentes à cidade de Juazeiro do Norte.
Eu já disse, em crônicas desta semana, que estamos correndo o risco de uma entronização precoce do falecido monsenhor.
Esse procedimento é sobremodo prejudicial à revisão histórico-eclesial do Padre Cícero, porque se dirá que somos afeiçoados a mitos. Estimei o falecido, a quem respeito e admiro. Todavia, não cometo a leviandade de torná-lo ídolo, pois, assim fazendo, estarei aumentando os problemas da Igreja do Cariri.
Gostei da parte do programa em que, pela primeira vez, vi discutir-se Juazeiro do Norte nua e crua: não se mentiu dizendo que a cidade é desenvolvida e organizada. Teve-se a coragem de dizer que nossos políticos, no geral, são fracos e sem interesse com o nosso desenvolvimento.
Não é com pires na mão que vamos melhorar Juazeiro do Norte. Não é por emprego na Prefeitura desculpar mau político que melhoraremos Juazeiro do Norte. Não é votando em político indolente por emprego que melhoraremos Juazeiro do Norte. Melhoraremos Juazeiro do Norte com a verdade. Passou a época do devagar com o andor que o santo é de barro. Às favas os maus políticos e a mentira.
Escrito por Assis Ferreira às 18h45
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Respeito e admiração
Sexta-feira, 9. Missa das 6h celebrada em Nossa Senhora das Dores pelo diocesano, Dom Fernando Panico. Não quebrou ele o bom costume de antes da homilia, o celebrante saudar “os romeiros e as romeiras” presentes na celebração da Eucaristia. Na homilia de Mt 11,16-19, disse o bispo que o texto lido é o evangelho da decisão: zombaram de João Batista, que comia pouco e bebia quase nada, dizendo que ele estava “com um demônio” e não acreditaram nele; veio Jesus Cristo, que comia e bebia, e disseram que era “um comilão e um beberrão, amigo de cobradores de impostos e de pecadores”. “Sempre tinham uma desculpa para não assumir a conversão, para não se decidir por ela, como criança”, disse o bispo. Criança não assume compromisso. Ao despedir os fiéis, desejou boa romaria aos romeiros e a eles e a nós, um dia de paz.
Esse bispo tem dado o que falar de bem. Minha cunhada Cícera me disse que ele, certa vez, entrou na casa da sogra dela, na renovação, e abraçou o povo e rezou. Quando se viu aqui bispo entrar na casa do povo? bispo em renovação?
Após a missa, já na Rádio Progresso a convite do radialista Wellington Oliveira, Álbis Filho pediu a D. Fernando dar “uma boa notícia” que tinha para nós de Juazeiro do Norte. O bispo então disse que o programa Dimensões do Cotidiano, que Monsenhor Murilo apresentava há trinta anos na rádio, das 10h às 11h, ficará sendo apresentado por ele, começando hoje, “embora não saiba falar como falava o falecido sacerdote”.
Telefonei-lhe na rádio. Ele me atendeu prontamente, tratando-me por senhor. Desde o falecimento de Monsenhor Murilo não recebe as crônicas. Imprimi-as, e fui deixá-las a ele, a quem beijei a mão em sinal de respeito. Ficou ele ainda no programa.
Se acham que bajulo Dom Fernando, arranjem-nos outro Padre Francisco (Pinkowiski, 1882 — 1979), um santo de Deus. Padre Francisco, caindo de velho e de cansado, ia “tirar” as renovações nos confins da cidade, a pé, sem queixa e sem remuneração. Para a Paróquia, arranjem-nos um Padre Francisco moço, cheio de vigor e com disposição de lutar por nossas causas: Nossa Senhora das Dores, romarias, Padre Cícero, paroquianos, melhoras para a cidade. Certo, a Igreja não deve intrometer-se na ação política, porém pecado capital é omitir-se na busca de melhora para o povo.
É fácil encontrar-se um padre assim? Então, rezemos a Deus, para lhe pedir que o mande, pois se D. Fernando não o tiver, por certo vai virar compasso com uma perna cá e outra no Crato. Digo assim sem conhecimento de causa. Guio-me pela experiência de vida e o bom senso.
Estou dizendo que o falecido monsenhor é insubstituível? Estou dizendo quase isto: não temos outro Luiz Gonzaga; não temos outro Nelson Gonçalves; não temos outro Monsenhor Murilo. Não teremos outro D. Fernando Panico.
Não sugiro culto a nenhum deles. Digo, apenas, que de forma nenhuma podemos negar-lhes respeito e admiração.
Escrito por Assis Ferreira às 21h17
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Chega de fantasias
“Quando ele [Monsenhor Murilo] tinha um tempinho, gostava de me chamar lá para comentar as crônicas. Achava bom. Morria de rir, quando você [o assunto] ia ao Iraque, dava a volta ao mundo e terminava aqui. Costumava dizer: ‘É uma pena que não compreendam o que Assis escreve. Ele não escreve crônica para fazer crítica; escreve crônica de advertência.’”
Expedito Costa
Outras vezes Expedito me dissera isso. Menos a parte final, relativa à compreensão do sentido das crônicas. Nas demais ocasiões, ouvi que o padre gostava de ler as crônicas, e só lamentava eu não saber interpretar a Bíblia. Quando ele me perguntou por que eu não as publicava, respondi que por não ter dinheiro. “Mas já tem muita.” Respondi que tinha muito mais, pois as que ele tinha foram mandadas por mim somente depois que ele me disse não ter tido condições de lê-las no jornal, de borrado, que sai.
Além do problema da nomeação do novo pároco para a Paróquia de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte, Dom Fernando Panico tem outro, cuja solução cabe ao povo: evitar um mito em torno do falecido Monsenhor Murilo.
Já ouvi que as romarias vão diminuir sem Monsenhor Murilo. Como se os romeiros não viessem a Juazeiro do Norte para visitar Nossa Senhora das Dores a pedido do Padre Cícero. Não vêm por mais ninguém do que a santa e para atender ao pedido do padre. Li que os romeiros virão “reverenciar” o Padre Cícero e o Monsenhor Murilo. Li umas datas de dezembro, que julgam ter a ver com a morte do monsenhor. Deram cem mil pessoas na Praça dos Romeiros durante a missa exequial, quando não eram mais de vinte mil.
Minha esperança é que logo cesse essa efusão de lua-de-mel, pois no Sermão da Segunda Dominga da Quaresma, p.45, o Padre Antônio Vieira perguntou “que amor ou que gosto há nas bodas, que em poucos dias não enfraqueça ou se mude?”
Sejamos coerentes: se Monsenhor Murilo não se tivesse mudado de inimigo do Padre Cícero em amigo do Padre Cícero, ao invés de amado pelo povo seria profundamente odiado pelo povo. Dom Fernando já é tão querido por nós, que ele nem imagina. Por quê? Porque é amigo do Padre Cícero e um homem virtuoso e carismático. Tanto que seria o substituto ideal do monsenhor falecido, se não fosse bispo.
Reabramos a sepultura de Monsenhor Murilo e sepultemos com ele a imprensa do amém, a imprensa do exagero, a imprensa da conveniência. Lutemos para conseguir o que ele morreu na esperança de ver em Juazeiro do Norte: ponte, Centro de Apoio ao Romeiro, Praça do Romeiro, o aproveitamento de toda a área de terreno restante diante da igreja até o rio; boa iluminação pública; obras do Luzeiro; organização dos ranchos; boa acolhida ao romeiro; aeroporto. Chega de fantasias.
Escrito por Assis Ferreira às 11h25
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Não é fácil
Não é fácil
Código de Direito Canônico
Cân. 521 — § 1. Para alguém ser assumido validamente como pároco, requer-se que seja constituído na ordem sacra do presbiterato.
§ 2. Além disso, distinga-se pela sã doutrina e pela probidade de costumes, seja dotado de zelo pelas almas e de outras virtudes e tenha também as qualidades requeridas pelo distrito universal e particular para cuidar da paróquia em questão.
§ 3. Para conferir a alguém o ofício de pároco, é necessário que com certeza conste de sua idoneidade, na maneira determinada pelo Bispo diocesano, até mesmo por meio de exame.
Quarta-feira, 07.12.2005. Ouvi no rádio a missa das 6h na igreja-matriz e Santuário Diocesano de Nossa Senhora das Dores, a primeira depois do sepultamento (6) de Monsenhor Francisco Murilo de Sá Barreto, que continuou a ser chamado Padre Murilo. Em conversa com ele, eu alternava o tratamento: ora monsenhor, ora padre. Duas vezes o vi assinar em carta Pe. Murilo. Letra firme, sem qualquer sinal de senilidade nem de patologia.
Eu esperava missa celebrada pelo Padre Bandeira, o coadjutor, embora já baqueado pelos trabalhos e a tensão emocional desde sábado passado. Foi o bispo diocesano, Dom Fernando Panico, quem a celebrou.
Não chorei o morto com os olhos, mas com o coração: como eu já disse nas crônicas, estou curtido de morte de pessoas queridas. Os anos que tenho vivido me têm ensinado que a vida é uma roda-gigante: quem nela se senta, ora está em cima, ora nos lados, ora embaixo; e que morrer na terra é nascer no céu. Portanto, antes de tristeza, alegria (conformação).
As promessas políticas de obras para Juazeiro do Norte feitas ao monsenhor foram mentiras: a ponte do Rio Salgadinho vem sendo adiada de uma romaria para outra. Um dia, todo feliz, ele me disse: “A ponte agora sai: o... me prometeu como prioridade.” A ponte continua em construção lenta. O Centro de Apoio ao Romeiro parou de novo. A cidade cenográfica gorou. O Luzeiro está aí sem o restante das obras. Não melhoraram a iluminação pública. Não demoliram os arcos para descobrir a igreja. Não deixaram de explorar o romeiro. Monsenhor Murilo sofria tudo em silêncio. Ainda assim, acolhia bem os mentirosos.
O problema para Dom Fernando Panico é substituir com acerto o falecido pároco Monsenhor Murilo. Fala-se no Padre José Alves e no Padre Bandeira. Um tem idade e problemas de saúde. O outro é moço, porém com apenas três anos de ordenação sacerdotal. Quero bem aos dois, mas seria preferível o Padre Bandeira. Todavia, a Diocese tem outros padres.
O novo pároco há de ser virtuoso, ter boa saúde, aptidão para bem acolher o romeiro e o político e destemor para defender as causas de Juazeiro. Não é fácil.
Escrito por Assis Ferreira às 13h29
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"Vede como o amava!"
Domingo, 4.12.2005. Muita gente no aeroporto à espera do corpo de Monsenhor Murilo. Ao aeroporto se foi de pé, de bicicleta, de moto e de carro. A distância daí ao Bairro da Lagoa Seca é de quilômetros. Muita gente ao longo de todo o percurso: Av. de Virgílio Távora, Av. de Manoel Coelho de Alencar, Av. de Castelo Branco, Av. do Padre Cícero e Av. de Leão Sampaio (Juazeiro — Barbalha). Só quando partimos, vi a multidão de carros e motos. No Novo Juazeiro (bairro), Lucas, que me acompanhava, perguntou se eu notara o estado físico de Dom Fernando Panico. Não notara. Fomos esperá-lo adiante, quando entrasse na Av. de Castelo Branco. Ele ia na segunda cabina do caminhão dos bombeiros. Pense num homem extenuado! Alguns homens e mulheres choravam. Vi casa em cuja calçada estava mesa com estampa do Padre Cícero emoldurada e vela acesa. Vi uma grande fotografia do falecido monsenhor exibida por duas pessoas no canteiro da Av. de Castelo Branco. Mesmo na Av. de Leão Sampaio se viu muita gente. (Monsenhor Murilo ficou calado, na vez que eu lhe disse que era preciso ele ter muito cuidado, porque o povo o tinha como outro Padre Cícero. A prova está nas homenagens póstumas que lhe fazem agora.)
Segunda-feira, 5.12.2005. Choveu, à noite anterior. Temperatura amena. Dr. Ismar Costa me apanhou aqui e fomos a Barbalha para vir no cortejo. Saímos de lá às 8h55min. Trabalhadores de fábricas e empregados no comércio saíram às calçadas. Os que queriam ver o corpo na igreja-matriz e Santuário Diocesano de Nossa Senhora das Dores formavam duas filas de centenas de pessoas. Com Leonardo, fomos ver a cova aberta na Capela de Santa Teresinha durante a construção dessa. Justiça fechada. Às 20h, ainda era grande a fila da visitação. Quarteirão da igreja interditado a carro. Arautos do Evangelho. Ouvi que o senador Tasso Jereissati esteve aqui.
Terça-feira, 6.12.2005. Às 2h, fui ver o corpo de Monsenhor Murilo, muito bem vestido em paramentos roxos (Advento). De vigília o altaneiro “romeiro mais alto, vestido de branco”, como o morto apelidou o Luzeiro. Nas mãos, o presente de Dom Fernando Panico: o terço de uso pessoal do bispo, para o morto rezar no céu. O bom senso tirou a tampa do caixão. Gente toda a noite nos patamares. Uma ou outra pessoa dormindo nos bancos da igreja. Uns poucos romeiros chegando. Polícia Militar, Guarda Civil e Demutran. Grupo Bopil sem expediente a partir do meio-dia. Expedito Costa, Chico Alberto, Raimundo (motorista do monsenhor), Wellington Oliveira — todos chorosos. Senadora Heloísa Helena. Missa celebrada por D. Fernando Panico. Deputados. Governador Lúcio Alcântara. Ministro Ciro Gomes. Mensagem do Presidente Lula. Prefeito de Piranhas, Dr. Inácio Loiola. Os “discípulos” Renato Casimiro, Daniel Walker, Carlos Pimentel. Padres. Bispo. Povo e povo. Tudo me lembrou os versículos 35 e 36 do capítulo de 11 do evangelho de São João: “35Jesus começou a chorar [Lázaro sepultado]. 36Os judeus [que estavam com Maria, irmã de Lázaro] comentavam: ‘Vede como o amava!’”
Escrito por Assis Ferreira às 20h55
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Quarenta e oito anos e um padre
O prefeito de Juazeiro do Norte, Raimundo Macedo, decretou luto oficial de três dias no município em virtude da morte do monsenhor Francisco Murilo de Sá Barreto, ocorrida na madrugada deste domingo [4] no Hospital São Carlos em Fortaleza. Logo que soube, ele solicitou o embalsamamento do corpo para garantir um velório mais prolongado por conta do grande número de amigos e admiradores que desejam vir ao Cariri a fim de prestar homenagens e dar o último adeus ao sacerdote
Do c.e. da Prefeitura
Domingo, 4 de dezembro de 2005. Missa nos salesianos, às 6h. O som não me deixou entender a homilia, como sempre. Do aviso, entendi Monsenhor Murilo e saúde. A emoção do Padre João Carlos me fez compreender que ele deu notícia grave; a voz embargou, quase não se lhe ouviu a bênção. O padre saiu chorando.
Dei uma passadinha na casa paroquial: a porta estava cerrada; não entrei. A luz acesa e o ventilador de teto ligado denunciavam haver movimento no interior.
Doutor Joaquim Edvan Pires não fez o programa Boa dia esperança. Às 8h10, crônica de Dr. Geraldo Menezes Barbosa. Pelas 8h20, entrevista de Dom Fernando Panico, de Fortaleza a uma rádio local: o bispo diocesano não conseguiu falar, de emoção. Celebrará a missa de corpo presente, em Fortaleza. Cancelada a Festa da Fé, — show do Padre Zezinho com o Trio Ir ao Povo, — marcada para a tarde no Romeirão. André Herzog, reitor da Urca, em Fortaleza acompanhando o morto. Adauto Bezerra e parentes e a colônia de Juazeiro do Norte residente em Fortaleza, presentes. Rádios e televisões de Fortaleza e rádios do interior transmitem a notícia. A Rádio Progresso, que transmitia diariamente a missa das 6h celebrada por Mons. Murilo interrompeu sua programação e transmite música sacra e música clássica. As demais rádios AM modificaram a programação. Às 13h, o aeroporto estará repleto de gente, à espera do falecido. Iremos a Barbalha com ele. Viremos com ele amanhã.
O Padre dos Romeiros, como eu o chamei, merece todas as homenagens.
Agora mesmo estou ouvindo a entrevista de Monsenhor Murilo a Wellington Oliveira no dia dos 75 anos de nascimento. O entrevistado foi simples, foi humilde, foi sincero: não simpatizava o Padre Cícero, pois assim era instruído no Seminário; veio para Juazeiro não por pedido, mas por obediência; ouviu de Dom Francisco de Assis Pires, diocesano, que em Juazeiro o padre ia encontrar muita gente de fervor; nunca aceitou ter uma rádio; sempre foi arredio a certas homenagens; jamais aceitou ser político, porque não poderia ser o político que desejava ser.
Nunca esqueci a presteza com que Monsenhor Murilo me atendeu o pedido da Unção dos Enfermos para minha sogra, Maria José de Oliveira Silva, na Clínica São José. Eu não estava de carro. “Então vamos no meu, agora.”
As notícias dizem que Monsenhor Murilo será sepultado terça-feira, na igreja-matriz de Nossa Senhora das Dores, na capela que ele mandou construir e onde ouvia confissões. Na mesma cova quarenta e oito anos de serviços e um padre.
Escrito por Assis Ferreira às 16h15
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É um santo
Os índios possuíam valores morais apreciáveis: a proteção dos órfãos e abandonados, o espírito de comunidade e a generosidade mesmo com os inimigos. Sua hospitalidade se aproximava à doutrina cristã do amor ao próximo. O roubo era desconhecido entre eles e tinham grande respeito pelos cantores e poetas.
Fr. Hermínio B.[ezerra] de Oliveira: Formação histórica da Religiosidade Popular no Nordeste (O caso de Juazeiro do Norte), 40, Edições Paulinas
Um ourives, que trabalhou no Maranhão e tem oficina aqui perto de casa, na Rua de Carlos Gomes, me disse que nunca viu gente tão afeita ao furto quanto o índio. Ladrão e cachaceiro, afirma com um caso: o índio do Maranhão é preguiçoso e gosta de beber cachaça de mandioca; alguns deles viram um mandiocal; sem dinheiro para comprar mandioca, cavaram um túnel e entraram na roça; tiravam a raiz da mandioca e deixavam o caule da planta como tinham encontrado; o dono da roça só percebeu estar roubado quando foi colher a mandioca.
O índio a que se refere Frei Hermínio não foi ainda contaminado pelos defeitos de caráter dos brancos. O índio de que falou o ourives é o aculturado, o que aprendeu a roubar com o homem civilizado.
Sexta-feira, 12. Corre na rua o boato do falecimento de Monsenhor Murilo, operado cirurgicamente para extração de nódulo no fígado. Segundo um cirurgião conhecido meu, a operação a que se ia submeter Monsenhor Murilo é de risco. Ele ficou preocupado e quis falar com o monsenhor; todavia, não o fez, porque o monsenhor dizia que seria bem assistido e coisa e tal.
Ouvi, na calçada do Banco do Brasil da Rua de São Francisco, a entrevista que o radialista Wellington Oliveira fez com o médico cirurgião que operou o monsenhor. Disse o médico que o quadro clínico do paciente é preocupante, pois a operação não fora bem-sucedida, em vista de um complicador não identificado nos exames: cirrose hepática. Os pulmões e os rins do paciente perderam as funções. Feita a hemodiálise, voltaram às funções, mas isto não é garantia de total recuperação do paciente.
Segundo Wellington, após as orações pelo enfermo, este cobrou aparente melhora, mas tudo parece depender de um milagre.
Nosso bispo diocesano, Dom Fernando Panico, segundo me disseram, passou horas da tarde em oração com outros fiéis, na casa de dona Assunção Gonçalves, aqui em Juazeiro do Norte (a sede do bispado é em Crato, a 12km de nós).
Se a saúde de Monsenhor Murilo depender de oração, ele a recuperará. Contudo, chegado o momento de ir a Deus, não há choro nem cara feia: vai-se.
Na dúvida de que Monsenhor Murilo volta para nós vivo, tendo em vista que ele não me pediu sigilo, revelo a Dom Fernando Panico que, certa vez, conversando eu com o monsenhor sobre o novo bispo, ouvi:
— D. Fernando... Aquilo é um santo.
Escrito por Assis Ferreira às 21h20
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Suportem-se
Um estudo divulgado nesta quinta-feira (24/11) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que aproximadamente uma em cada três mulheres, pesquisadas em duas áreas do Brasil, diz já ter sofrido algum tipo de violência cometida pelo parceiro. A pesquisa da OMS foi realizada a partir de entrevistas com 24 mil mulheres em dez países, onde, em média, uma em cada seis mulheres sofre com a violência doméstica.
No Brasil, o estudo ouviu mulheres com idade entre 15 e 49 anos na cidade de São Paulo e na Zona da Mata de Pernambuco. Em São Paulo, 29% das mulheres entrevistadas que já tiveram relações íntimas com homens afirmaram que já foram vítimas de agressões físicas ou sexuais cometidas por um parceiro. Nos municípios pernambucanos, esse número chegou a 37%.
Clipping ANABB, que cita como fonte BBC Brasil
No último dia de novembro, oito padres, ordenados por Dom Fernando Panico, bispo da Diocese de Crato, completaram três anos de ordenação sacerdotal.
Padre Sebastião Bandeira Gonçalves é um dos oito padres. Auxilia Monsenhor Murilo na Paróquia de Nossa Senhora das Dores. É uma pessoa simples e prestativa. Moço, poderá prestar bons serviços à grei. Do evangelho de hoje (Mt 7,21.24-27) fez boa homilia. Aliás, ele é cuidadoso com elas.
Não tenho presente para o aniversariante, que está incluído entre as pessoas pelas quais rezo diariamente na minha breve oração.
Os meus leitores podem ser contados nos dedos das mãos. Se fossem milhares, milhões, eu não me atreveria a recomendar-lhes que dessem orações como presentes, porque a prática poderia arruinar os comerciantes da Terra dos Milagres, dos quais só uma vez ou outra se ouve que o comércio está bom.
Por correio eletrônico, Armando Rafael informa que “O empresário Humberto Mendonça lança no dia 7 de dezembro, no auditório Waldyr Diogo, na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), às 19h, o livro As Lições do Tempo e minhas paixões, contendo artigos e discursos escritos ao longo de sua vida profissional.”
Sempre que leio matéria acerca de violência entre marido e mulher, esta se diz vítima daquele. A pesquisa informa que “60% [das mulheres] sofrem agressões físicas, 10% sofrem violência sexual, 30% dizem que não há justificativa para agressão, 75% afirmam que a esposa tem direito de recusar fazer sexo, 40% sofrem agressão de alguém que não é parceiro, 20% mantém silêncio sobre agressão” e que “ socos, chutes, ameaças e ataques com armas são mais comuns”.
Não faltam homens capazes dessas práticas. Dizem que as mulheres se tornaram ousadas, desafiadoras, cheias de direitos e vazias de deveres; querem liberdade irrestrita e procuram adaptar a novela da televisão à vida conjugal, razões de eles preferirem a orgia ao lar conjugal.
Sem humildade, o casamento é um inferno. Marido não é mais do que mulher; mulher não é mais do que marido: suportem-se.
Escrito por Assis Ferreira às 20h46
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Em duas horas de insônia
35Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer.
36Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo.
37O que vos digo, digo a todos: Vigiai!
Mc 13
Outra boa homilia fez Monsenhor Murilo, hoje.
O leitor poderá perguntar o que eu acho ser boa homilia. Eu já o disse nestas crônicas, mas repito agora: a homilia que põe o evangelho no dia-a-dia da gente; a homilia que tem a ver com a nossa vida prática; a homilia que não deixa a impressão de ser o evangelho palavra ao vento.
Os católicos estão cansados de homilias que repetem o evangelho com outras palavras. E estas homilias são quase todas.
Não duvido que esse repetir o evangelho tenha afugentado milhares e milhares de católicos, que se arrancham em seitas, que os acolhem com palavra elaborada, com promessas que só Deus pode cumprir.
Não recomendo esse procedimento aos pregadores católicos. Deus os livre disso. Recomendo preocupação com a homilia, busca, conciliação do evangelho com os fatos da vida real, que o fazem ser compreendido.
Jesus Cristo deixou matéria farta aos pregadores. Agora, não faz a homilia por eles. Veja os três versículos, transcritos. Desde que o pregador dê a significação prática de vigiai, não sabeis, casa, dormindo, todos, o cristão sairá da homilia com um bálsamo às dificuldades materiais, morais e espirituais. A esperança, que estava esmaecida, começa a tomar o verde que lhe é próprio.
Se o evangelho não fosse para ser explicado com a vida prática do crente, o pregador seria dispensável. A cada um de nós bastaria a Bíblia, e o mundo seria um fundamentalismo só.
Monsenhor Murilo viajará hoje a Fortaleza, para uma cirurgia, talvez de remoção do nódulo no fígado, coisa que muita gente tem, sem maiores incômodos. Espero que a cirurgia seja bem-sucedida, para no fim da semana ele já estar aqui, bom danado.
Dei com rascunhos de um livro, que eu pretendi escrever. Deus, sempre bom comigo, não permitiu que eu publicasse aquela porcaria: pense num estilo afetado, cheio de fricotes, pense! Desbastei um pouco a afetação, e os textos, se não ficaram degustáveis, talvez não nos causem pesada indigestão. Foi projeto de 1958... É coisa incompleta. E eu já não atino com a porta de saída. Se chegar a ser publicado, será livro de 50, 60 páginas. Livro para ser lido em duas horas de insônia.
Escrito por Assis Ferreira às 09h38
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Teria sido concluída há anos
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 18 de novembro de 2005 (ZENIT.org).- Bento XVI constatou esta sexta-feira um fenômeno próprio da religiosidade de inícios do século XXI: o aumento de pessoas que não se reconhecem em nenhuma Igreja e, ao mesmo tempo, o aumento do interesse pela vida da Igreja católica.
Segundo os dados do censo de 2001, 59% da população não se reconhecem em nenhuma confissão religiosa, e 8,8% não especificaram; enquanto que os católicos são 26,8%; os protestantes, 2,1%, e 3% pertencem a outras denominações religiosas.
Li no informativo semanal Juazeiro do Norte on-line (http://www.juaonline.info) de 27.11.05, que “completa seis anos de circulação a revista Geral, editada por Cecília Sobreira”. No gênero, tenho-a como uma publicação que agrada. Parabéns a Cecília e à turma da Geral.
O saite oficial de Juazeiro do Norte é www.juazeiro.ce.gov.br, e não o que outro dia foi informado, por equívoco, pela Assessoria de Imprensa. Visite-o.
A demora na conclusão das obras da ponte do Rio Salgadinho na Av. Leandro Bezerra impacienta.
Há dois domingos aquele senhor das abluções não usa água da pia batismal do Santuário do Sagrado Coração de Jesus (salesianos). Olhe aí: alguma coisa se fez.
Ontem (domingo, 27), fomos almoçar na casa de dona Zefa Tomé, viúva de José Tomé, tio paterno de Maria. Dona Zefa vem prostrada de osteoporose há coisa de cinco anos. Dá pena vê-la em cadeira de rodas e de mãos entrevadas. Encurtaram-lhe o café e tiraram-lhe o cigarro, prazeres da sua vida. Está filha das filhas. Imagine quanto sofre mulher disposta para o trabalho que nem ela estar inutilizada.
O presidente Lula não fez o sucesso que esperavam na passagem por aqui. À noite da sexta-feira (25), vi-o discursar em Arneiroz, discurso um tanto sem graça. Aplausos? quase só dos que compunham o palanque. Público diminuto. Disse que é nordestino: sabe o que é seca, sabe o que é falta d’água. Tem esperança de que o Nordeste (nunca) vai ser uma das regiões desenvolvidas do Brasil. Agradeceu ao Nordeste “o grande ministro que é Ciro Gomes”. Também o ministro Eunício Oliveira. É oportunistazinho que só! É político, né? Sua breve demora ensejou que fossem entregues a um assessor pelos menos dois documentos de pleitos: assunção do aeroporto pela Infraero e absorção do Banco do Estado do Ceará (BEC) pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB), ao invés de privatização. Oficialmente, o prefeito deve ter-lhe passado algum documento que justifique a liberação de treze milhões de reais para o CAR (Centro de Apoio ao Romeiro), obra que, se tocada com o dinheiro já liberado, teria sido concluída há anos.
Escrito por Assis Ferreira às 20h16
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Nas suas paróquias
Morrer de fome não é só ser privado do alimento por muitos dias, é a criatura levar semanas, meses, passando mal, alimentando-se de migalhas, gastando as reservas do organismo, enfraquecendo as resistências dele, até se inanir de todo e morrer.
Rodolfo Teófilo: A Seca de 1915, p.70
Tirando dúvida: na crônica Nada nunca me faltou (24.11.05), critiquei a OAB do Ceará por ter usado “by” desnecessariamente, talvez para dar beleza à frase. Escrevi que se pode dizer em Português tudo o que se diz em Inglês. Que se pode escrever “portuguesmente”. Para advertir o leitor quanto à grafia da palavra, saiu esta em itálico (portuguesmente). Não cometa o erro de acrescentar mente a nome masculino.
Segundo a Prefeitura, amanhã, sexta-feira, o presidente Lula deverá transitar por Juazeiro do Norte, onde deixará o Aerolula e pegará helicóptero para ir a Arneiroz inaugurar um açude feito à custa do contribuinte. Receberá homenagens nossas, que estaremos de pires na mão, pedindo a liberação de verba para o inacabável Centro de Apoio ao Romeiro.
No final da tarde de ontem (23), fui com Lucas e Dr. Ismar Costa ao Caldeirão das Crianças deixar alguns produtos de higiene. Não duvido que em mais cinco anos, os alojamentos estejam completamente inabitáveis, se não ruírem. Estão despedindo os funcionários.
Pelo que vimos, e o pouco que nos foi dito, concluí que tudo lá precisa ser revisto: critérios de seleção das crianças a receber e das já acolhidas; construções; planejamento; administração. Para manter-se uma entidade dessas é necessário caridade e dinheiro. Somente a caridade do senhor Alfons Lonsing não tem bastado.
O senhor Alfons, que dirige a casa, está duplamente enfermo: da idade e de uma doença de pele, que o impede de andar normalmente. É conformado. Hugo, valoroso auxiliar da administração, disse estar passando correio eletrônico aos deputados pelo Cariri com vistas à obtenção de recursos. Não vindo os recursos, a pobreza fechará o Caldeirão das Crianças. Dentro de um mês, calcula: “Esta foi a pior de todas as nossas crises, Lucas.”
Monsenhor Murilo voltou com força total. A homilia de hoje foi ótima: não perder a missa do domingo; não se preocupar com fim do mundo; procurar entender a Bíblia para não fazer leitura literal (fundamentalismo), ser caridoso: “Uma missa vale duzentas mil renovações”, disse ele para significar que a missa é o maior ato litúrgico. Que não sejamos católicos de meia tigela. Que nos engajemos nas pastorais. “Como em Juazeiro pode haver casa com duas, três crianças ainda não batizadas?” Que o romeiro participe das pastorais nas suas paróquias.
Escrito por Assis Ferreira às 11h55
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